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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 960 / 2018

27/02/2018 - 16:13:09

Jorge Oliveira

Temer paralisa o país

Jorge Oliveira

Barra de São Miguel, AL - Conhece aquela história manjada do sofá? É parecida com a intervenção que o Temer fez no Rio. Ele acha que retirando o sofá da sala está resolvido o problema do adultério. Pois é, na falta de planejamento, de recursos e de uma polícia inteligente ele manda botar o Exército nas ruas – repõe o sofá na sala - e pronto: está resolvido o problema da segurança pública. É um show de pirotecnia que não vai dar certo, pois a droga distribuída no Rio envolve bilhões de reais e hoje, por incrível que pareça, é quem ajuda a movimentar a economia falida do estado. E mais: não se combate o crime criando mais um órgão para alimentar o cabide de emprego e sacrificar o contribuinte. Se o ministro da Justiça é incompetente, a solução é simples: demita-o. É mais honroso, melhor do que esquartejar o seu ministério.

Ao contrário do que ocorreu na Colômbia, onde os chefes das drogas foram mortos e alguns deportados para os Estados Unidos, no Rio e em outros estados da federação o narcotráfico não tem apenas uma cabeça, mas várias. É como a Medusa da mitologia Grega: você extermina uma cabeça e logo aparecem outras e mais outras para fortalecer o monstro que o poder público germinou na terra apodrecida.

Boa parte da polícia do Rio está comprometida, tem afinidade com o tráfico e com a venda de armas. O poder público faliu, e o Pezão, para não ficar sem os dedos, preferiu entregar os anéis. Não resistiu à intervenção porque já não governa, chafurdou na lama da corrupção junto com o seu parceiro Cabral e perdeu a moral e a credibilidade para liderar o estado. A declaração inusitada de que aceitou passivamente a intervenção federal é o resultado de um governo fraco, corrupto e inepto. Seria menos vergonhoso que ele renunciasse ao cargo e fizesse uma declaração pública da sua ineficiência e incapacidade e saísse de fininho do palácio. 

Na verdade, quem decretou a intervenção no Rio foi o Jornal Nacional com suas edições sobre a violência na cidade. Temer e seus auxiliares foram pautados pela TV Globo, como sempre. Por isso, não acredito na eficiência das suas medidas por improvisadas, pois o problema é epidêmico e envolve fazer uma assepsia na polícia e prender os milionários narcotraficantes intermediários e, por que não dizer, combater com rigor o comércio e o consumo das drogas em alta escala. 

O ataque frontal à guerra do tráfico no Rio apenas inibe temporariamente o negócio, mas depois tudo volta ao normal.  Durante o policiamento ostensivo, vive-se uma aparente segurança, os bandidos inteligentemente dão uma trégua para simular rendição e depois voltam aos pontos de venda das drogas a céu aberto. Há muito tempo o Rio vem dando sinais de falência na segurança. Os crimes brutais, os tiroteios e os arrastões evidenciam a falta de comando em um estado que foi tomado pela corrupção hierarquizada de cima para baixo. Quando uma criança é assassinada por bandidos ainda dentro do ventre da mãe, conclui-se que a nova geração já nasce morta, vítima dessa violência brutal desmedida que se instalou na cidade.

Engana-se quem pensa que a polícia do Rio vai colaborar com o Exército. Existem atritos entre as corporações: a PM diz-se autônoma e, portanto, vai fazer corpo mole, e a Polícia Civil, certamente, vai cruzar os braços e torcer pelo fracasso das operações do Exército, que não tem capacidade de desenvolver uma polícia inteligente, pois não foi preparado para fazer investigações no varejo.

Demagogia

A postura do governo federal, repito, é a do marido traído que vê no sofá da sala todos os seus males. Faz-se um alarde danado, alimenta a população de esperança, usa as medidas demagógicas e depois levanta acampamento deixando para atrás uma população assustada, insegura e desprotegida, pois o poder público no Rio de Janeiro definitivamente faliu. 

Violência

Bem que gostaria de acreditar no arrefecimento da violência na cidade, mas duvido da eficácia da sua operação pela forma amadorística como é conduzida. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, que já havia identificado o conflito entre o Exército e as forças policiais do estado, decidiu incentivar a intervenção para assumir sozinho a responsabilidade pelo combate à violência. É uma aposta arriscada quando você desloca tropas do Exército, formadas por jovens soldados, para combater outro exército, o da droga, que conhece palmo a palmo o seu campo de batalha.

Alienado

 O Pezão é a Dilma do Lula: despreparado, lesado e alienado. Depois da selvageria no Rio de Janeiro durante o Carnaval, ele veio a público dizer que o esquema de segurança falhou, enquanto as pessoas foram aos necrotérios e aos hospitais rezar pelos seus mortos e feridos. Na outra ponta, o prefeito Crivella é a caricatura de um administrador: incompetente, irresponsável e inconsequente. Durante as festas, ele viajou para Europa a pretexto de conhecer novas tecnologias para segurança do Rio. Uma mentira deslavada pela qual está sendo processado. 

Refém

O Rio de Janeiro não é refém apenas dos bandidos, é também vítima dos seus maus administradores. Desde o Negrão de Lima, no final da década de 1960, o estado não produziu um governador sequer reconhecidamente competente e íntegro. Por lá já passaram figuras como Chagas Freitas, Brizola, Moreira Franco, Benedita da Silva, casal Garotinho, Marcelo Alencar, Cabral (Cruz Credo, Ave Maria!) e agora o Pezão, representante legítimo dos interesses do seu antecessor condenado por corrupção.

Políticos

Infelizmente, a violência no Rio de Janeiro é difícil de acabar, pois alguns políticos, por exemplo, quando precisam se eleger vão às favelas pedir a bênção dos narcotraficantes, como ocorreu com a deputada Cristiane Brasil, filha do Roberto Jefferson que responde a processo por conexão com o comércio de drogas na comunidade de Cavalcanti. 

O prefeito

Na outra ponta - coitado do Rio!-,  aparece o prefeito Crivella que governa movido por sentimentos religiosos. Em meio ao maior vendaval de violência que a cidade sofre, ele mandou um recado da Europa de que estava acompanhando a situação on-line. É um deboche, um descaso com o Rio e com os seus moradores. 

Tirano

Como um tirano dos bons costumes, não aceita nada das artes populares, nada que venha do povo, pois a sua crença em Deus é maior dos que a de todos os outros cristãos, que ele considera agentes de satanás, pois não estão em suas igrejas fazendo doações para sustentar a luxúria dos seus apóstolos. 

Fanáticos

É com essa visão que o pastor Crivella governa o Rio, a cidade conhecida no mundo por suas músicas, pelas suas artes e belezas naturais, mas, sobretudo, pela irreverência e alegria do seu povo. Com essa cegueira dos fanáticos, Crivella caminha para transformar a cidade em um templo dos seus deuses caolhos que pregam a moral e os bons costumes como se até a procriação fosse um ato profano para seus seguidores religiosos. 

Incompetente

O Pezão é de todos o mais incompetente. Não sabe administrar, é lesado e responsável pelo maior caos financeiro da história do estado e pela inanição do servidor público. Quando se apresenta para a imprensa é para falar um monte de besteira que não leva nada a lugar nenhum. É de dar dó o seu desconhecimento do próprio governo, a incapacidade dos seus auxiliares e a insegurança que ele passa para a população quando é questionado sobre o desastre dos seus atos. 

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