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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 952 / 2017

20/12/2017 - 08:50:09

Sublimes contradições

ALARI ROMARIZ

As festas de Natal mexem com o emocional das pessoas. Os filmes da época exploram bastante os milagres de Papai Noel.

Fico pensando nas crianças pobres que vivem na periferia de cidades grandes, no que esperam do bom velhinho.

Nas favelas do Rio de Janeiro, meninos de nove anos já viram “aviões” dos traficantes. Perdem a infância envolvidos no mundo do crime. Não têm tempo de pensar em presente de Papai Noel.

Passando pelas ruas mais pobres de Maceió, vemos meninos e meninas descalços, pisando em lama, crescendo na sujeira.

Os Correios realizam uma interessante promoção: recebem cartas das crianças com um pedido. É surpreendente o que elas pedem: emprego para os pais, saúde para o irmão, brinquedos. Mostram nas cartas os seus sonhos.

Nas regiões mais ricas da cidade, os meninos ao serem entrevistados, pedem computadores, celulares, objetos caros.

Recentemente, em Recife, um bêbado, dirigindo um carro, acabou com uma família: mãe, filho e babá morreram na hora. Pai e filho estão hospitalizados. O criminoso passará o Natal na cadeia.

Uma grande amiga perdeu um filho de 52 anos no começo de dezembro. Fez um texto muito bonito e passará as festas de fim de ano chorando.

Nós, no meu núcleo familiar, festejamos a formatura de uma neta e a chegada da primeira bisneta. Nosso Natal, espero, será de alegrias.

Os políticos que estão na cadeia por terem cometido crimes graves farão a ceia natalina em suas celas. Pensarão, os loucos, nos áureos momentos que viveram, enquanto roubavam o povo brasileiro. Se recuperarem o juízo, farão um levantamento de suas vidas e refletirão na burrice que fizeram desviando o dinheiro público.

Alguns, ainda soltos, vivem amedrontados com a possível visita da Polícia Federal a seus lares. Não sei se a PF trabalha dia de Natal, mas, seria bom vestir-se de Papai Noel e prender mais alguns.

Por mais que queiramos sonhar, nossos políticos não deixaram de desviar dinheiro público. O Congresso seria fechado se todos fossem punidos. O espírito de Natal não chegou às cabeças de centenas de parlamentares espalhados pelo Brasil.

Deveríamos fazer uma boa visita aos hospitais, principalmente, os infantis. Veríamos crianças muito doentes, esperando que o bom velhinho lhes trouxesse a saúde de volta.

Pior ainda são aqueles doentes que não conseguem tratamento nos hospitais públicos. Enquanto isso, o presidente da República distribui milhões de reais com os congressistas para livrá-lo da cadeia. 

Num bom domingo, ao invés de ir à praia, sugiro a meus leitores que visitem as favelas da beira da Lagoa Mundaú. Já fiz isso uma vez e meu coração bateu mais forte: crianças na lama, os fios soltos pelas ruas, os pais fora de casa, o mau cheiro exalando fortemente, os corpos cheios de feridas. Não creio que tais crianças esperem algo de Papai Noel.

Os abrigos de velhos estão cheios de idosos abandonados pelas famílias. São cuidados por pessoas caridosas que a eles se dedicam. Espero que Papai Noel se lembre de levar alguns brindes para os velhinhos esquecidos nas casas de repouso.

Situações contrastantes se espalham pelo Brasil todo, sofrido e castigado pela saga de políticos inescrupulosos.

Nas nossas alegrias do período natalino, voltemos os olhos para os irmãos necessitados que, por certo, farão do dia de Natal uma data comum, sem algo para amenizar seus sofrimentos.

Vamos caminhando pelas estradas da vida, administrando sensações opostas.

Deus existe. Não duvidem.

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