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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 960 / 2018

27/02/2018 - 16:29:05

A “novidade” Temer

Elias Fragoso

A esgotosfera da política continua a todo vapor na produção de candidaturas para a próxima – e indefinida – eleição presidencial. Desta feita, a “novidade” é que até o presidente da República, aquele mesmo dos estrondosos 6% de aprovação popular que não consegue se descolar da saltitante imagem do ex-deputado Rocha Loures (réu acusado de corrupção passiva) indo buscar para ele (segundo a Polícia Federal) uma mala com 500 mil reais “ganha” de presente da JBS, começa a se arregalar visando sua recandidatura. Não é piada. É a forma que ele encontrou para tentar se livrar dos processos que o aguardam após sua saída da mais alta posição do governo. 

Ele se utiliza do seguinte raciocínio: pior que está (para ele) não pode ficar. Portanto, saindo candidato (com a máquina do governo federal na mão e torcendo para a intervenção do Rio de Janeiro dar minimamente certo) ele pode arrebanhar 10% até 15% dos votos (algo perfeitamente possível) e, tranquilamente, negociar o apoio no segundo turno ao candidato com maiores chances de vitória em troca da “proteção” para não vir a ser preso após sua saída da Presidência da República. Raciocínio meridianamente simples e objetivo. E correto (para ele), dadas as (baixas) condições morais dos pretensos candidatos ao cargo.

É claro que ainda falta combinar essas sabedorias com os russos... 

Afinal, todas as pesquisas de verdade (a quase totalidade delas são meros factoides patrocinados ora por candidatos, ora por grupos econômicos que querem alçar a popularidade de alguém do seu interesse) mostram o brasileiro indignado com a nojeira que se tornou a política no país e, se preparando para não votar ou votar nulo (estima-se em 50% o número de pessoas dispostas a isso), embora ainda seja cedo para se firmar posição nesse sentido.

Esse é o melhor dos mundos para os políticos tradicionais. O Nirvana. A ausência das urnas ou o voto de protesto (nulo) só os beneficia. Isso porque, com o domínio das máquinas governamental e partidária nas mãos para não deixar surgir o novo tão desejado pela Nação, terão suas vidas facilitadas. Ainda assim, a revolta é tão grande que – embora minimizados – os riscos persistem. O copo do desprezo aos políticos anda transbordando.

As pesquisas (decentes) são claras: o brasileiro cansou das estripulias circenses da politicagem e da corrupção epidêmica que tomou de assalto a política. Parece que o tempo das promessas mirabolantes, das propostas absurdas ou de “mudanças” de quem não quer mudança nenhuma, apenas não quer largar o osso de jeito algum, está se aproximando do fim. E as redes sociais têm papel decisivo nesse sentido.

O desejo do eleitor (que, diga-se de passagem, pode ser frustrado nas próximas eleições pelas barreiras impostas a candidatos não contaminados com o vírus da corrupção que grassa o ambiente político atual) é de perfis que possam agregar novos e reais valores à política enquanto atividade de quem todos e o país dependem para sair do atoleiro da pobreza e do subdesenvolvimento.

É preciso eleger pessoas dispostas a romper os grilhões deste modelo estatal carcomido, corrupto e criminoso onde as “as excelências” – em todos os níveis - desse país se refastelam em detrimento da Nação.

Não é fácil. Não há otimismo quanto a isso. Mas suas “excelências” precisam ter presente que a corda já passou do limite de esticar. Não há mais fundo do poço. Insistir com o modelo e as atitudes remanescentes é brincar com fogo. Ou com suas cabeças. Literalmente.

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