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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 952 / 2017

14/12/2017 - 18:46:48

Assassinatos e tráfico de drogas assustam moradores de Pilar

Histórico da cidade envolve crimes praticados por policiais e crianças

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Número de homicídios volta a crescer em Pilar, que teve a segurança reforçada

A cidade de Pilar, Região Metropolitana de Maceió, não possui dias de paz em sua história. Apenas em novembro último foram quatro pessoas mortas em uma semana, entre elas uma adolescente de 13 anos. Em 2016 o município só teve menos homicídios que a cidade de Maceió.

A diferença parece pouca, porém, é preciso levar em consideração a densidade populacional. Enquanto Pilar possui apenas 33 mil habitantes, Maceió tem mais de um milhão de moradores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas divulgados em 2015. Cerca de 36 processos com relação direta a homicídios em Pilar tramitam no Ministério Público Estadual.

A cidade, que fica a 36 km da capital, já foi considerada em 2011 a mais violenta do país pelo Ministério da Justiça, mas tinha melhorado. Para agravar a situação da região, a delegacia da cidade funciona apenas em horário comercial e fecha aos fins de semana. Já o número de policiais militares também é reduzido, necessitando constantemente de reforços enviados da capital.

Na última semana, militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram acionados e vão reforçar a segurança do Festival do Bagre e garantir que as festividades de fim de ano ocorram sem incidentes. Os militares devem permanecer na cidade por tempo indeterminado.

Vários caminhos levam aos números alarmantes, desde o tráfico de drogas, até a presença de grupos de extermínio na cidade, comandados por policiais militares e civis. Em 2015, durante operação realizada pela Polícia Federal, quatro policiais, sendo dois militares e dois civis, foram presos acusados de promover milícia. Entre os acusados há um capitão da PM.

A situação de violência e descontrole da segurança pública na região pode ser atribuída a própria formação histórica do município além de ser atenuada pela presença de policiais que residem na região. Ao longo dos anos, a população adquiriu o hábito de resolver seus problemas de modo privado, esquecendo do poder público.

PCC X Comando 

Vermelho

Embora o efetivo de policiais seja baixo, a maioria dos moradores possui um agente como parente ou amigo. “Sempre que alguém se envolve em alguma confusão, chama o parente que é policial aqui na cidade [...] isso acaba refletindo no histórico de violência que o município já possui”, explica o delegado José Carlos dos Santos, que está no comando da delegacia municipal há 2 anos.

Para José Carlos, também existe dificuldade da própria Policia Civil em investigar casos na cidade. Por ser um local pequeno, ele prefere não envolver agentes que residem no local nas investigações, por medo de sofrerem represálias do Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). As duas facções atuam no tráfico de drogas da região e segundo ele, são as responsáveis pelo último surto de homicídios que aconteceu em novembro, resultando em quatro homicídios em apenas uma semana. 

“Sabemos que Pilar possui um histórico enorme de policiais envolvidos em diversos crimes, a Polícia Federal não nos deixa mentir, porém nos últimos anos o que tem nos causado problemas é o forte poder que o tráfico de drogas possui na região”, completa.

O delegado explica também que as facções são tão bem organizadas que possuem vendedores de drogas e grupos de pistoleiros que são contratados apenas para matar quem os deve. “Dos 36 inquéritos que enviamos ao Ministério Público, 26 tem relação direta com o tráfico”, explica José Carlos.

O promotor de Justiça da região, Jorge Tavares Dória, confirma a afirmação do delegado e diz que muitas vezes policiais estão envolvidos em crimes na região, tanto é que passou a solicitar inquérito a respeito da conduta dos militares durante abordagens e confrontos com criminosos.

O promotor, que está no município há quase cinco anos, explica que Pilar estava envolta em um ciclo vicioso de impunidade há alguns anos, fazendo crescer a fama de cidade mais violenta do Brasil. “Quando cheguei, existiam 287 homicídios sem solução, e era visível que não haviam interessados em investigar [...] hoje, graças à operação da Polícia Federal, descobrimos que 36 desses crimes tinham a participação de policiais”, diz ele.

Em dias normais, o município conta apenas com uma viatura e três policiais para 33 mil habitantes, e embora os chefes do tráfico estejam presos, eles conseguem comandar a região a partir de ligações telefônicas dentro das celas nos presídios em que estão. Jorge Tavares, crítica o sistema prisional, que segundo ele, é falho em fiscalizar essas falhas. “É um trabalho de enxugar gelo, o Ministério Público e o Poder Judiciário fazem todo o trabalho, prendem o criminoso, mas ele continua comandando a região, até mesmo de outro estado”.

SOLUÇÕES

O representante do Ministério Público garante que, embora a região ainda possua a fama, todos os homicídios que estão acontecendo nesses últimos 2 anos já foram ou estão sendo investigados, inclusive a conduta dos policiais. Ele cita também o aumento no número de crianças que passaram a atuar para o tráfico. 

“As crianças estão deixando de estudar, para se filiar ao tráfico, a maioria dos crimes cometidos aqui nos últimos anos envolve crianças ou adolescentes”.

INSEGURANÇA

Devido à falta de segurança, as escolas tiveram uma queda no número de alunos, que deixaram de estudar porque as famílias tinham medo. Para reverter este quadro, a prefeitura adquiriu um terreno com 3.600 m² no bairro do Bonfim e fez a doação para o governo do Estado que está construindo um Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) do tipo 2. A previsão é que seja entregue em janeiro ou fevereiro. 

Com a construção, a gestão garante que serão disponibilizadas mais viaturas e um efetivo muito maior. “Vamos capturar os líderes de gangues, principalmente criminosos de outros municípios”, disse o prefeito Renato Filho, em nota.

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