Acompanhe nas redes sociais:

16 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 954 / 2018

05/01/2018 - 07:31:24

Prefeito do Sertão ganha mais que o governador

Isnaldo Bulhões Barros acumula subsídio de R$ 27 mil com R$ 30 mil como aposentado do TCE

Vera Alves [email protected]
Isnaldo Bulhões é prefeito e conselheiro aposentado - Foto: Divulgação

Está no Sertão, a região mais empobrecida do estado, o mais alto vencimento pago a um prefeito em Alagoas. São R$ 27.446,07 percebidos mensalmente por Isnaldo Bulhões Barros, o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado que em janeiro de 2017 assumiu pela terceira vez o comando da Prefeitura de Santana do Ipanema. É mais do que recebe mensalmente o governador Renan Filho, cujo subsídio desde dezembro último é de R$ 23.439,02.

O município localizado a 211km de Maceió é um tradicional reduto da família Bulhões. São mais de 60 anos de poderio político na cidade que possui um dos mais baixos IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País. Ocupa a 4372ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros, com IDH de 0,591, considerado baixo. No ranking estadual, é o 21º colocado e tem 29,25% de sua população situada na faixa de extrema pobreza e 47,02% na faixa da pobreza, conforme os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano desenvolvido pelo Pnud-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Isnaldo Bulhões presidiu por duas gestões o Tribunal de Contas do Estado, de onde se aposentou em 2012 e de onde recebe mensalmente R$ 30.471,11 como conselheiro aposentado mais R$ 2.217,40 como auxílio-saúde. A acumulação dos vencimentos – um total de R$ 57.917,18, que se elevam para R$ 60.134,58 com a ajuda para saúde – não fere, contudo, o teto constitucional pelo entendimento adotado em abril do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Pela Constituição Federal, o teto equivale ao vencimento de ministro do STF – R$ 33,7 mil no ano passado -, sendo que no julgamento de abril prevaleceu a tese de que o teto vale para cada cargo isoladamente, não para a soma de duas funções. E, no caso do prefeito de Santana do Ipanema, não há ilicitude na acumulação de proventos de aposentadoria como conselheiro do TC com os do cargo eletivo.

Maioria dos 

santanenses 

recebe Bolsa Família

Ainda que não haja inconstitucionalidade no fato de o prefeito de Santana do Ipanema acumular vencimentos de mais de R$ 60 mil, não deixa de ser imoral que um município onde 8.072 famílias – mais de 40 mil pessoas do total de 48.232 habitantes (Censo 2017) - recebem o Bolsa Família, o prefeito receba mensalmente dos cofres públicos R$ 27.446,07.

O Bolsa Família, destaque-se, é um programa do governo federal de transferência de renda para a população em estado de pobreza e extrema pobreza. No ano passado, foram repassados para Alagoas, aos 102 municípios, R$ 804,7 milhões sendo que o total de repasses para Santana do Ipanema alcançou a cifra dos R$ 19,8 milhões.

O valor pago a Isnaldo Bulhões supera até mesmo os subsídios dos prefeitos das duas maiores capitais brasileiras. Em São Paulo, o tucano João Doria percebe mensalmente R$ 24.165,87 enquanto a Prefeitura do Rio de Janeiro paga R$ 18.983,96 a Marcelo Crivella.

Santana é 12º em número de habitantes em Alagoas 

O prefeito mais bem pago de Alagoas comanda o 12º município alagoano em número de habitantes de acordo com o Censo 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em Maceió, com seus 1.029.129 habitantes, o subsídio pago mensalmente ao prefeito Rui Palmeira é de R$ 20 mil.

Na segunda maior cidade alagoana, Arapiraca, que tem 234.185 habitantes, o prefeito Rogério Teófilo recebe R$ 15 mil. 

O mesmo valor recebido pelo prefeito da capital é pago ao prefeito Gilberto Gonçalves, que comanda o terceiro município mais populoso do estado, Rio Largo, com 76.018 habitantes. É também de R$ 20 mil o subsídio do prefeito de Penedo, Marcius Beltrão. O município da região do São Francisco tem 64.497 habitantes e é o sexto no ranking estadual.

Palmeira dos Índios, com 74.208 habitantes, paga R$ 15 mil mensais ao prefeito Júlio Cezar, enquanto o prefeito Areski Damara de Omena (Kil), de União dos Palmares – 66.477 habitantes – recebia até setembro R$ 15 mil e agora recebe R$ 12 mil. A redução de 20% no vencimento dele e do vice foi para fazer frente à crise econômica, de acordo com a assessoria da Prefeitura de União.

Oitavo em número de habitantes (60.506), Coruripe paga o segundo maior subsídio de prefeito em Alagoas. Joaquim Beltrão recebe mensalmente R$ 23.800 dos cofres públicos.

A prefeita Pauline Pereira, de Campo Alegre, desembolsa R$ 18.300 dos cofres da nona cidade mais populosa (57.548 habitantes). Delmiro Gouveia, a décima em população (52.597 habitantes) paga RS 15 mil ao prefeito Eraldo Joaquim Cordeiro, o Padre Eraldo. 

Em Marechal Deodoro (55.689 habitantes) o prefeito Cláudio Roberto Ayres da Costa, o Cacau, recebe mensalmente R$ 18.500 dos cofres públicos.

O EXTRA não conseguiu o valor do subsídio pago ao prefeito Pedro Ricardo Alves Jatobá, o Pedoca Jatobá, que comanda São Miguel dos Campos, o sétimo município alagoano em número de habitantes (64.497).

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia