Acompanhe nas redes sociais:

15 de Dezembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 1000 / 2018

30/11/2018 - 06:00:00

Arrocho da Era Bolsonaro impõe novo ritmo ao 2º mandato de Renan Filho

Governador mantém segredo sobre quem fica e sai, mas técnicos garantem: isto é o menos relevante

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Renan Filho terá como desafio a demanda por reajuste salarial no serviço público

Otimizar dinheiro para os tempos de arrocho de Jair Bolsonaro; Estado mais eficiente e não maior (ou: nada de mais cargos ou secretarias, a não ser que se mexa na estrutura de outras); soluções graduais e não mais fáceis na máquina pública; reduzir a pobreza; aumentar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), com alunos da rede pública sendo capazes de interpretar textos e dominar contas simples na matemática.

Estes serão alguns dos objetivos mais imediatos do segundo mandato do Governo Renan Filho, que também programa a formação de uma poupança milionária, resultado do modelo do secretário da Fazenda, George Santoro, que desde o primeiro mandato cortou gastos e desengordurou contratos, como na água e gestão dos futuros hospitais.

Se, de um lado, o Governo quer mostrar uma gestão chamada de responsável na máquina pública- tocada como um orçamento doméstico- do outro haverá o desafio de responder às demandas do funcionalismo público estadual, que buscará atualização salarial. Além do efeito-cascata do reajuste do Supremo Tribunal Federal (STF), irradiando, a princípio, entre juízes e desembargadores alagoanos e a quem os contracheques deles estejam vinculados.

Outro desafio é superar o combate à violência, para além de apenas sugar bilhões de reais em policiamento na máquina pública local para, no final, os resultados serem muito ruins.

A tática da matança em conhecidos grupos mais violentos ou mais vulneráveis à violência tem alto custo político e financeiro em Alagoas e virou debate interno no Governo.

Isso principalmente motivado pela execução de 11 acusados em assaltos a banco pela polícia alagoana em Santana do Ipanema, no dia 8: o gesto nem arrancou os elogios esperados de Jair Bolsonaro aos policiais; nem apoio do governador Renan Filho; e constrangeu o secretário de Segurança Pública, Lima Júnior, a apenas abraçar os policiais longe dos holofotes.

Ao mesmo tempo, remunerar servidores públicos que recolham mais armas é considerada experiência de sucesso, no entendimento dos técnicos da burocracia estatal; operações policiais em busca de agressores de mulheres e homicidas é outro ponto visto como positivo na atual Secretaria de Segurança Publica; mais planejamento, governança, avaliação dos resultados e monitoramento da criminalidade são metas a serem alcançadas.

O futuro de programas sociais sobrevivendo via Governo estadual também é discutido. Técnicos do Banco Mundial acompanham há 6 meses as finanças alagoanas e de outros estados. O banco deve ceder técnicos para montar programas considerados eficientes na saúde e educação em Alagoas. Isso para se “gastar melhor”, diz um secretário. Ao menos por enquanto, estes programas estão sendo “desconstruídos”, ou seja, sob avaliação dos critérios técnicos do Planejamento e Fazenda.

Após esta fase, o futuro deles será decidido.

Existem modelos considerados de bons resultados e que Alagoas deve copiar. Um deles é do Ceará, elogiado pelo Banco Mundial. “estados e municípios precisam aprender com exemplos de sucesso (como o do Ceará) e criar os incentivos certos para melhorar o desempenho dos professores e gestores escolares”, explica relatório do Banco publicado no final de agosto. O foco vai mesmo para a Educação estadual, ainda sob influência do vice-governador Luciano Barbosa, que pode voltar ao posto de secretário da pasta.

Entra e sai

Renan Filho prepara mudanças no secretariado. Não diz a ninguém quem fica e quem sai. Mas dois secretários ouvidos pelo EXTRA explicam ser este o ponto menos relevante. O grosso do segundo mandato será foco e eficiência.

Não é tão óbvio assim. Segundos mandatos de governadores alagoanos coincidem com tesouradas até em materiais de consumo: menos gasto de papel, de água, luz, combustível, além de uma ampla reforma para acomodar os aliados, produtos dos acordos eleitorais.

As acomodações vão existir. Mas cortar é palavra fora dos discursos.

Sobre as acomodações: o PV, que elegeu Sílvio Camelo para a Assembleia Legislativa, deve conseguir mais cargos; o PSL, do novo deputado Cabo Bebeto, também deve estar no troca-troca por apoio na Casa de Tavares Bastos; o PT elegeu Paulão para a Câmara Federal, mas deve se restringir à inexpressiva Secretaria da Mulher e Direitos Humanos; o PR, do derrotado candidato ao Senado Maurício Quintella- sem mandato a partir do ano que vem- também ganhará um brinde. Hoje, Quintella é dono da Infraestrutura estadual; Ronaldo Lessa é dúvida: pode ocupar a titularidade na Câmara Federal em possível afastamento de Marx Beltrão, que deve virar secretário. Ou o próprio Lessa indicar alguém do PDT para secretaria.

Também deve existir a “cota Beltrão”, para os mais ligados ao deputado estadual, em vias de vestir o pijama.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia