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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 951 / 2017

19/12/2017 - 17:03:01

Empresas testam ônibus sem cobrador

Sindicato dos Rodoviários teme demissão em massa

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Apesar do tamanho, ônibus que circula sem cobrador é classificado como micro-ônibus pela empresa

Duas empresas de transporte coletivo começaram a fazer testes por conta própria de ônibus de grande porte sem cobrador em Maceió. O experimento foi iniciado há algumas semanas. Dois veículos da Viação Cidade de Maceió e um da Auto Viação Veleiro estão sendo utilizados, intercalados com outros coletivos com cobradores.

O novo modelo, embora seja mais econômico para as empresas, está incomodando os passageiros. Para passar pela catraca alta e apertada adotada por quase todos os coletivos da capital, muitos usuários recorrem à ajuda do cobrador, porém na ausência dele, é grande a dificuldade para atravessar para o outro lado do ônibus, visto que não há espaço nem para passar bolsas de grande volume.

De acordo com o setor de tráfego da Auto Viação Veleiro, o ônibus da linha Vergel-Jatiúca, que possui capacidade para 36 pessoas sentadas, está circulando sem cobrador há alguns dias, mas ainda não foi decidido pelo conselho da empresa se isto será permanente.

A empresa Cidade de Maceió informou que embora os ônibus que circulam pela região do bairro de Ipioca sejam grandes, eles atendem ao que diz a licitação realizada pela prefeitura em 2015. Na licitação ficou estabelecido que apenas nos ônibus com até 36 lugares podem ser dispensados cobradores. “Os ônibus estão sendo usados na integração Alto de Ipioca, por isso não se faz necessário o uso de cobradores”.

Como é possível ver na imagem ao lado, o ônibus de prefixo 3774, da linha 611 – Vergel – Jatiúca, único desse porte circulando na cidade sem cobradores e pertencente à Veleiro, não aparenta em nada ser um micro-ônibus, como exigido na licitação.

Embora em outras cidades os testes sejam realizados com a intenção de proporcionar praticidade aos passageiros, que em sua maioria já possuem bilhetes únicos como o Bem Legal, ou até mesmo a intenção de reduzir o número de assaltos a ônibus em Maceió, a realidade por enquanto ainda é outra.

A maioria dos usuários idosos ainda não possui o cartão Bem Legal na capital, e o número de assaltos a ônibus registrados em novembro deste ano em Maceió foi menor se comparado com o mesmo período de 2016. De acordo com informações divulgadas na última terça-feira, 5, pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), a diferença entre os dois meses é de 44,4%.

Sem um funcionário para realizar a cobrança das passagens, a empresa em teoria deveria lucrar um pouco mais, porém, pelo que foi detalhado por elas, todos os ônibus possuem em média 8 lugares a menos do que o normal. Ou seja, a capacidade de transporte de passageiros foi reduzida e a função de comissário de bordo está ameaçada, apenas por capricho de grandes empresários das empresas de transporte urbano.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Alagoas (Sinttro-AL), Sandro Regis Oliveira, afirmou que a medida adotada pelas empresas não é correta. Disse, ainda, que apenas os micro-ônibus são permitidos de circular sem a necessidade de um cobrador.

“A partir do próximo ano, começaremos a tomar algumas medidas em relação a esse novo modelo, mas adiantamos que o sindicato é totalmente contra”, frisou.

Além de incomodar os usuários, a medida deve deixar vários cobradores sem emprego em um futuro próximo. “Temos que lutar para gerar mais empregos, e o novo sistema sem dúvidas irá deixar muita gente desempregada”, conclui o presidente.

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