Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 961 / 2018

01/03/2018 - 19:40:27

Comissão de Ética na ALE não funciona, diz Rodrigo Cunha

Parlamentar desabafa: “Devemos ter cuidado com políticos em Alagoas”

José Fernando Martins [email protected]
Rodrigo Cunha

O advogado Rodrigo Cunha (PSDB) está em seu primeiro mandato como deputado estadual e, antes mesmo da convenção do seu partido, é um forte nome para as eleições deste ano. Ao mesmo tempo em que mantém uma proximidade com seu eleitorado, também sabe que é um alvo dos concorrentes.

Em entrevista ao EXTRA, Cunha declarou que seu estilo de fazer política difere do de muitos colegas de Assembleia. “Não pago conta de ninguém, não tenho cabo eleitoral e não sigo a linha assistencialista, como muitos dizem como sendo a única maneira de fazer política em Alagoas. E mesmo não fazendo essas coisas estou sendo cotado para vários cargos”, declarou.

Cunha ainda explicou que esse tipo de propaganda é feita pelos “maus políticos” para inibir a participação de mais pessoas. “Essa história de que política se faz com milhões e conchavos é para que as pessoas de bem, que pensam no coletivo, não participem”. O deputado também confirmou que já foi cogitado para concorrer a cargo de prefeito, mas não especificou a cidade. Para 2018, Brasília deve ser o foco principal.

“Naturalmente busco fazer o meu melhor e nestes três anos já deixei minha marca na Assembleia Legislativa. Realizei aquilo que me propus. Mas quanto maior o cargo, mais trabalho e responsabilidade em transformar a realidade. Deputado federal é um caminho, no entanto, vejo uma movimentação externa para que eu concorra a outro cargo, mas tenho que ver o alcance do meu trabalho para não cometer nenhuma aventura”.

O ex-superintendente do Procon de Alagoas não foge de certos temas, principalmente quando questionado sobre o auxílio-moradia dos altos cargos da Justiça brasileira. “Esse é um penduricalho para aumentar os salários dos magistrados e promotores. O que estou dizendo é que eles merecem um salário compatível devido às pressões, a segurança, etc. Por isso, a luta deve ser para um aumento no salário e não usar o auxílio como argumento. Deve ser dado de uma forma permanente”.

Cunha também está consciente de que a Casa de Tavares Bastos está com sua imagem desgastada devido às operações da Polícia Federal e as mais recentes acusações que recaem sob a presidência da Casa. No começo de fevereiro, José Márcio Cavalcante de Melo, o Baixinho Boiadeiro, postou um vídeo no Youtube denunciando esquema de desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa.  “Dezessete pessoas recebiam de R$ 12 mil a R$ 17 mil em suas contas, mas sacavam R$ 300”, contou. O esquema seria realizado pela família do deputado estadual Luiz Dantas (MDB).

“Primeira, temos que separar a política do político. Não gosto da maioria dos políticos, mas a política é necessária para manter a sociedade. E infelizmente o que esses políticos fazem é o que desgasta a imagem da Assembleia”. E continuou: “Em relação às acusações que envolvem o nome do presidente, a polícia está fazendo o seu trabalho com as linhas de investigações, que não tenho acesso. Mas o que não pode acontecer é usar um mandato como manto de impunidade, para se proteger”.

“Precisamos de uma Comissão de Ética que funcione, porque nunca funcionou”, reforçou. Atualmente, a Comissão de Ética da Assembleia é presidida por Dudu Hollanda (PSD) e tem como vice Gilvan Barros Filho (PSDB). Fazem parte como membros Inácio Loiola (PSB), Marcos Barbosa (PRB) e Olavo Calheiros (MDB).

CHACINA

O parlamentar lembrou do assassinato de sua mãe, a deputada federal Ceci Cunha. “Eu já sofri na pele. Eu sei o que um político pode fazer a uma família. Sei que outras pessoas ainda sentem e isso não pode ser uma marca do estado de Alagoas. É preciso buscar justiça. Foram onze anos, um período longo de desgastante e sei que pessoas passam por situações semelhantes”. 

A morte da deputada federal Ceci Cunha (PSDB), em Maceió, no início da noite de 16 de dezembro de 1998, foi a mais chocante do gênero nos últimos anos. Ela , o marido e dois parentes foram assassinados horas depois da diplomação. A polícia não demorou em apontar o primeiro suplente, Pedro Talvane Gama de Albuquerque Neto (extinto PFL) como autor intelectual da chacina.

Em dezembro deste ano, completa-se 20 anos do caso que ficou conhecido como a Chacina da Gruta. Quando questionado se os crimes de mando ainda acontecem no estado, Cunha afirma que a situação mudou, mas não significativamente. “Alagoas evolui no crime de mando, não era como antes. Acredito que a elucidação do assassinato da minha mãe e do meu pai contribuiu para isso. Mas infelizmente a política ainda está ligada à proteção acima de lei”.

Segundo o parlamentar, há pessoas que entram na disputa de cargos já com esta intenção: “Não é imaginário; Alagoas infelizmente é uma terra sangrenta e onde se deve ter cuidado com político. E isso é inaceitável. A Assembleia serve para lhe representar e não ser proteção para criminosos, isso não pode ocorrer. No começo me cobravam muito, como um delegado que iria prender as pessoas dentro da Assembleia. Minha função, de forma positiva, é ir mostrando que as pessoas podem e devem participar desse espaço, inibindo os que querem usar apenas a vitrine financeira”. 

ONLINE

Confira a entrevista na íntegra com o deputado Rodrigo Cunha no endereço eletrônico www. novoextra.com.br/so-no-site/entrevistas.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia