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15 de Dezembro de 2018

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Edição nº 1000 / 2018

01/12/2018 - 07:50:00

Em 20 anos, jornal sofreu retaliações e ameaças

EXTRA continua sendo canal alternativo que contraria interesses escusos da elite alagoana

Sofia Sepreny [email protected]

Já se vão 20 anos de jornal EXTRA de Alagoas e para comemorar essas duas décadas, de muito empenho e investigação, não poderiam deixar de ser relembradas as matérias mais polêmicas que geraram ameaças, retaliações e processos para a empresa e seus jornalistas.

Desde sua primeira edição, muitos casos viraram motivo de incômodo e até ameaças por parte dos denunciados. Um destes “causos” mais marcantes foi a invasão patrocinada pelo falecido ex-deputado estadual Cicero Ferro, que entrou na redação com uma espingarda e alguns capangas para saber quem havia escrito determinada matéria sobre ele. 

O ex-deputado queria que a matéria, falando sobre sua ficha suja, fosse reescrita e publicada afirmando que as denúncias eram mentira. O editor do jornal, Fernando Araújo, conta que ele chegou armado e com os capangas. “Ele chegou aqui com uma pistola e com uma bimba de boi, tipo um chicote, na cintura e disse que era para ser escrito um outro artigo dizendo que tudo aquilo era mentira, e que era para ser feito, caso contrário ele voltaria na redação para utilizar os instrumentos de trabalho dele”, contou Fernando.

Na edição seguinte o semanário ao invés de acatar a ameaça do deputado fez outra denúncia ainda mais grave sobre o parlamentar, para que a mensagem ficasse clara e ele entendesse que o jornal não iria se calar.

Não só uma, mas outras diversas retaliações foram sofridas pelo semanário e sua equipe durante estes 20 anos de atividade. O jornalista Odilon Rios por exemplo, relembra que chegou a responder 12 processos judiciais. 

“Um deles me pediu R$ 100 mil de indenização há 18 anos. É uma forma de paralisar as ações, evitar que se fale, coagir pelo terror. Há ações penais que respondo por citar partes de processos envolvendo certas personalidades do mundo político”, relatou o jornalista. 

Ele conta que as reportagens pelas quais mais sofreu retaliações foram as que envolvem pessoas da classe política. “Elas estão blindadas pela imunidade parlamentar e acreditam que também são intocáveis a quem escreve o que não lhes agrada. Por isso elas ameaçam mais”.

JORNAIS 

APREENDIDOS

Não só de ameaça viveu o jornal em todos estes anos de denúncias. Em 2010 a edição n˚ 35 do Jornal EXTRA foi  retirada de circulação a mando do juiz eleitoral Pedro Ivens Simões. A edição veiculava duas notas na Coluna Sururu sobre o então candidato ao governo de Alagoas, Ronaldo Lessa. Todos os exemplares das 20 cidades em que o EXTRA era vendido foram recolhidos das bancas.

Neste ano de 2018, a deputada estadual Thaise Guedes pediu para que seus funcionários comprassem todas os exemplares das bancas de Maceió, após ser denunciada pelo EXTRA por manter funcionários fantasmas em seu gabinete.

Mantendo a tradição de não se intimidar e defender à democracia, a reportagem sobre a denúncia contra a deputada foi publicada na versão online do jornal. 

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