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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 952 / 2017

20/12/2017 - 08:51:01

Delenda política

CLÁUDIO VIEIRA

A expressão foi recentemente usada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, em crítica à judicialização da política ou, mais claramente, à atividade da própria Justiça, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal no combate conjunto à corrupção na política. A frase do ministro é, em verdade, uma releitura da original DELENDA CARTAGO, atribuída ao senador romano Catão, o Velho, há mais de duzentos anos antes de Cristo. Naquele antanho, Roma empreendia as guerras que a História registrou como Púnicas, ou seja, em punição à coeva cidade de Cartago. Instava, o senador, os romanos a eliminarem de vez a ameaça cartaginesa, destruindo a mítica cidade do general Aníbal, uma vingança à ousadia do cartaginês que anteriormente invadira a poderosa Roma, ocupando a península itálica durante vários anos.

É um exagero retórico afirmar-se que a pretensão dos órgãos envolvidos na Lava Jato seja a destruição da política brasileira. Aliás, se pretendermos o contraditório a respeito, é de se dizer ser a política partidária que vem promovendo a largos passos o desmonte dessa construção cujos alicerces foram fincados na Grécia clássica por Sólon. Cogitar-se que a assepsia atualmente promovida - ao menos tentada – vise desmontar o sólido edifício, seria desconhecer-se a natureza política do homem e a necessidade à democracia da existência da atividade partidária. Infelizmente, mais das vezes a obstinação de uns em busca do ideal ético, ou do restabelecimento de uma moral comum, desperta na natureza humana algum despeito crítico que, por sinal, deve ser bem-vindo à interação plural do tecido social. O fato relevante, por outro lado, é que qualquer atividade do homem é naturalmente judicializada, e com a política não pode ser diferente. No ponto específico, é claro que há – e sempre haverá – exageros, seja no esforço de limpeza ética, ou na vigilância da mídia, ou ainda nos anseios revelados pela sociedade. Todavia, tais excedimentos não desdouram o labor de todos, ou a esperança, hoje nacional, de que a representação política no Brasil seja logo exercida por mulheres e homens dignos e, via de consequência, por partidos cuja seriedade vá muito além da mera retórica.

A verdadeira preocupação, no entanto, deve ter foco não em eventuais excessos dos síndicos da atividade política, mas no resultado do descalabro produzido pelos nossos representantes, verdadeiro desmonte desse edifício cuja construção, como já dito aqui, iniciou-se com Sólon, Grécia dos grandes pensadores. A volta do lulismo, ou a ascensão de bolsonaros, e de iguais, serão a verdadeira “delenda política”.

Jamais cansarei de dizer: o nosso voto poderá ser a sublimação da assepsia na política, ou não. Depende exclusivamente de nós, os eleitores.

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