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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 957 / 2018

30/01/2018 - 15:37:13

Gabriel Mousinho

Posse clandestina de Brasil

Gabriel Mousinho

Barra de São Miguel, AL – Cristiane Brasil iria tomar posse clandestinamente ao amanhecer de segunda-feira (22), às 9h, sem a imprensa bisbilhoteira e com poucos convidados, quase ninguém para aplaudir o ato espúrio do presidente Temer, que teima em transformar em ministro do Trabalho a filha do ex-deputado e ex-presidiário Roberto Jefferson, delator do mensalão. A ajuda para a posse veio do ministro Humberto Martins, do STJ, alagoano como também são os ministros do Transporte, Maurício Quintella, e do Turismo, Marx Beltrão, que decidiu em um sábado suspender a liminar que proibia a posse. 

Não valeu.  Cármen Lúcia, presidente do STF, em boa hora, decidiu derrubar a decisão de Humberto Martins que, assim, frusta seus amigos alagoanos que fazem parte do governo Temer e não terão Cristiane Brasil como companheira na Esplanada dos Ministérios. A ministra do STF valeu-se de um argumento decisivo: o STJ de Humberto Martins não é o fórum adequado para derrubar as duas liminares, inclusive a do TRF-2, que proibiam a posse de Brasil. Na verdade, por ética, Cármen Lúcia, evitou dizer que decisões como essas não podem ser tomadas na calada da noite. A Justiça é cega, mas gosta de atuar à luz do dia.

A filha do deputado delator tenta de todas as formas chegar ao Ministério do Trabalho em um ano eleitoral para transformar o órgão num depósito fisiológico. E o Temer, o governante mais impopular do mundo, trabalha para que a sua imagem seja a do pior presidente do Brasil de todos os tempos quando força a barra para indicar uma senhora que tem sobre seus ombros processos trabalhistas e maracutaias de carros alugados em locadoras fantasmas. A justiça entende que o cargo não deve ser ocupado por Brasil pela indecência de suas atitudes como deputada e cidadã por ter sido condenada a pagar indenização trabalhista aos seus empregados, dinheiro que saiu da conta da sua secretária parlamentar.

Pesa também contra ela o histórico do pai, ex-presidiário que ficou mais de um ano preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Acha que ao reassumir a presidência de um partido, o PTB, seus crimes foram esquecidos pela população. Que se arrota ao direito de decidir sobre cargos que, em princípio, deveriam ser ocupados por pessoas honestas e éticas, o que não vem sendo uma prática nesse governo desde que manteve lá dentro do Palácio do Planalto Moreira Franco e Eliseu Padilha, envolvidos em processos da Lava Jato.

Como não teve sequer um voto para chegar à presidência da República, Temer está se lixando para a opinião pública. Age como um déspota que decide tudo de cima para baixo. A exemplo de Lula, quer confrontar a justiça porque se acha acima das leis. Ao insistir na posse de Brasil teme que Roberto Jefferson repita o que fez com o PT quando escancarou o governo do Lula, denunciando o mensalão que corria solto na Câmara dos Deputados sob o patrocínio de Zé Dirceu e a quadrilha petista que está guardada nos presídios.

Credibilidade

Um governo que tem como aliado Roberto Jefferson não merece crédito. E a reputação vai para o esgoto quando ele tenta enfrentar a justiça para alojar dentro de um ministério uma pessoa rejeitada pela opinião pública. Ora, ao dizer à Folha de S. Paulo que, fora do poder, vai lutar para limpar sua biografia, Temer faz confissão incontestável de que ela está suja, muito suja. Mesmo assim continua puxando para sua companhia nomes envolvidos em crimes para compor o seu ministério. É um governo falacioso, de atitudes aéticas e de moral débil.

Histórico

Quanto ao ministro Humberto Martins, limito-me a republicar aqui, na íntegra, notícias recentes sobre ele e o seu filho Eduardo Filipe, publicadas na revista Época e no blog do jornalista alagoano Gabriel Mousinho, no site Alagoas 24 horas:

Ministro Humberto Martins, 

de Alagoas, na mira da 

Operação Lava Jato. 

Ele foi citado na delação da OAS

Blog do Mousinho 

01/05/2017 18:30

Os ministros Humberto Martins, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça e Benedito Gonçalves, foram citados nas delações da Construtora OAS dentro da Operação Lava Jato em contatos com os procuradores da República. Eles são acusados de serem beneficiários de recursos por atuação no tribunal, favorecendo a empreiteira, de acordo com matéria publicada na Folha de S. Paulo.

Humberto Martins nega qualquer irregularidade, mas os executivos ” afirmam que o dinheiro foi repassado por meio de seu filho Eduardo Filipe, que também teria se beneficiado. Advogado, ele tem escritório em Brasília e atua em causas junto ao STJ”. A OAS se aproxima da Odebrecht com cerca de 50 delações. Com essa delação a OAS será a primeira empresa a abrir uma frente de investigação com foco no Judiciário. Segundo os jornalistas Bela Megale, de Brasília, e Walter Nunes, de São Paulo, da Folha, “a assessoria do advogado Eduardo Filipe Martins, filho do vice-presidente do STJ, disse que ele nunca advogou para a OAS nem mantém relacionamento pessoal com funcionários desta empresa”.

Revista Época:

Filho de ministro do STJ recebeu 

R$ 10 milhões por processos de 

que não tinha procuração

Mesmo sem nenhuma assinatura nos  processos, o advogado Eduardo             Filipe, filho do ministro Humberto Martins, ganhou os honorários de dinheiro       público pagos pela Fecomércio do Rio

Eduardo Filipe Alves Martins, de 31anos, é um jovem advogado de carreira próspera em Brasília. Carrega em seu currículo o sobrenome do pai, Humberto Martins, ministro do Superior Tribunal de Justiça desde 2006 e atual vice-presidente da Corte. Eduardo Martins, apesar da pouca idade, já pode se considerar um milionário na advocacia. ÉPOCA obteve documentos que mostram pagamentos de R$ 10 milhões por dois processos no STJ. A fatura foi paga com dinheiro da Fecomércio do Rio de Janeiro. Apesar dos altos pagamentos, Eduardo Martins não consta nos processos que ele mesmo registrou nas notas fiscais emitidas. Não tem nem sequer procuração, enquanto as outras bancas de advocacia contratadas pela Fecomércio-Rio atuaram nessas mesmas ações com procuração e fizeram petições.

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