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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 960 / 2018

25/02/2018 - 08:12:10

Casos de homofobia e machismo movimentam semana em Alagoas

Técnico de futebol e jornalista são vítimas de ataques nas redes sociais

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Rafael Tenório (C) reagiu a ataque homofóbico ao novo técnico (E)

A semana pós-carnaval em Alagoas começou agitada com a divulgação de um caso de homofobia e outro de machismo, confirmando os números registrados por institutos de pesquisas que mostram o aumento do preconceito para com homossexuais e mulheres. Os crimes foram praticados por pessoas públicas em Alagoas e ganharam repercussão nos últimos dias. 

No final de semana, o presidente do CSA, Rafael Tenório, se declarou envergonhado com declarações de membros do Conselho Deliberativo que rege o time e de torcedores nas redes sociais.

“Estou simplesmente envergonhado com o que meu Conselho Deliberativo está fazendo”. A frase dita por Tenório foi em decorrência da campanha contra o novo técnico, Marcelo Cabo, anunciado na segunda-feira, 19. “Acusaram o profissional de ser gay, numa tentativa de desmoralizar o moço”, disse.

Após o caso de preconceito, o presidente Rafael Tenório resolveu proibir o acesso de conselheiros, membros da imprensa e torcedores às dependências do Centro de Treinamento Gustavo Paiva, no bairro do Mutange, a não ser quando convocados. No caso da imprensa nos horários estabelecidos, ou em eventos abertos ao público. Ainda segundo a portaria Nº 001/2018, a medida tem como objetivo a preservação da privacidade da equipe durante o restante do Campeonato Alagoano e da Copa do Nordeste.

Informações obtidas pelo EXTRA garantem que a decisão é em represália às declarações homofóbicas feitas por uma minoria do conselho deliberativo do clube composto de aproximadamente 150 pessoas.

O presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, declarou ser lamentável, triste e deprimente a posição do conselho deliberativo do CSA. “Infelizmente em pleno século 21 as pessoas ainda tentam se manter na época das caravelas, onde seres precisavam camuflar seus desejos e orientação sexual para serem respeitados”.

Ainda segundo o representante do GGAL, serão tomadas medidas, entre elas, será acionado o Ministério Público do Estado de Alagoas. 

De acordo com o Código Penal Brasileiro, a prática de discriminação por orientação sexual consiste em um delito previsto na lei 7.716/89, alterada pela lei 9.459/97, punido com penas de até cinco anos de reclusão, e multas.

De acordo com pesquisa publicada em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), ainda que 83% dos brasileiros se declarem não preconceituosos, 72% já fizeram algum comentário ofensivo e 17% se reconhecem preconceituosos em relação aos homossexuais.

Ataque a jornalista

Não muito longe de Maceió, na cidade de Capela, um caso de machismo envolvendo quem deveria servir de exemplo na cidade também ganhou evidência e despertou repúdio de jornalistas e veículos de comunicação em todo o estado.

Depois da publicação de uma matéria relatando problemas que provocaram o atraso no começo do ano letivo em escolas da cidade, o prefeito Adelmo Calheiros (PMDB), que é primo do governador Renan Filho, utilizou as redes sociais para fazer ataques de caráter misógino e machista à jornalista Thayanne Magalhães, autora da reportagem publicada no jornal diário Tribuna Independente. “Se acha a bala, esquece o seu passado e quer dar uma de boa moça”, disse o prefeito em mensagem enviada diretamente à jornalista.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando na tarde de terça-feira, 20, um áudio do programa de rádio Cidadania, apresentado pelo radialista França Moura, passou a circular em grupos do WhatsApp. Nele, França Moura faz acusações contra Thayanne e insinua que a profissional teria feito a matéria por motivos pessoais e políticos contra Adelminho Calheiros, como é conhecido o prefeito. “A pessoa que fez a matéria contra o prefeito é declaradamente hostil a ele, fez campanha contra e fala mal em toda esquina”, disse, pondo em xeque a capacidade dela de exercer a profissão sem interesses pessoais.

Em entrevista ao EXTRA, Thayanne disse estar conversando com líderes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal), além de advogados, e aguardando orientações. “Não tenho envolvimento nenhum com política, tampouco falo qualquer coisa sobre o prefeito”, garantiu. Questionada sobre a integridade física de sua família, Thayanne responde: “Fiz o Boletim de Ocorrência pois já ando com medo de tomar qualquer medida, não sei do que esse pessoal é capaz”.

O caso da jornalista vai ser incluído em um relatório elaborado pelo Sindjornal sobre episódios de ataques e ameaças a profissionais da comunicação em Alagoas e que será entregue ao Ministério Público Estadual. O relatório foi solicitado pelo procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto.

Também na terça-feira, o deputado federal Paulão (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, enviou ofício ao delegado-Geral da Polícia Civil do estado de Alagoas, Paulo Cerqueira, pedindo informações sobre as providências em relação à denúncia feita pela jornalista das agressões de cunho machista praticadas pelo prefeito. “Preste a este colegiado, informações sobre as medidas adotadas pela Polícia Civil do estado de Alagoas para apurar o fato”, diz o ofício.

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