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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 952 / 2017

14/12/2017 - 18:43:51

Falha processual leva Justiça a cancelar audiência de instrução

Delegado aposentado da PF foi morto em janeiro pelo neto; família protesta e pede celeridade no julgamento

Maria Salésia [email protected]

Prestes a completar um ano do assassinato do delegado aposentado da Polícia Federal, Milton Omena, morto a facadas pelo neto, no dia 27 de janeiro deste ano, irmãos da vítima protestam e apelam às autoridades competentes para que agilizem o julgamento. A angústia tomou maior proporção na terça-feira, 11, quando a audiência de instrução foi cancelada por erro do Judiciário.

Segundo o advogado da família, Thiago Pinheiro, a audiência foi marcada antes do recebimento formal da denúncia, o que iria ocasionar nulidade  do processo. Assim, a juíza Paula de Góes Brito Pontes, após provocação do assistente de acusação e da defesa do réu (Milton Omena Farias Neto), chamou o feito à ordem e cancelou a audiência. 

Marivaldo Omena, irmão da vítima, disse que para a família o adiamento não deixa de ser uma frustação, pois em janeiro de 2018 fará um ano do assassinato e o processo caminha lento. “Nossa indignação é que já era para estar próximo do júri  e sequer teve a primeira audiência”, lamentou. Ele acrescentou que o ponto crucial é que o judiciário errou em marcar a audiência antes mesmo de receber a denúncia e mandar citar o réu. “Depois reconheceu e cancelou a audiência. Uma falha processual terminou acarretando nesse atraso”. 

Omena disse ainda que a família lamenta a situação e aguarda uma data próxima para a audiência. Mas comemora que a partir dessa tomada decisão da juíza, “esse cidadão (Milton Neto) passa a fazer parte do sistema prisional da Justiça alagoana”. Até então, disse, não estava inserido em nada. “Ele era a vítima. Com essa atitude da juíza ele já é réu da Justiça alagoana. Não queremos que o caso seja esquecido pelo judiciário. Queremos que a Justiça faça Justiça e temos certeza que a justiça vai fazer justiça, até porque existem vários atenuantes onde o próprio conteúdo do processo diz que não houve legitima defesa e sim um verdadeiro assassinato cruel”, afirmou.

UM CRIME CRUEL

A família confeccionou um banner para ser mostrado durante a audiência. O pôster será ainda divulgado nas redes sociais como forma de pedir que o caso não seja esquecido. A foto do neto e do avô aparecem lado a lado. Com a frase “Ingratidão, covardia, um crime cruel!”, o pôster apresenta ainda “neto que matou o avô em Paripueira”, família de Milton Omena pede justiça.”

O drama que envolveu o neto e o avô aconteceu em 27 de janeiro de 2017, quando Milton Omena foi morto a facadas, mas a tragédia na família teve início em 14 de agosto de 2016, Dia dos Pais, quando a jornalista e empresária Márcia Omena Rodrigues, mãe de Milton Neto e filha de Milton Omena, cometeu suicídio dentro do quarto do pai. 

O irmão do delegado aposentado da PF disse que o crime foi premeditado pelo neto em vingança pela morte da mãe. Milton Neto foi preso em flagrante, e liberado antes de completar 15 dias de matar o avô, que teve o rosto desfigurado a facadas.

Quase um ano após o assassinato,  a família acredita que dessa vez o caso terá um desfecho.

Milton Omena Farias Neto leva o mesmo nome do avô. O menino queria ser astronauta e em 2008 participou de treinamento na Nasa- agência espacial americana, no U.S Space Camp, em Huntsville, Alabama. Já Milton Omena, o avô, nos últimos anos de vida, virou amante de motos e esportes radicais, como bungee jumping. 

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