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22 de Maio de 2018

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Edição nº 959 / 2018

11/02/2018 - 02:51:20

Assassinato do deputado Marques da Silva completa 61 anos

Manoel Ferreira Lira Especial para o EXTRA
Claudenor Albuquerque Lima saindo do júri que o absolveu, em Arapiraca, em 1970 - Foto: Divulgação

Tudo ocorreu no dia 7 de fevereiro de 1957, às 21h30, na Praça Gabino Besouro, um dos lugares mais frequentados da cidade de Arapiraca. O deputado e médico José Marques da Silva vinha da residência de Nair Teresa Duarte (Nair Fernandes), onde tinha ido atender seu chamado, já que ela se dizia enferma.

A vítima atravessou a rua em direção à praça, quase em frente à Igreja de São Sebastião, e dirigia-se a sua residência, vizinha à Sorveteria Pinguim. De repente, dois tiros ecoaram na noite e atingiram o médico e deputado estadual pelas costas, sem quaisquer oportunidades de defesa.

Prostrado ao chão, o deputado Marques da Silva teve consumada a tragédia que antevira há muito, quando denunciou seus possíveis algozes. Enquanto isto, sorrateiramente, um homem vestindo calça de brim claro, camisa marrom e de chapéu de pano à cabeça dirigiu-se à Rua Estudante José de Oliveira Leite (casa do deputado Claudenor Albuquerque Lima), pulou um muro e homiziou-se no quintal.

Outros pistoleiros, vindo de todas as partes, achegaram-se à casa do deputado Claudenor. Todos foram vistos pela empregada doméstica do deputado, Palmira Alexandre da Silva, que reconheceu Luiz Cacheado como o primeiro pistoleiro a chegar, logo depois dos tiros. Ela diariamente dava as refeições aos irmãos Cacheado. E mais: Palmira ouviu um diálogo ocorrido entre Luiz Cacheado e José Pascoal:

-“Atirou?”

-“Atirei não, matei e ele está morto na praça”.

O assassinato do deputado Marques da Silva, como antevisto pelo médico, fora antecedido pela morte do vereador arapiraquense Benício Alves, correligionário e compadre, em outubro de 1956, por pistoleiros sergipanos e atribuída a uma vingança pessoal da família Barbosa, que teve um de seus membros assassinado pelo irmão do vereador.

José Marques da Silva, o deputado assassinado, era médico formado pela Universidade da Bahia. Nasceu em 12 de fevereiro de 1924, na localidade de Canudos (hoje cidade de Belém, em Alagoas). Filho do fazendeiro e agropecuarista Alcino Marques da Silva e da professora Josina Marques da Silva, tinha dois irmãos: Otacília Marques da Silva e Valdemar Marques da Silva.

Após concluir o curso primário no distrito de Canudos, Marques da Silva foi estudar em Palmeira dos Índios, fazendo o exame de admissão e todo o antigo ginásio (hoje colegial) em Maceió, estudando no Colégio Diocesano. A Faculdade de Medicina cursou em Salvador, Bahia. Fez residência médica em São Paulo nos anos 51/52.

Por intermédio do amigo Rui Palmeira (senador), seu aliado e mentor político, veio para Arapiraca em 14 de fevereiro de 1952. Nunca perdeu contatos com sua terra de origem. 

Um altruísta, era normal clinicar sem nada cobrar das pessoas pobres, amigas ou não, moradores e agricultores das terras de seus pais.

Casou-se com Maria Soares Veira, filha do ex-prefeito de Pão de Açúcar, Alagoas, Pedro Soares Vieira e de dona Maria Vieira, em 31 de maio de 1952. Do matrimônio, nasceram os filhos Mário Alcino (27/05/1953), Cléber (18/04/1955) e Eberth (26/07/1956). 

Outra virtude de Marques da Silva era a dedicação e respeito a todas as pessoas, independente da sua condição social ou econômica. Sempre que solicitado, atendia aos clientes em suas residências por mais distante e humilde que fosse, e na maioria das vezes doava os medicamentos quando os pacientes não tinham condições. 


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