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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 958 / 2018

01/02/2018 - 18:34:53

Crise fecha mais uma usina em Alagoas

Cachoeira do Meirim surpreende funcionários com demissão em massa

José Fernando Martins [email protected]
Usina Cachoeira do Meirim não suportou a crise no setor da cana-de-açúcar; demissões afetam milhares de famílias

A indústria sucroalcooleira sofreu mais uma baixa esta semana. Desta vez, a Usina Cachoeira do Meirim, localizada em Maceió, fechou as portas aniquilando 2.200 postos de trabalho no campo e na indústria. Segundo a diretoria, a usina segurará, por enquanto, 500 empregos. Apesar da decisão repentina, a morte de usinas em Alagoas está longe de ser novidade. Tanto é que em outubro do ano passado, sete usinas e duas empresas ligadas a Cooperativa dos Usineiros anunciaram sua entrada em regime de recuperação judicial. 

Os mais pessimistas já preveem que o grupo pode ter o mesmo destino do império do ex-usineiro João Lyra, que recentemente viu duas de suas usinas serem leiloadas. No caso da Cachoeira do Meirim, a diretoria informou à imprensa que adotou a medida radical após suessivas quedas de produtividade nas safras em virtude da seca e que a indústria irá investir no mercado de celulose em substituição à cana-de-açúcar.

Em conversa com o jornal EXTRA, o empresário Fernando Farias, diretor do Grupo Caeté, destacou  que um dos problemas que influenciou a decisão é o baixo preço do açúcar no mercado externo. A desvalorização do mercado brasileiro pelo próprio governo federal tem revoltado a classe empresarial. Em janeiro, o setor sucroenergético avaliou que declarações do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, sobre a possibilidade de o Brasil acabar com uma taxação sobre etanol importado criam insegurança jurídica.

Maggi informou que o governo avalia acabar com uma taxa de 20% sobre o biocombustível importado, algo que poderia ajudar a reabrir o mercado dos Estados Unidos à carne bovina brasileira. Aprovada em agosto e colocada em prática em setembro do ano passado, a taxa de 20% sobre o etanol importado, para volumes que excederem 600 milhões de litros ao ano, beneficia principalmente os EUA, principal exportador do biocombustível para o Brasil. Inicialmente, a medida teria validade de 24 meses.

Embora em crise, a diretoria da Cachoeira do Meirim garantiu que os trabalhadores irão receber todos seus direitos. “O passivo trabalhista será quitado e nenhum funcionário ficará no prejuízo”, informou

Segundo o vice-presidente da Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Açúcar no Estado de Alagoas (Stia/AL), Cristophanes Lima, a Cachoeira do Meirim possui ainda 500 mil toneladas de cana. no campo. “Provavelmente serão distribuidas para outras unidades que pertencem ao mesmo grupo ou vendidas”, disse. 

Sobre os direitos trabalhistas, Lima confirmou a informação do empresário. “Vão receber todas suas contas”. Segundo funcionários, os cortadores de cana já haviam sido demitidos. Os dos demais setores também vinham sendo preparados para as demissões porque não teria demanda. 

LAGINHA

Circula nos bastidores a informação de que os créditos de trabalhadores das antigas empresas de JL e que integram a Massa Falida da Laginha serão pagos com deságio, que nada mais é do que receber menos do que se tem direito. Questionados, os juízes responsáveis pelo processo de falência preferiram não comentar o fato. 

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