Acompanhe nas redes sociais:

18 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 951 / 2017

19/12/2017 - 16:58:31

Quase metade dos jovens de Maceió podem estar infectados

Doença sexualmente transmissível está associada a alguns tipos de câncer

Valdete Calheiros Repórter

Em Maceió, 45,1% dos jovens com idade entre 16 e 25 anos podem estar infectados pelo vírus HPV – Papilomavírus Humano, segundo pesquisa feita pelo Ministério da Saúde e divulgada no final de novembro. O levantamento foi feito em todas as capitais brasileiras. Esse número pode ser ainda maior, pois são frutos de uma pesquisa preliminar. 

No Brasil, a prevalência do HPV é de 54,6% para a mesma faixa etária. Desse total, 38,4% são de tipos de alto risco para o desenvolvimento de câncer. 

O estudo foi feito com 5.812 mulheres e 1.774 homens. A média de idade é de 20,6 anos. O grupo foi entrevistado e fez exames. Os pesquisadores coletaram amostras genitais e orais. Foram incluídos dados das 26 capitais e do Distrito Federal. Salvador aparece como capital com maior índice. São 71,9% da população com a doença.

A pesquisa apontou ainda que 16,1% da população avaliada já tinha alguma outra DST – Doença Sexualmente Transmissível ou apresentou resultado positivo para HIV e sífilis.

A assistente social Teresa Cristina Carvalho dos Anjos, da Gerência de IST/HIV/Aids e Hepatites Virais de Maceió foi a coordenadora da pesquisa em âmbito local, junto com Mariana Falcão Tavares.

Teresa Cristina explicou que para evitar a contaminação por HPV, é imprescindível o uso de preservativo nas relações sexuais. Higiene pessoal, os cuidados com o compartilhamento de objetos e a vacinação, são algumas formas de se prevenir. 

“A avaliação do Ministério da Saúde em relação à cobertura vacinal mostra que a primeira dose aplicada no ambiente escolar atingiu uma cobertura maior do que a segunda dose quando as famílias deveriam levar seus filhos às Unidades de Saúde, portanto, há necessidade de mais divulgação, mais participação da família e escola para que os jovens possam ser imunizados. A vacina existe em quantidade suficiente, mas a procura ainda deixa a desejar”, ponderou a técnica.

Ainda segundo Teresa Cristina, estima-se que cerca de 15% de todos os casos de câncer em humanos sejam causados por infecções virais, sendo que 5% podem ser atribuídos a infecção pelo HPV. A vacinação é recomendada principalmente para crianças e jovens antes que tenham iniciado sua vida sexual.

Em junho deste ano o Ministério da Saúde anunciou a ampliação da cobertura vacinal para adolescentes do sexo masculino de 11 a 15 anos incompletos, homens e mulheres transplantados, pacientes oncológicos em tratamento de quimioterapia ou radioterapia e crianças e jovens de 9 a 26 anos vivendo com HIV-Aids, além das meninas com menos de 15 anos. Se seguido à risca, esse esquema vacinal protege contra quatro subtipos desse vírus (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia, conforme explicou a técnica.

Segundo o ministério, a vacina HPV Quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero, a quarta maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. 

Nos homens protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. Além disso, previne mais de 98% das verrugas genitais, doença estigmatizante e de difícil tratamento.

HPV

A infecção por HPV é associada a vários tipos de câncer, principalmente ao de colo de útero – a quarta maior causa de morte entre as mulheres no Brasil –, mas também de pênis, de vulva, de canal anal e de orofaringe e é de tratamento complicado.

As relações sexuais são a principal forma de transmissão do vírus, mas ele também pode ser disseminado pelo sangue, por roupas ou objetos contaminados (como toalhas, roupas íntimas ou sabonetes), pelo beijo e durante o parto.

A doença causa feridas principalmente na região genital, mas também em outras partes do corpo, como pernas e braços. O maior perigo está nas verrugas que aparecem internamente, perto do útero, que não são visíveis e, sem tratamento, podem levar ao câncer.

A pesquisa

Por enquanto, os resultados da pesquisa sobre a incidência de HPV são preliminares e produzidos por meio de estimativa. Como alguns municípios ainda não encerraram as coletas, essa porcentagem pode mudar até o fim do estudo. O relatório deve ser totalmente encerrado e divulgado em março de 2018.

“Todo mundo passou pela coleta, mas uma parte ainda não foi analisada. Esse dado pode ter uma pequena variação não maior que 2 pontos percentuais, é isso que a gente estima. De qualquer maneira, é um número muito alto, mesmo se for de 54% para 52%”, disse ao Ministério da Saúde, a coordenadora do estudo, a médica Eliana Wendland. 

No estudo, também foram analisadas variáveis sociodemográficas, consumo de drogas lícitas e ilícitas, comportamento sexual e saúde reprodutiva e infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e sífilis, por meio das entrevistas.

Do total de entrevistados, 41,9% estavam namorando e 33,1% eram casados no momento da coleta. Eram solteiros 24,2% e apenas 0,7% eram divorciados. Em média, os participantes fizeram sexo pela primeira vez aos 15,3 anos. As mulheres aos 15,4 anos e os homens aos 15 anos.

Metade dos indivíduos (51,5%) disse usar camisinha na rotina sexual. Apenas 41,1% usou na última vez que fez sexo. O comportamento sexual de risco foi observado em 83,4% dos entrevistados, sendo que a média de parceiros sexuais no último ano foi de 2,2 e a média de parceiros nos últimos 5 anos de 7,5.

A pesquisa é uma parceria com várias instituições: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Universidade de São Paulo, Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, secretarias municipais de saúde de todas as capitais do Brasil e Unidades Básicas de Saúde. Mais de 250 profissionais de saúde colaboraram.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia