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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 955 / 2018

16/01/2018 - 11:28:43

Outro povo, outro costume

CLÁUDIO VIEIRA

31 de dezembro, 23h55, após jantar especial no hotel em que nos hospedávamos - eu, esposa, filho, nora e neta - fomos ao 13º andar do prédio assistir à tradicional queima de fogos e brindarmos ao Ano Novo que nascia. Exatamente nesse instante, os primeiros fogos espocaram no alto da Torre Entel, a 127 metros de altura, na Rua Hermanos Amunátegui. Incontinenti, milhares de vozes ecoaram através dos microfones e das rádios locais, entoando o Hino Nacional chileno. Estávamos em Santiago do Chile. O fato, contraditoriamente nostálgico e eufórico, emprenhou-se de outra forte emoção, aquela de ver como um povo patrioticamente saúda a chegada de novas esperanças para o seu país. 

Estávamos no país andino há cinco dias, e lá nos demoraríamos mais outros cinco. No período, visitamos cidades do litoral pacífico e subimos a mítica Cordilheira dos Andes, em busca de neve e, quem sabe, um ou outro condor. Neve vimos ao longe, mesmo assim para o deleite da minha neta. Condores, esses estariam mais ao sul, segundo Miguel, o nosso motorista. Mas, tive uma surpresa deveras agradável, a mais de 2.700 metros de altitude. Eu, que há quase quarenta anos almejo rever um canário-da-terra - aquele amarelinho, com as penas superiores levemente escuras -  completamente livre na natureza, desta feita encontrei vários em revoada, e melhor, bem próximos de nós, a cerca de meros dois metros, se muito. E trinando!

Outras coisas observei no país que revisitava: salário-mínimo equivalente a R$ 1.500,00; pouquíssima notícia desairosa à política; segurança quase total na cidade de Santiago, mesmo à noite, mesmo no dia 1º de janeiro quando quase nenhum movimento há nas ruas; estradas seguras, nas quais motorista e carro não sofrem com a irregularidade do asfalto; gasolina mais ou menos ao mesmo preço operado entre nós, todavia muito mais pura que a nossa -  93 octanas no tipo comum, mesmo nos postos da Petrobras que por lá operam, enquanto a nossa é octanagem de 87, uma demonstração de que o combustível chileno é economicamente mais barato.

Todo esse contexto fez-me naturalmente pensar no nosso Brasil. E comparar, o que é apelo da mente humana, traz em si a atividade crítica da mente. Não me condenem, portanto, por fazer comparações entre aquele país do sopé da Cordilheira dos Andes e o nosso, espraiado por pampas, matas, praias, cerrados, tão fértil como Caminha já proclamava há mais de quinhentos anos. E com inveja constato que o povo chileno, apertado entre as altas montanhas e o mar, parece fazer valer, mais que nós, os seus direitos, as suas exigências, o seu poder político. É natural que assim seja, pois sem um povo forte, sem a força do povo, os políticos pouco respeitam o voto.

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