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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 954 / 2018

04/01/2018 - 17:38:42

Família Boiadeiro vai abandonar Alagoas

Filha de vereador assassinado quer enviar inquérito a Brasília

José Fernando Martins [email protected]
Policiais civis arrombaram portão de residência da família; Bahia Boiadeiro cobra agilidade da Justiça

A família do vereador Adelmo Rodrigues de Melo (PSD), o Neguinho Boiadeiro, executado em novembro do ano passado, na cidade de Batalha, ainda tem esperança de que o caso seja investigado pela Polícia Federal. Segundo a filha do político, Maria da Conceição Cavalcanti de Melo, conhecida como Bahia Boiadeiro, para que isso ocorra, é necessário que, primeiramente, a Polícia Civil de Alagoas finalize o inquérito. “Fomos orientados a enviar a investigação a Brasília para ser avaliada pelo Ministério da Justiça, que pode autorizar a PF a se envolver no caso”, explicou à reportagem do EXTRA. 

Em dezembro, 35 dias depois do assassinato de Boiadeiro, foi a vez do vereador Tony Carlos Silva de Medeiros (PR), o Tony Pretinho, ser morto a tiros. Investigações dão conta que as mortes podem estar interligadas, mas a motivação ainda é um mistério. Boiadeiro era oposição à gestão da prefeita do município Marina Dantas (MDB). Pretinho tinha uma proximidade maior com a família Dantas. Apesar da contrariedade política, os dois, conforme Bahia, eram amigos. Tanto é que Tony Pretinho era compadre de um dos filhos de Neguinho Boiadeiro.

De lá para cá, familiares esperam a solução do crime. “Até hoje estamos aguardando uma reposta por parte da autoridade policial e da Justiça. É um absurdo esse tempo todo para esclarecer um crime, sendo que desde o início falam que já têm suspeitos. As informações que nós temos é pela imprensa, mas não vimos nenhuma atitude, porque ninguém foi preso e nem está sendo procurado”. Apesar das críticas, a filha de Boiadeiro diz acreditar na Polícia Civil alagoana, mas nem tanto no governo estadual.

“A omissão do estado é vergonhosa porque nós sabemos que quando o Estado quer e tem um interesse maior, tudo é resolvido num instante. Existe uma força política muito grande por trás do assassinato do meu pai. Os envolvidos são pessoas aliadas e amigos pessoais do governo”. Bahia nunca escondeu sua principal suspeita: Boiadeiro foi executado a mando dos Dantas, clã rival de sua família. 

Na última edição do EXTRA, o marido da prefeita Marina Dantas e filho do deputado estadual Luiz Dantas (MDB), Paulo Dantas, negou qualquer tipo de rivalidade entre famílias. Disse ainda que nunca houve um pacto de paz já que não haveria guerra. A filha de Boiadeiro discordou com as afirmações. “São os únicos inimigos que a minha família tem. Isso já é declarado e do conhecimentos de todos. Foi justamente na época em que meu pai estava investigando desvio de verbas da prefeitura que o assassinaram”.

E continuou: “que os Dantas paguem na Justiça  pela crueldade que fizeram com meu pai, que a única coisa que fazia era pedir paz. Ele nunca teve as mãos manchadas de sangue. E houve um acordo de paz, que foi feito com o senador Renan Calheiros após a morte de Emanoel Boiadeiro”.  Emanuel Messias de Melo Araújo foi morto em confronto policial em outubro de 2016, na cidade de Belo Monte. À época, familiares chegaram a denunciar que, na verdade, Emanuel teria sido executado. 

No dia em que Neguinho Boiadeiro foi assassinado, seu filho José Márcio Cavalcante, conhecido como Baixinho Boiadeiro, atirou, como vingança, contra o agropecuarista José Emílio Dantas, filho do ex-prefeito de Batalha, Zé Miguel, morto a tiros em 1999. José Emílio se recuperou do disparo, mas Boiadeiro continua desaparecido. Mas, conforme Bahia, o irmão pensa em se apresentar às autoridades. 

  “Ele jamais pensou em se esconder da Justiça e pretende se apresentar para ter um julgamento justo. Só que está correndo risco de vida e teme ser assassinado também. Está aguardando uma maneira de se apresentar com segurança”.

O futuro da família Boiadeiro ainda é incerto. “Estamos com bastante medo do que possa vir a acontecer. Desde o dia que mataram meu pai que estamos dormindo no mundo. Minha mãe está a cada dia mais abalada. A nossa casa, em Batalha, continua fechada. Estamos vendendo as fazendas pra irmos embora do estado. Aqui não dá mais para viver”, finalizou. 

As mortes

Neguinho Boiadeiro foi assassinado no último dia 9 de novembro, em frente à Câmara Municipal de Batalha, com tiros de pistola. Na ação, seu segurança, o policial civil Joaquim Piraurá, 54, acabou ferido. Já Tony Carlos Silva de Medeiros foi morto a tiros no dia 15 de dezembro, na porta de sua residência. Vários disparos atingiram a cabeça do vereador.

SUSTO NA 

MADRUGADA

Policiais civis invadiram a casa da sogra de Boiadeiro na madrugada desta quinta-feira, 4, em Arapiraca. Bahia Boiadeiro contou que a ação aconteceu por volta das 4h30. “Ouvi um estrondo no portão e pelas câmeras vi que se tratava de policiais. Vários entraram dentro de casa armados. Estava eu, minha avó, uma tia, um tio e duas crianças”.

Bahia disse ainda que não foi informado o motivo da operação, mas desconfia que a Polícia estava à procura de seu irmão Baixinho Boiadeiro já que recolheram um telefone celular um HD de uma câmera digital. 

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), até o fechamento da edição, informou desconhecer a operação policial.

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