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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 960 / 2018

27/02/2018 - 16:26:28

O dia em que o morro descer...

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

Grosso modo, quando tento analisar alguma decisão a ser tomada por governos, seja municipal, estadual ou federal, tem-me tornado mais prático saber qual a opinião da esquerda. Porque é quase certo que ela opta pelo errado. Não preciso lembrar que ao longo dos tempos ela foi useira e vezeira deste tipo de atitude demagoga. Senão vejamos: Constituição de 1988 e Plano Real foram os dois maiores exemplos embora sabendo que, mesmo sendo contrários, iriam ser aprovados e ela própria beneficiar-se-ia do resultado. Só com a Reforma Trabalhista é que deu com os burros n’água. Estão a ver navios pela falta de grana, com a extinção da Contribuição Sindical obrigatória, para seus inescrupulosos gastos. Quanto à Reforma da Previdência, um deputado dessa ala disse que não se poderia fazê-la em ano eleitoral. Dá pra entender ou quer que desenhe?

Nesse episódio da intervenção federal no Rio de Janeiro, já aprovada pelo Congresso Nacional, é mais ou menos a mesma coisa: ser do contra. Para a esquerda, parece-me que, quanto pior, melhor. Millôr Fernandes já dizia que “Roma não se fez num dia, mas o Rio foi destruído em dez anos”. E essa citação evoca uma bela peça do nosso mais genuíno ritmo: o samba. Não foi composta nem ontem, nem trasanteontem. Wilson das Neves, compositor e baterista, falecido no final de 2017, compôs esse primor de antevisão há mais de vinte anos. Repasso “ipsis litteris”.

“O dia em que o morro descer e não for carnaval / ninguém vai ficar pra assistir o desfile final / na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu / vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil (é a guerra civil). O dia em que o morro descer e não for carnaval / não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral / e cada uma ala da escola vai ser uma quadrilha / a evolução já vai ser de guerrilha / e a alegoria um tremendo arsenal / o tema do enredo vai ser a cidade partida / no dia em que o couro comer na avenida / se o morro descer e não for carnaval. O povo virá de cortiço, alagado e favela / mostrando a miséria sobre a passarela/ sem a fantasia que sai no jornal / vai ser uma única escola, uma só bateria / quem vai ser jurado? Ninguém gostaria / que desfile assim não vai ter nada igual. Não vai ter órgão oficial, nem governo, nem liga / nem autoridade que compre essa briga / ninguém sabe a força desse pessoal /melhor é o Poder devolver a esse povo a alegria / senão todo mundo vai sambar no dia / em que o morro descer e não for carnaval”.

E a alegria só poderá ser devolvida a esse povo, quando se expulsar o tráfico do morro.

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