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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 953 / 2017

22/12/2017 - 07:19:13

Mais políticos estão na mira de pistoleiros em Batalha

Vereador Sandro Pinto seria o próximo a morrer; família Dantas também está em perigo

DA REDAÇÃO
Forças policiais fazem revistas constantes em carros suspeitos que cruzam a cidade

Talvez a paz não retorne tão cedo a Batalha, município do Sertão alagoano localizado a 211 Km de Maceió. Uma lista de novos políticos marcados para morrer já teria chegado às mãos das autoridades policiais. Boatos que circulam na cidade dão conta que o vereador Sandro Pinto (PMN) seria o próximo a ser executado. E não para por aí. 

Nomes da família Dantas, como o da prefeita Marina Dantas (PMDB), também estariam na mira. Falatório ou não, o marido de Marina, o ex-prefeito de Batalha e filho do deputado estadual Luiz Dantas (PMDB), Paulo Dantas, contou à reportatem do EXTRA que a família, após os últimos acontecimentos, vive momentos de medo e tensão e confirmou a existência da suposta lista.

Embora possa ser falsa, João Marcelo de Almeida, um dos delegados que fazem parte da comissão investigativa para elucidar a morte do vereador Tony Carlos Silva de Medeiros, 34, o Tony Pretinho (PR), informou que, até o momento, nada pode ser desconsiderado. 

“Se algum deles [citados na lista] estiver sentindo algum temor abriremos um procedimento. Mas, ninguém ainda se comunicou com nossa comissão”. Rumores na cidade ainda dizem que o filho do deputado estadual também seria um dos alvos.

E não faltam hipóteses para as mortes de Tony Pretinho, que aconteceu na última sexta-feira, 15, e do também vereador Adelmo Rodrigues de Melo (PSD), o Neguinho Boiadeiro, executado no dia 9 de novembro.

Pretinho exerceu a função de agente penitenciário, no entanto, a família não acredita em uma “vingança de presos”. Além disso, o vereador tinha conexões próximas com os Boiadeiro chegando a ser padrinho de uma das netas de Neguinho. Por outro lado, tinha alianças políticas com a família Dantas. E não era algo recente. Segundo Paulo Dantas, o apoio político já vinha de tempos. 

Para os Boiadeiro, a família da prefeita teria participação em ambos os crimes. Sobre as acusações, Dantas se defende dizendo que a única ação de sua família, em meio a toda essa violência, foi de enterrar os parentes executados. Da parte dos Dantas foram mortos o ex-prefeito da cidade, José Miguel, e a esposa dele, Matilda Toscano, em 1999. Sete anos depois foi a vez de Samuel Theomar Bezerra Cavalcante Júnior, cunhado de Paulo Dantas, à época prefeito, e irmão da prefeita Marina Dantas. 

No crime também morreu o segurança Edvaldo Joaquim de Matos. José Laelson Rodrigues de Melo, o Laércio Boiadeiro, irmão de Neguinho, foi condenado em 2012 a 35 anos de prisão pelo duplo assassinato. No entanto saiu do julgamento em liberdade com tornozeleira eletrônica. Da família  Boiadeiro foram mortos Emanuel Messias de Melo Araújo, em confronto policial em outubro do ano passado, e o vereador Neguinho. 

“Não houve um pacto de trégua porque isso dá a entender que as famílias eram rivais. Também não tinha rivalidade política já que nunca competimos em nenhuma eleição diretamente. Nossa família não é violenta e sempre procura por Justiça com base nas leis. Não havia projeto de lei polêmico na Câmara como motivo de qualquer execução e nem investigações contra a prefeitura. Inclusive, Boaideiro chegou a votar favorável a projetos enviados pelo Executivo”, conclui Paulo Dantas. 

Forte aparato policial não reduz medo da população

À frente da Câmara Municipal, uma bandeira preta representando luto. No muro da casa de Neguinho Boiadeiro, uma faixa pedindo justiça. Nas ruas, uma população silenciosa cheia de cautela e olhos atentos. “Isso porque a gente não sabe por onde o tiro pode vir”, comentou um comerciante.

 Para tentar coibir novos assassinatos, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) enviou reforço de policiamento à cidade. De acordo com a pasta, 60 policiais fazem a segurança: 56 ficam em terra e outros 4 prestam serviço no helicóptero.

Inclusive, a reportagem chegou a ser revistada por homens do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes). O motivo, segundo um dos militares, foi em razão do carro ser de fora e com vidro fumê. 

A rotina dos trabalhos na prefeitura foi uma das mais afetadas. A prefeita, agora, vai a cidade em doses homeopáticas. Sempre de surpresa, sem anúncios e com seguranças. Parte da administração é realizada pelo vice Hildebrando Balbino (PMDB). A festa de emancipação do município, que seria nesta sexta-feira, 22, foi cancelada. 

Além disso, inaugurações foram prejudicadas sem contar a economia da cidade, que em apenas um mês se encontra desestruturada. 

“Muitos evitam sair de casa e o tráfego de veículos em Batalha também diminuiu por causa do aparato policial. Conheço empresário que fechou as portas de seu negócio por causa dos prejuízos”, relatou Paulo Dantas.

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