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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 955 / 2018

16/01/2018 - 11:27:46

Histórias verdadeiras das Alagoas

ALARI ROMARIZ

Era presidente do Sindicato da Assembleia e o chefe do Poder Legislativo, em exercício, um deputado de São Miguel dos Campos. Num fim de tarde de sexta-feira, um contínuo procurou-me e disse: “O deputado Fulano de Tal quer falar com você”. 

Chegando ao gabinete, ia saindo um antigo companheiro meu. “Fique”, pedi: “Vamos ouvir juntos o que o presidente quer comigo”. Bem assustado, ele ficou, atendendo meu pedido. Trataríamos de assuntos sindicais.

A autoridade, cheia de prepotência, fez-me várias perguntas. No término do papo: “Você tem sorte de eu não ser o presidente do Legislativo. Nada disso aconteceria”, ameaçou.

Anos depois, velho, cansado, sem mandato, encontrou-me no Departamento de Pessoal. Cumprimentei-o e sentamos juntos. Aí ele falou normalmente: “Sabe como eu lhe chamava? Cobra dos olhos verdes!!! Hoje, estou doente, cortaram o meu salário e descobri que sua luta é necessária”. Pouco tempo depois, morreu.

Quando existia a Copamedh, nossa cooperativa médica, um jovem deputado, arrogante, dirigia os destinos da Casa de Tavares Bastos. Todo mês, para repassar ao nosso plano de saúde o valor retirado dos salários dos servidores, era uma novela. Numa das vezes, no plenário da Assembleia, levei o cheque para sua assinatura e ele gritou bem alto: “Estou dando dinheiro à Dona Alari”. Repliquei na mesma altura: “É o que foi descontado dos salários dos funcionários para nosso plano de saúde”. O moço não mudou.

Divaldo Suruagy estava para sair do governo do Estado. Euforia na Assembleia: iam ser votadas as contas do governador. Um deputado da situação estava o meu lado. Outro parlamentar de oposição, desconfiado, semblante amarelo, escorregava lateralmente pela parede do plenário em direção à porta de saída. O governista me avisava, rindo: “Ele (o oposicionista) recebeu o mesmo valor que nós, governistas, para sair e não votar contra”. E o moço disfarçadamente, alcançou a porta e sumiu. 

O atual 1º secretário da Assembleia Legislativa é um notável inventor de mecanismos que prejudicam servidores ativos e inativos. Faz o possível e o impossível para ficar com nosso dinheiro. Descobriu que a Justiça é lenta e se resolver os casos administrativamente, a quantia que manipula fica menor. Quando solicitado a resolver qualquer processo que implique em vantagem pecuniária para os servidores, grita a plenos pulmões: “Judicializem!” Assim, fica com o dinheiro público por vários meses.

Nunca consegui que um determinado 1º secretário da Assembleia entendesse que os descontos de nossos salários eram verbas consignadas que iriam para determinados pagamentos. Ele deixou de repassar valores do nosso plano de saúde, de nossos empréstimos na Caixa Econômica, do imposto de renda de cada servidor, até das nossas contribuições sindicais. Dizia o louco: “Este mês não posso pagar nada”. E não adiantava argumentar, explicar. A cabeça dele não assimilava a operação.

Esse mesmo “inteligente” deputado, passou dois anos para assinar a aposentadoria de uma colega portadora de câncer, pois ela acrescentaria mais 200 reais ao seu contracheque. Insisti e ele me respondeu: “A doença é dela!” No dia em que a cidadã morreu, ele assinou às pressas a tal aposentadoria. O que é dele está guardado...na Lava Jato, já no STF.

Lá pelos anos 70, era presidente do Legislativo um parlamentar do Agreste alagoano e chefe do Departamento de Pessoal uma companheira, divorciada, com três filhos e muito competente. O presidente a chamou e lhe deu algumas ordens ilegais. Ela pensou, repensou e timidamente respondeu: “Está tudo errado. O Sr. não deveria fazer nada disso”. Vaidoso, o deputado retrucou: “Você tem duas opções; ou faz o que mandei ou pede para sair da chefia”. Ela calmamente respondeu: “Eu saio”. Estava aperreada, com muitas despesas, o salário comprometido, confiando na gratificação que o cargo lhe proporcionava. Com a nomeação de um novo chefe de Pessoal, começaram os enxertos na folha de pagamento e o Legislativo descambou para a corrupção.

Deixo de citar nomes para evitar melindres.

Na próxima semana contarei novos “causos”.

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