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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 955 / 2018

13/01/2018 - 22:00:00

Celso Luiz mostra que ainda manda no Sertão

Ex-deputado está na bolsa de apostas da classe política

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Celso Luiz: influência política mesmo atrás da grades

Celso Luiz, o ainda todo-poderoso líder do Sertão de Alagoas, colecionou tantas derrotas em 2017 que parece ser um personagem morto na política local. Mas, isso é um engano.

Ele é alvo de caciques políticos que se ligam ao seu nome para recompor suas bases no interior, bases que estarão em pleno funcionamento fabricando votos em 2018.

Prova disso é que, mesmo longe fisicamente de Mata Grande, seu reduto eleitoral, continua a atuar na política local. Em breve, seu filho, Luiz Pedro, derrotado na disputa pela Prefeitura, volta a dar as cartas após a prisão do prefeito e do vice, os dois acusados por corrupção. A esposa, Cleide Beserra, é vice-presidente do Tribunal de Contas.

Condenado na Operação Taturana e preso desde maio do ano passado por liderar um esquema de corrupção na Prefeitura de Canapi, Celso Luiz segue na bolsa de apostas da classe política para dar peso nas urnas a quem se vincular ao seu nome, mesmo atrás das grades e longe do burburinho e das charangas eleitorais.

Apesar disso, o ano ímpar de 2017 foi de azares. Em junho foi denunciado, junto a outras cinco pessoas, pelo Ministério Público Federal, na operação Triângulo das Bermudas, que investigou desvios de R$ 15 milhões na Prefeitura de Canapi.

Todos são acusados de lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas federais e organização criminosa. Ao justificar o pedido para que Celso Luiz seguisse trancafiado no presídio Baldomero Cavalcanti, o procurador da República Carlos Eduardo Raddatz disse: “Não se pode conceber que permaneçam em liberdade criminosos, sobretudo aqueles econômica e politicamente poderosos, que estão em plena prática dos delitos, vale dizer, permanecem ocultando os valores desviados e os utilizando, em detrimento de todos os munícipes de Canapi”.

Para o MPF, o ex-prefeito Celso Luiz atuou como chefe da organização criminosa enquanto os demais denunciados foram operadores do esquema de desvio dos recursos públicos - incluindo precatórios recebidos pela Prefeitura do extinto Fundef, fundo federal de educação.

Em 2016, a Justiça bloqueou as contas do município porque foram constatadas transferências indevidas de R$ 8.316.763,51, em 2015, e mais RS 2.397.313,50, em 2016, para contas de terceiros. Mas, no ano de 2016, o vice-prefeito que assumiu a prefeitura com o afastamento de Celso Luiz desviou o restante das verbas do precatório, quase R$ 6.920.894,46.   

Tentativas

A defesa de Celso Luiz entrou com dezenas de pedidos para que ele fosse solto ou para afastar o juiz de Mata Grande, responsável pelo andamento dos processos contra o ainda todo -poderoso do Sertão. Todos estes pedidos foram negados até a semana passada.

E cada um destes pedidos descasca novas facetas do líder do sertão.

Em junho, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, José Vidal Silva Neto, justificou a permanência da prisão dele: “A soltura do paciente possibilitaria a reorganização da organização criminosa para o retorno à plena atividade delitiva, sendo fundamental a manutenção de sua prisão preventiva para garantia da ordem pública, da ordem econômica e da instrução criminal, revelando-se ainda inadequadas as medidas cautelares diversas da prisão”.

Em julho, mais uma negativa de liberdade, assinada pela 3ª Turma do TRF5: “Há ainda notícias de interferências na investigação criminal”. Porque “uma testemunha deixou de comparecer à sede da Polícia Federal, demonstrando grave quadro de afronta institucional e que a soltura dificulta o esclarecimento dos fatos”.

Outubro: a juíza federal Camila Monteiro Pullin Milan, ao negar a soltura de Celso Luiz, lista os crimes atribuídos a ele e dos integrantes da quadrilha ligada ao ex-deputado, resume: “Visando a necessidade de se evitar a prática de novos crimes, ou ainda, de se protrair no tempo a ocultação dos valores desviados dos cofres públicos, resta justificada a manutenção da prisão preventiva dos réus com vistas a garantir a ordem pública e econômica”.

Em novembro, novo golpe. Condenado, em primeira instância, em mais uma ação da Taturana. Desta vez, quando era presidente da Assembleia entre 2003-2006, assinou convênio com o Banco Rural S/A, desviando R$ 15,9 milhões emitindo cheques em nomes de fantasmas para garantir empréstimos junto ao banco. Empréstimos pagos pela Assembleia.

Mesmo assim, os ventos da política sopram para o seu lado. Em 24 de dezembro do ano passado, o prefeito de Mata Grande Erivaldo Mandú (PP) e mais dois vereadores foram presos. São acusados pelo Ministério Público de negociarem votos do Executivo na Câmara, o popular mensalinho. Mandú ganhou nas urnas enfrentando o filho de Celso Luiz, Luiz Pedro. Celso tem largas portas abertas para voltar a mandar em Mata Grande.

Os tantos recursos que entrou na Justiça devem abrir, em algum momento de 2018, as portas da cadeia para o ex-deputado. De volta ao Sertão, poderá exercer seu poder, ao estilo. Porém, se continuar preso, mostra que continua a dar as cartas. Basta que as urnas eletrônicas sejam ligadas.

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