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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 961 / 2018

02/03/2018 - 09:38:02

Advogado tenta impedir reportagem que denuncia deputada Thaise Guedes

EXTRA é ameaçado de processo ao apurar denúncia contra parlamentar

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
A deputada estadual Thaise Guedes - Foto: Divulgação

Uma investigação jornalística para apurar a veracidade de uma denúncia relacionada à deputada estadual Thaise Guedes (MDB), de que estaria usando funcionários como laranja, resultou em ameaça de processo contra o EXTRA.

Durante a apuração da matéria sobre a deputada - indiciada 25 vezes pelo crime de peculato pela Polícia Federal e suspeita de desviar R$ 221 mil entre 2010 e 2013 -, o advogado Anderson Góes ameaçou processar judicialmente o semanário caso a reportagem fosse publicada. Na denúncia recebida pelo jornal, um funcionário do gabinete da parlamentar durante conversa via Whatsapp revelou que parte do salário que recebe é destinado ao bolso de Thaise Guedes.

Luiz Ricardo Melquiades Santiago, nomeado em 2 de fevereiro de 2017 como secretário parlamentar nível 5 e lotado no gabinete da deputada, recebe mensalmente R$ 16.150,00, valor que com os descontos cai para R$ 12.127,00, conforme a folha de pessoal da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) disponível em seu portal da transparência. Porém, de acordo com fontes, apenas R$ 2 mil ficam com suposto assessor.

Salário de Luiz Ricardo em janeiro deste ano

O salário de Rico, como Luiz Ricardo é chamado entre os amigos, é maior que o de secretários de Estado do governo de Alagoas, como atestam as informações do Portal da Transparência em relação, por exemplo, ao secretário do Planejamento, Gestão e Patrimônio, Fabrício Marques Santos, cujo subsídio mensal, bruto, é no valor de R$ 12.492,68, assim como como o de Humberto Carvalho Júnior, atual responsável pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, cujo vencimento bruto é de R$ 11.657,34.

O vencimento do assessor de Thaise Guedes é bem próximo ao que recebe um parlamentar. De acordo com o portal da transparência do Legislativo, o vencimento mensal de deputados estaduais é de R$ 20.042,34 sendo que com os descontos passa para R$ 15.028,12.

Em uma imagem de tela obtida pelo EXTRA, Rico revela que repassar parte do salário para a deputada é uma prática normal no gabinete. “Todo mundo repassa, é normal”, diz ele na conversa. Como se não bastasse, o funcionário, que nas redes sociais usa o nome Rico Melquiades, mostra ter uma relação de amizade muito próxima com a deputada. 

Luiz Ricardo foi nomeado na ALE em fevereiro do ano passado

Em tese, ele deveria trabalhar no gabinete da parlamentar, localizado no primeiro andar da Assembleia Legislativa, porém, assim como sua chefe, que está em primeiro lugar no ranking dos mais faltosos da casa, com 46% de faltas, ele nem sempre comparece ao expediente, marcando presença apenas quando é chamado pela deputada.

O “fantasma”, famoso nas redes sociais, com mais de 40 mil seguidores, mal é reconhecido por funcionários da ALE que, questionados se conheciam Luiz Ricardo, revelaram que nunca ouviram falar dele na Casa de Tavares Bastos. Segundo um funcionário do gabinete da parlamentar, Luiz Ricardo, raramente aparece no local para trabalhar.

A assessoria da deputada foi questionada para que ela se posicionasse sobre a denúncia, porém até o fechamento desta edição não houve resposta. 

A AMEAÇA

“Se você usar o nome dele vai ter problemas, não vai?” 

Luiz Ricardo Melquiades Santiago foi igualmente procurado pelo EXTRA para dar sua versão, mas, ao invés dele, o semanário recebeu uma ligação do advogado Anderson Góes, conhecido na imprensa alagoana por defender os interesses da deputada.

De acordo com Góes, as acusações não passam de mentiras resultantes de perseguição pessoal contra Luiz Ricardo ou política contra Thaise Guedes em decorrência do período de eleição. “Nenhum assessor parlamentar é obrigado a bater ponto na Assembleia, mas ele trabalha como assessor direto da deputada”, afirmou o advogado.

E ameaçou. “Ele garante que a imagem da conversa não é dele, essa é uma matéria temerária, que pode gerar problemas para o jornal”, disse em relação a conversa no Whatsapp e completou: “Se você usar o nome dele, vai ter problema, não vai? Já estamos trabalhando a parte jurídica para combater essa matéria”, acrescentando que a deputada tem uma boa imagem a zelar e que não trabalha com este tipo de prática.

Questionado sobre a denúncia de que parte do salário de Melquiades ficaria com a deputada, o advogado negou veementemente e garantiu que o assessor tem um padrão de vida de qualidade, que possui vários bens, entre casa própria, carro e moto, informação esta, contudo, desmentida por pessoas próximas ao assessor. Segundo estas pessoas, ele reside com a avó em uma casa humilde no bairro da Chã da Jaqueira e usa ônibus como meio de transporte diário.

HISTÓRICO

Vale lembrar que em outubro de 2017 a deputada foi indiciada pela Polícia Federal sob a acusação de usar uma senhora desempregada e beneficiária do programa Bolsa Família para desviar recursos da ALE. Com uma promessa de emprego para ajudar no sustento da família, a mulher, que não teve o nome revelado, se deparou dentro de um esquema criminoso de desvios de verba da Assembleia Legislativa de Alagoas.

A mulher foi usada como fantasma para o surrupio dos cofres públicos. Segundo o superintendente da Polícia Federal, Bernardo Gonçalves, em entrevista coletiva à época, “foram encontradas ligações entre o gabinete da deputada e servidores ‘fantasmas’, que receberam indevidamente valores que somam R$ 220 mil durante o período investigado. 

Além de Thaise, outros 11 deputados e ex-deputados são acusados de participação no esquema que teria provocado um prejuízo de R$ 15 milhões aos cofres públicos. São eles: Dudu Holanda, João Beltrão, Cícero Cavalcanti, Isnaldo Bulhões, Severino Pessoa, Olavo Calheiros, Edval Gaia, Marcos Barbosa, Marcelo Victor, Antônio Albuquerque e Cícero Ferro (falecido em dezembro do ano passado).

* O Extra decidiu liberar essa matéria na íntegra com antecedência em função da denúncia de que todos os exemplares da semana estariam sendo adquiridos por uma única pessoa

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