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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 958 / 2018

04/02/2018 - 08:47:59

Cidade de Alagoas recebe alerta do Ministério da Saúde

Delmiro Gouveia é a única com recomendação para vacinar a população

José Fernando Martins [email protected]

A cidade de Delmiro Gouveia, localizada a 305 Km de Maceió, está com atenção redobrada quando se trata do combate à febre amarela. O município recebeu do Ministério da Saúde, na semana passada, a classificação ACRV, que é a sigla de Área com Recomendação de Vacina. Vizinha de Paulo Afonso, cidade baiana com mesmo alerta, Delmiro Gouveia também faz fronteira com Pariconha, Água Branca e Olho d’Água do Casado, em Alagoas. Ainda está numa região limítrofe com os estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia. 

Dentre as unidades federativas citadas, só Pernambuco ainda não recebeu tal classificação do Ministério da Saúde e é denominado, por enquanto, uma Área sem Recomendação da Vacina (ASRV). Em Sergipe, a cidade de Canindé de São Francisco, única ACRV daquele estado, está localizada de 77 Km de Delmiro Gouveia. Embora a febre amarela tenha causado pânico em diversos estados brasileiros, inclusive industrializados, como São Paulo e Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Alagoas informa que a situação não é motivo de pânico. 

Em nota enviada ao EXTRA, a pasta esclarece que não deve se vacinar alagoanos de outras cidades que irão viajar para Delmiro Gouveia, uma vez que Alagoas não é área endêmica para a febre amarela. A vacina se destina, exclusivamente, àqueles que são moradores de Delmiro e irão migrar a trabalho e/ou passeio para alguma cidade da Bahia, que faz limite com o município ou para outro estado onda ocorra circulação do vírus. 

Segundo o secretário de Saúde de Delmiro Gouveia, André Ramalho, a vacinação no município está acontecendo de acordo com a necessidade. “O anúncio do Ministério da Saúde é uma medida de prevenção devido à proximidade com a cidade de Paulo Afonso. A situação está sob controle e sem filas nos postos de saúde. Temos dado prioridade àqueles que precisam viajar. Graças a Deus não fizeram alarde para não deixar a população nervosa. Começamos a vacinação na semana passada. Cada ampola aberta serve para dez pessoas”, explicou. 

A cidade tem aproximadamente 53 mil habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017.

Alagoas em 3º lugar no NE

O Monitoramento do Período Sazonal da Febre Amarela, do Ministério da Saúde, de julho de 2017 a 30 de janeiro de 2018, detalha que, no Brasil, houve 1.080 casos humanos notificados de febre amarela, sendo 213 confirmados, 81 mortes, 435 em investigação e 432 descartados. O balanço também contabiliza as Epizootias em Primatas Não Humanos (PNH), que são macacos encontrados mortos (incluindo ossadas) ou doentes, em qualquer local do território nacional, com suspeitas de febre amarela. Foram 482 confirmadas, 919 em investigação, 1.092 indeterminadas e 580 descartadas. 

Neste período, segundo o Ministério da Saúde, Alagoas registrou dois casos suspeitos de febre amarela em humanos que ainda estão em investigação. Na região Nordeste, apenas Sergipe e Paraíba não entraram na lista. A Bahia fica em primeiro lugar com 15 casos notificados, desses sete foram descartados e oito estão em investigação. Em seguida está Piauí com 3 notificações, sendo um descartado e dois sob investigação. Alagoas aparece em terceiro lugar com os dados especificados acima. 

Caso suspeito está sob investigação

A notícia da inclusão de uma cidade de Alagoas na classificação de Área com Recomendação de Vacina (ACRV) veio acompanhada de um suposto caso de febre amarela em Maceió. A coordenação médica do Hospital Humanité, na Gruta de Lourdes, informou que, na última sexta-feira, 26, deu entrada um paciente com suspeita de malária e, no domingo, 28, um outro também deu entrada com a mesma suspeita. 

Tratam-se de dois militares do Exército Brasileiro que estavam em missão no Amazonas e, depois, tiveram passagem pelo Rio de Janeiro. O primeiro caso, de malária, foi confirmado pelo Laboratório Central de Alagoas (Lacen-AL). O paciente está sendo tratado com medicamento anti-malário e já teve melhora dos sintomas. O tratamento dura 14 dias e a cura só pode ser constatada após 70 dias do último exame.

Em relação ao segundo paciente, o exame para detectar a malária deu negativo, mas acendeu a possibilidade de contaminação por febre amarela. O exame que detecta a doença e as outras patologias pesquisadas foi encaminhado pelo Lacen para a Fundação Oswaldo Cruz  (Fiocruz). 

O resultado demora em torno de 30 e 40 dias. A assessoria da unidade hospitalar também informou que o suspeito de febre amarela recebeu alta na terça-feira, 30, e que há grande possibilidade de ter sido uma gastroenterite.

O Hospital Humanité aproveita para reforçar que não há riscos de contaminação, uma vez que as doenças são transmitidas por mosquitos e principalmente nas regiões endêmicas e de clima propício para o protozoário.

Vacinação em Maceió 

Devido à grande procura pela vacina contra a febre amarela nas unidades de saúde da capital, a Gerência de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reforçou as principais orientações para quem precisa tomar a vacina. As recomendações são repassadas pelo Ministério da Saúde para administração das doses disponibilizadas para os estados e municípios que não estão inseridos nas áreas com recomendação para a vacina, nem de forma integral nem parcial, como é o caso de quase todas as cidades de Alagoas.

A vacina é indicada somente para pessoas que residam em Áreas Com Recomendação para a Vacina (ACRV) contra febre amarela e pessoas que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata dentro dessas áreas. A recomendação também é indicada para as pessoas que vão se deslocar para países com risco para a doença. A vacina contra a febre amarela é disponibilizada em três locais de referência em Maceió: II Centro de Saúde (Praça da Maravilha) – terças e quintas; US IB Gatto Falcão (Tabuleiro do Martins) – segundas e quartas; US Pitanguinha – segundas, quartas e sextas.

Contraindicações

A vacina não é indicada às pessoas que estão com o sistema imunológico debilitado, que têm alergia a ovo, gestantes, lactantes (que caso tenham recebido a vacina, deve suspender o aleitamento materno por 28 dias), pessoas com mais de 60 anos, bebês com menos de 9 meses e pessoas com doenças autoimunes. Idosos e gestantes que irão viajar para áreas de risco e que precisarem se vacinar devem apresentar uma declaração médica avaliando o benefício/risco da vacinação e atestando a necessidade da imunização. A única exigência é que o viajante leve o comprovante de viagem para o local de vacinação (passagem aérea ou de ônibus, comprovante de hospedagem) e documento de identificação.

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