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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 955 / 2018

12/01/2018 - 12:14:06

Empresa localizada em avenida ameaça a vida de milhares de pessoas

Defesa Civil quer tirar Brasilgás da Durval de Góes Monteiro

Vera Alves [email protected]
Imagem de satélite mostra população residencial (vermelho) no entorno da Brasilgás (azul)

Como uma bomba-relógio prestes a explodir, a Brasilgás - Nacional Gás Butano Distribuidora Ltda – ameaça hoje a vida de milhares de pessoas que moram em seu entorno ou trafegam na Avenida Durval de Góes Monteiro, no bairro do Tabuleiro, em Maceió. Trata-se do principal corredor de entrada e saída da capital alagoana, que nos últimos anos viu aumentar consideravelmente sua densidade populacional a partir do surgimento de novos conjuntos habitacionais. 

Parecer técnico da Defesa Civil Estadual, emitido no dia 12 de dezembro do ano passado, afirma que a presença da Brasilgás na região é um risco concreto e pede que a empresa que engarrafa e armazena toneladas de GLP-Gás Liquefeito de Petróleo, o popular gás de cozinha, seja transferida para uma área rural de Maceió.

Alvo de um procedimento administrativo instaurado em janeiro do ano passado pelo Ministério Público Estadual, através da 4ª Promotoria de Justiça da Capital, a Brasilgás agora está no centro de um inquérito civil que vai apurar o não cumprimento de correções que haviam sido propostas pela Defesa Civil há um ano.

Em despacho datado de 27 de janeiro de 2017, no qual avaliou o Plano de Contingência da Brasilgás, a Defesa Civil pediu que o estoque de GLP nos tanques de armazenagem fossem reduzidos para o mínimo autorizado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em dezembro, a DC constatou que a correção não foi cumprida.

Operando de segunda a sexta-feira em dois turnos, e aos sábados em um turno, a Brasilgás tem 34 funcionários. São oito tanques com capacidade de eestocagem de 410 toneladas do gás de cozinha. Diariamente, a distribuidora movimenta 125 toneladas de GLP e engarrafa, por dia, 10 mil botijões, com 13 kg de GLP cada.

O que preocupa Defesa Civil e Ministério Público Estadual é a possibilidade de um bleve, expressão utilizada pelo Corpo de Bombeiros para um tipo de explosão que pode ocorrer quando um recipiente contendo um líquido pressurizado se rompe durante um incêndio. Trata-se de uma nomenclatura internacional e abreviatura de boiling liquid expanding vapor explosion (explosão do vapor de expansão de um líquido sob pressão).

Os três cenários de riscos analisados pela Defesa Civil no caso de um bleve com um dos tanques são bem preocupantes. A radiação térmica no caso de incêndio e explosão atingiria quem estivesse a uma distância de até 191,29 metros e provocaria a morte de 1% da população ao seu redor. Por conta da sobrepressão, tudo que estivesse num raio de 444,61 metros seria atingido, levando a óbito 25% da população que estivesse a esta distância. Pela quantidade de residências e estabelecimentos comerciais no entorno da Brasilgás, o acidente levaria a, ao menos, 2.160 óbitos.

No parecer técnico do procedimento administrativo que levou à instauração do inquérito civil, a DC considerou insuficientes os ensaios matemáticos apresentados pela Brasilgás e que foram feitos por uma empresa de consultoria, a Herco Consultoria de Riscos. O Estudo de Risco anexado ao procedimento administrativo foi elaborado tomando como base populacional os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. 

Ocorre que, ao longo destes mais de sete anos, dezenas de novos estabelecimentos comerciais e principalmente de habitações surgiram no entorno da Brasilgás. No caso das habitações, a preocupação dos órgãos de segurança é com o fato de muitos serem conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha vida. São edificações verticais (apartamentos), o que dificultaria a rápida evacuação da região no caso de um sinistro.

No dia 20 de fevereiro, o MP realiza uma nova audiência com representantes da empresa, do Instituto do Meio Ambiente e Defesa Civil para discutir os próximos passos do inquérito civil.

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