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18 de Dezembro de 2018

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Edição nº 959 / 2018

11/02/2018 - 18:00:00

TJ adia pela 6ª vez desfecho do caso Diego Florêncio

“Virou tortura”, diz mãe; pedido de vistas foi do desembargador Sebastião Costa

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Diego Florêncio foi assassinado com 12 tiros em 2007

Pela sexta vez a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça adiou, esta semana, a decisão sobre o futuro dos condenados em primeira instância pelo assassinato do estudante Diego Florêncio, em 23 de junho de 2007.

Há 11 anos, a mãe de Diego, Leoneide Florêncio, espera que os condenados respondam pelo crime atrás das grades. Acontece exatamente o contrário hoje. Todos estão soltos, com liberdade de ir e vir, enquanto ela é prisioneira do sofrimento.

Eles foram condenados à prisão em 13 de maio de 2014 por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante emboscada. Mas respondem ao crime em liberdade.

“O que eu venho passando é uma tortura. São seis adiamentos. Mas tenho Deus, que é justo. E a seus olhos nada fica impune”, disse, ao sair, mais uma vez, do TJ de Alagoas sem uma definição sobre o crime.

Desta vez, o adiamento na Câmara Criminal aconteceu por causa de pedido de vistas do desembargador Sebastião Costa Filho.

A Câmara Criminal tem 4 desembargadores. Dois votaram: José Carlos Malta Marques, o relator, pela anulação do júri. E João Luiz Azevedo Lessa, mantendo o júri e, consequentemente, a prisão dos condenados em primeira instância.

PODER

O poder político dos condenados e a influência nos corredores do Judiciário alagoano ajudam a explicar a demora, classificada como “tortura”, em um desfecho neste assassinato. Um dos condenados é o vereador de Palmeira dos Índios, Antônio Garrote da Silva Filho, o Toninho Garrote (PP). Ele é filho de Ângela Garrote, ex-prefeita de Estrela de Alagoas - que conseguiu eleger o filho na cidade, Arlindo Garrote, e hoje desponta como uma das maiores lideranças no Sertão - inclusive é candidata a deputada estadual, apesar de ter sido presa por corrupção. Ela foi acusada de assassinato e absolvida em 16 de maio do ano passado.

Paulo José Leite Teixeira, outro condenado pelo crime, é mais conhecido como o Paulinho do Cartório porque, em Palmeira, a família é dona de um cartório. O executor do assassinato de Diego Florêncio foi Juliano Ribeiro Balbino.

“(…) Os três denunciados planejaram minuciosamente o crime, tendo Paulo Leite, cedido seu veículo a Juliano para a realização do assassinato, mantendo-se com Antonio Garrote, no veículo deste, durante todo o iter criminis, dando suporte na operação criminosa, numa qualquer eventualidade e até numa possível fuga.”, diz a peça acusatória do Ministério Público.

AMEAÇAS

O desfecho deste processo seria decidido em Palmeira dos Índios. Mas, segundo a documentação, os Garrote haviam instalado o terror na região, por causa do assassinato. Ameaçada ao sair da delegacia, um dia depois do crime, uma testemunha foi abordada por dois policiais. Pediram que ela mudasse o depoimento.

“O escrivão disse ao depoente e ao seu irmão que era melhor mudar o seu depoimento, pois poderia colocar o próprio depoente em risco acaso os apontados como suspeitos do crime tomassem conhecimento do seu depoimento”, disse o processo.

E o surpreendente aconteceu: o depoimento mudou mesmo.

Houve ainda testemunhas compradas pelos acusados no crime. E denunciadas por falso testemunho. E álibis forjados que “corroborariam o embuste”.

Transferido para Maceió, o júri não teve o desfecho esperado pela família de Diego.

“Da Justiça de Deus eles não escaparão”, resumiu a mãe do estudante assassinato.

Diego Florêncio foi assassinado com 12 tiros, pelas costas, em 23 de junho de 2007. Ele tinha 21 anos. Socorrido, foi levado ao hospital de Palmeira dos Índios. Era o mesmo dia, horário e local do plantão do pai dele, médico do hospital. Ele teve um choque ao ver o filho ensanguentado, carregado na maca. E desmaiou.

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