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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 957 / 2018

30/01/2018 - 15:54:42

Fake news e balões de ensaio

CLÁUDIO VIEIRA

A Justiça Eleitoral, à medida em que se avizinham as eleições, segundo as notícias recentes concentra sua primeira preocupação nas chamadas “fake news”, neologismo que invadiu o nosso vocabulário graças ao disparatado Donald Trump. Interessante que as notícias falsas divulgadas durante as eleições são coisas de certa forma natural. A notoriedade recente da expressão, todavia, é devida à forma inglesa do dizer, muito apreciada entre as pessoas consideradas “fazedoras de opiniões”, ou que assim se agraciam. Desconfio que esse súbito interesse em prática tão antiga na política brasileira, e o uso do neologismo, é apenas o prazer do saboreio de um bom pronunciar da língua de Shakespeare.

De fato, quem se der ao trabalho de consultar os milhares de representações eleitorais que a cada eleição perturbam a pasmaceira dos tribunais eleitorais, constatará que a grande maioria busca o direito de resposta a notícias falsas divulgadas pelos opositores, as celebradas “fake news” do momento. Claro que isso – as notícias falsas – há de ser severamente combatido. Afinal, em um país que sofre com os altos índices de analfabetismo – ou alfabetismo funcional – sobrelevados com deficiência de conhecimento cultural, as inverdades divulgadas com aspecto de seriedade – e às vezes nem assim – têm o condão de perturbar o pleito eleitoral, tornando-o uma disputa mais desigual, na qual a ética é algo tornado irrelevante.

Tão danoso quanto as “fake news” (terei sido eu catequisado pela expressão?), e que têm as mesmas raízes, são os balões de ensaio, outra das práticas cultivadas por nossos políticos. O sujeito, por exemplo, sabe que não tem condições de disputa, seja porque seu eleitorado é pequeno, ou porque seu passado o faz inconfiável, ou por outro motivo qualquer, lança-se ao pleito, diz-se candidato com grande autoridade, creditando-se as melhores condições e aptidões. Seus áulicos, claro, esmeram-se na divulgação da novidade, argumentando com os porquês de o fulano ser o fiel da balança das eleições, a esperança dos eleitores, ou outra baboseira qualquer. E por que? Aí é que está o nó górdio da questão, o busílis do balão de ensaio. O pretenso candidato quer apenas medir o seu tamanho eleitoral; ou, quem sabe, credenciar-se junto aos incautos pleiteante com mais capacidade para alguma negociação por espaço, ou coisas mais obscuras ainda. E muitas vezes o esperto obtém sucesso, graças principalmente à avidez dos outros candidatos por votos, ou ao despreparo dos eleitores.  Infelizmente temos de conviver com isso mais uma vez, mas sempre na esperança de que juntos os eleitores possamos expulsar as gárgulas da política brasileira. 

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