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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 959 / 2018

15/02/2018 - 10:23:30

Jorge Oliveira

Deputados vigaristas

Jorge Oliveira

Barra de São Miguel, AL - Contribuinte, já parou para pensar que, entre salários e verba de gabinete, você paga quase 400 mil reais mensais a dois deputados presidiários que hoje moram na Papuda? Sabia que é com esse dinheiro que eles pagam parte dos honorários dos advogados que os defendem do roubo do dinheiro público? Pois é, Paulo Maluf, de São Paulo, que embolsou 1 bilhão de dólares (valores corrigidos) da Prefeitura de São Paulo estaria para receber benefício de prisão domiciliar. E quem pode soltá-lo é o STF que analisa esta semana habeas corpus que pede a sua libertação. O outro deputado é Celso Jacob, do Rio, ex-prefeito de Três Rios, preso por falsificação de documentos e fraudes em licitação, mas que recebe seus salários e os penduricalhos integrais.

Jacob foi condenado a sete anos de prisão, mas cumpria a pena em regime semiaberto. De dia dava expediente na Câmara dos Deputados e à noite recolhia-se ao presídio da Papuda. Um dia cometeu uma indisciplina grave, foi flagrado, ao voltar ao presídio, com biscoitos e queijo provolone na cueca. Sofreu castigo de uma semana no isolamento e teve o semiaberto suspenso pela justiça. Agora, ele cumpre a pena em regime fechado. O crime cometido por Jacob em relação ao do Maluf equivale ao de um trombadinha. Os dois estão no mesmo presídio na companhia do ex-senador Luís Estevão, de Brasília, e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, da Bahia.

A diferença das prisões é que o contribuinte continua pagando salários de cada um dos deputados enquanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, faz cara de paisagem, e não pauta a cassação dos dois parlamentares que já cumprem pena. Os dois parlamentares custam ao contribuinte uma grana. Eles recebem salário de R$ 33.736 cada um e mais R$ 102 mil mensais para pagar assessores, além de uma verba que oscila entre R$ 30,8 mil a R$ 45,6 mil para custear despesas como aluguel de escritórios, combustível,

alimentação, etc. Pois bem, a lógica é a seguinte: se os deputados estão encarcerados e recebem todo esse dinheiro, certamente a grana está caindo nas mãos dos advogados que tentam tirá-los da cadeia. Assim, contribuinte, você é quem paga os honorários dos defensores dos dois meliantes.

Como eles se protegem lá dentro do parlamento nem a esquerda, nem o centro e nem a direita se manifesta para pedir a cassação dos deputados. E o presidente da Câmara não toma iniciativa porque já se lançou candidato a presidente da República, portanto, não quer brigar com os partidos, seus prováveis futuros aliados. A dúvida – e isso deve ser apurado – é se os dois deputados presidiários também estão recebendo auxílio moradia como seus colegas que tem imóveis em Brasília e se beneficiam dessa excrecência. Hoje, com residência fixa dentro da Papuda, seria uma heresia pagar auxílio moradia ao Maluf e ao Jacob, mas em se tratando do Legislativo tudo é possível. Até o condenado petista Zé Dirceu conseguiu uma aposentadoria de R$ 10 mil da Câmara. 

Maluf agora está nas mãos de Dias Tofolli a quem cabe julgar o habeas corpus que pode beneficiá-lo com a prisão domiciliar. Se o ministro se deixar levar pela encenação barata do deputado pode livrá-lo da cadeia. Se considerar as agressões que o tribunal vem sofrendo por parte dos defensores do deputado, vai deixá-lo mofando mais um tempo na cela. Mas se leu a nota publicada pelo colunista Lauro Jardim, do Globo, de 28 de janeiro, estará convencido de que Maluf, além de larápio, é também um farsante quando interpretou para o Brasil a cena bufão de um senhor doente, sustentado por uma bengala, trôpego, a caminho da cela. Veja o que diz a nota com o título Última Ceia: “Na véspera de ser preso, em dezembro, Paulo Maluf jantou no Fasano de São Paulo. Dono de uma das mais reluzentes adegas do Brasil, bebeu um Château Latour, safra 1929. Uma garrafa que, no barato, sai por uns 4 mil euros - na França”.

Penduricalhos

O nosso país continua sendo o do Gérson, o ex-jogador de futebol que ficou famoso pela publicidade do cigarro Vila Rica, onde personificava um sujeito que repetia o jargão: “Gosto de levar vantagem em tudo”. Não sabia ele que o slogan iria se incorporar ao comportamento do brasileiro. Hoje ele é parte do dia a dia dos servidores públicos que lutam para manter os auxílios, penduricalhos que aumentam seus rendimentos mensais. 

Jeitinho

O auxílio moradia, o auxílio creche, o auxílio pré-escolar, o auxílio roupa, o auxílio mudança estão incorporados aos salários dos servidores públicos. Trata-se de uma anomalia em um país carente de tudo e que tem um dos piores índices de segurança pública, saúde, educação e de pobreza. É uma vergonha que esses senhores e senhoras recebam tanto auxílios para completar salários que ultrapassam os 30 mil reais por mês.

Imoralidade

Descobre-se agora que todos os procuradores e juízes que aplicam sentenças na Lava Jato também estão nos auxílios desde que o ministro Luiz Fux, do STF, garantiu essa boquinha por meio de uma liminar que não é julgada há três anos. A sangria aos cofres públicos chega a mais de 1 bilhão de reais.

Discrepância

Em alguns casos, o auxílio moradia torna-se uma imoralidade quando se constata que o servidor tem imóvel próprio no lugar em que trabalha, como é o caso de alguns procuradores de Curitiba que trabalham na Lava Jato. Acabar com essa mordomia é, no mínimo, trazer a ética de volta ao judiciário. E você, um dos meus dez leitores, pode ajudar utilizando-se das redes sociais para protestar contra essa boquinha. Movimente-se contra o auxílio moradia, pode ser o slogan dessa da campanha.

As regras

Os servidores da justiça alegam que os auxílios são legais e, portanto, não cometem nenhum abuso ou crime. Ora, pode até ser legal, mas é imoral para quem usa o bastão para propagar a lei e caçar os bandidos que roubam o dinheiro público. Não é bom para imagem de juízes como Sérgio Moro estarem envolvidos nessa lista do auxílio, pois no mínimo levantam-se dúvidas sobre a seriedade do seu trabalho e um questionamento sobre a ética de quem quer passar o país a limpo.

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