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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 955 / 2018

16/01/2018 - 11:32:01

Campanha ajuda comunidades carentes

Empresa usa publicidade para gerar renda na periferia de Maceió

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Iniciativa está presente em várias grotas de Maceió; em todo País já foram beneficiados mais de trinta mil moradores de comunidades

erca de 10 comunidades de Maceió têm experimentado uma forma diferente de inserção socioeconômica, com geração de renda. O responsável pelo acréscimo é o projeto Outdoor Social, que leva publicidade para as periferias e remunera os moradores pelo uso dos muros de suas casas.

Na capital alagoana, a iniciativa está presente na Grota da Alegria, Grota do Cigano, Reginaldo, Virgem dos Pobres, Grota do Moreira, Chã de Jaqueira, Favela da Levada, Alto São Rafael, Aldeia do Índio e Rua do Campo. A atividade também está presente em alguns bairros de Arapiraca, Penedo e Palmeira dos Índios. Entre 2016 e 2017, cerca de oito campanhas foram veiculadas em cerca de 40 muros em residências dessas regiões. Apenas com a campanha contra a Zyka, os moradores e coordenadores locais puderam arrecadar cerca de R$ 6.600.

A ideia é simples, porém engenhosa: a empresa estuda e planeja junto com agências de publicidade campanhas a serem veiculadas em mídia externa (painéis outdoor) exclusivamente em comunidades carentes. Em seguida, coordenadores das comunidades, em sua maioria diretores de instituições que já possuem vínculos com atividades sociais, realizam a ponte com os exibidores, moradores de locais estratégicos que receberão as placas em seus imóveis. Eles então são remunerados por ceder o espaço. Para fechar o ciclo, após o final das campanhas, as placas são enviadas para cooperativas de reciclagem.

Josefa Cordeiro dos Santos é uma das beneficiadas do projeto. Moradora da comunidade Virgem dos Pobres, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió, há quase 40 anos, já conseguiu lucrar com a iniciativa. “Chegaram alguns representantes da empresa e me fizeram a proposta de ceder um espaço do muro de um imóvel que tenho para colocarem uma placa sobre a Zyka, me animei quando falaram que o espaço seria remunerado”, disse a moradora aposentada.

Josefa contou ainda que o espaço é pago a cada novo anúncio feito, e ela acredita que as propagandas são em benefício próprio da população. Em seu muro o primeiro informativo era a respeito do programa social Bolsa Família, que tem muitos participantes na localidade. E o segundo foi sobre a Zyka, no período de surto da doença. 

“Eu recebi R$ 80 por cada anúncio. Aí eu assinava um recibo e pronto. As placas ficavam cerca de 30 dias no meu muro”, relatou Josefa. Um dos principais anunciantes é o governo federal, com campanhas voltadas para áreas da saúde e educação.

Em todo o país, já foram beneficiados mais de trinta mil moradores de comunidades, com injeção de mais de R$ 2 milhões na região Nordeste. A meta, segundo a empresa, é conseguir que as ações do projeto representem um acréscimo de 20% na renda anual dos moradores que integram a rede já em 2018. Cada morador que cede o muro para a publicidade recebe entre R$ 70 e R$ 140 por peça publicitária.

De acordo com a publicitária e idealizadora do projeto, Emília Rabello, existe um crescente consumo da classe C, e por isso é necessário um canal direto entre empresas e consumidores.  “O objetivo é gerar algum dinheiro por meio da publicidade, por isso a ideia é valorizar esses territórios em seus muros”. 

“O morador ao ser escolhido para exibir aquela placa, ganha um sinal de destaque na comunidade, valorizando seu local, criando um relacionamento direto com a marca”, explica a publicitária.

O coordenador do projeto em Alagoas, Frederico da Silva, concorda com a afirmação. “Sempre que vamos conversar com um morador, ele se sente valorizado em relação à comunidade, ele sente que a casa dele está bem localizada já que foi escolhida pela empresa com base nesses critérios, além de se sentir importante em fazer parte de uma campanha em prol da comunidade em que vive”, diz.

Frederico conta que as principais empresas que anunciam em comunidades alagoanas são as que vendem produtos populares, como tinta e eletrodomésticos. “São empresas que trabalham com um público bastante popular, geralmente classe C, D e E, com produtos que todo mundo usa”, diz o coordenador.

“Como nós, do Instituto Semear, já realizamos alguns trabalhos sociais, foi proposto pela empresa Outdor Social essa parceria. Alguns dos nossos colaboradores já possuem contatos ou conhecem as comunidades, sabem como funciona a vida nesses locais e pelo que aquela região se interessa”, conclui Frederico da Silva.

NEGÓCIO SOCIAL

O principal objetivo da maioria das empresas é gerar lucro. No entanto, para alguns negócios, só isso é pouco. É claro que ganhar dinheiro é importante, mas eles também estão preocupados em gerar impacto positivo na vida das pessoas que mais precisam. 

Esta área da economia denominada Negócios Sociais, compõem o setor 2,5 da economia, ficando entre o segundo setor (privado) e o terceiro setor (ONGs). São organizações que têm como atividade gerar impacto social e receita para autossustentação.

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