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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 956 / 2018

18/01/2018 - 18:34:51

Índios de Porto Real do Colégio bebem lama

local de captação da água é disputado com animais, ameaçando saúde da tribo

Maria Salésia [email protected]
Local de captação da água usada pelos Kaririri-Xocó, onde a presença de animais coloca em risco a saúde da comunidade

Cerca de quatro mil indígenas que vivem na comunidade Kariri-Xocó, no município de Porto Real do Colégio, Alagoas, estão “bebendo lama” da parte do rio que mais parece um poço acumulado na beira da estrada. A reclamação é do cacique Carlos Suíra que diz que a cena é degradante, pois as pessoas disputam a água com animais, correndo risco de comprometimento de saúde. O problema poderia ter sido resolvido se a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do Parnaíba e do São Francisco (Codevasf), em Penedo, tivesse cumprido acordo firmado no final do ano passado de que iria ceder uma máquina retroescavadeira para melhoria emergencial das condições de potabilidade da água captada em desvio marginal do Rio São Francisco. 

Segundo Suíra, em dezembro de 2017 a questão foi denunciada ao Ministério Público Federal que comunicou o fato à Funai e pediu providência. No entanto, o representante indígena reclamou da morosidade dos órgãos competentes ao dizer que a Sesai (Secretaria de Saúde Indígena- órgão ligado ao Ministério da Saúde) e Codevasf não atenderam as reivindicações. Inclusive, era para ter sido feito a limpeza do canal e “até agora nada”, protestou ao afirmar que “por enquanto os órgãos que se dizem de assistência não fizeram nada”.

RETIRO RELIGIOSO

Índios de várias tribos estão reunidos na aldeia Kariri-Xocó para encontro religioso. A preocupação é que de 3 a 17 de fevereiro o retiro será permanente e caso o problema da água não seja resolvido poderá comprometer o evento. A previsão é de que mais de 7 mil pessoas participem do encontro. Para cobrar mais agilidade, na segunda-feira, 15, representantes da comunidade indígena estiveram no escritório do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), em Maceió, acompanhando, a convite do Comitê, a videoconferência semanal que a Agência Nacional de Águas (ANA) promove para gerenciar a crise hídrica na bacia. 

Na ocasião, Suíra agradeceu o apoio da CBHSF, através do presidente do Comitê, Anivaldo Miranda, que reafirmou o compromisso de fornecer o combustível necessário para funcionamento da retroescavadeira, como foi acertado no final do ano passado.  Miranda entendeu que o caso deixou de ser um problema de escassez hídrica para se transformar em caso de saúde pública.

Durante o encontro ficou acertado que o representante da Codevasf em Brasília, Carlos Pinheira, iria investigar o fato e buscar solucionar o impasse. No entanto, o cacique Carlos Suíra disse que caso a representação da companhia em Penedo aponte dificuldades, recorram a representação de Propriá, em Sergipe. É que segundo o cacique, os profissionais do estado vizinho se colocaram à disposição para socorrer os Kariri-Xocó.

PROBLEMA CRÔNICO 

Em dezembro de 2017 o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) já havia alertado de que a comunidade indígena Kariri-Xocó estava correndo riscos de saúde devido à má qualidade da água que abastece a tribo. É que como a estação de tratamento de Água não estava isolada, a presença de animais e fezes são encontradas no local, contaminando a água. Inclusive, podendo acarretar doenças como a esquistossomose.

Em postagem do dia 21 de dezembro do ano passado, a fanpage “Rede de Apoio ao Povo Kariri Xocó” escreveu: “Um rio, um ser que nos dá alimento, saúde, amor e vida. Hoje, por conta de quem não pensa na vida, nem no próximo, este mesmo rio está nos dando doenças e muita tristeza. Mas logo mais, ainda receberão o retorno de tudo isso que estão fazendo com o rio e com nosso povo Kariri Xocó”.

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