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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 951 / 2017

19/12/2017 - 16:56:05

Esmola grande, cego desconfia

JORGE MORAIS

Recentemente, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aprovou uma medida para pagamentos de boletos atrasados até determinados valores em qualquer agência bancária e não somente na agência de origem do documento. A medida está vigorando, progressivamente, desde o último mês de julho, concluindo no dia 11 de dezembro, ou seja, a próxima segunda-feira. O consumidor não precisa mais se preocupar com a impressão da segunda via para pagar os tais boletos.

O sistema foi implantado por faixas de valores, segundo a Febraban. Desde a decisão, a entidade estabeleceu um cronograma com os seguintes valores: mais de 50 mil reais foi a partir de 10 de julho último; um centavo menos desse valor até 2 mil reais foi programado para setembro; um centavo menos de 2 mil até 500 reais, em outubro; um centavo menos de 500 reais até 200 reais, em novembro; e, finalmente, menos de 200 reais, agora em dezembro. 

Parece tudo muito fácil. Mas, como diz o título desse artigo, banqueiro dando benesses para clientes é esmola grande demais e não tem como a gente confiar. Normalmente é assim: dá com uma mão e tira com a outra. Ás vezes cai em cima com tudo, feito urubu na carniça. Deve ter alguma vantagem para esses senhores, só não consegui descobrir ainda qual. Na verdade, esses bancos são cheios de mistérios e contradições.

Essa semana estava com um boleto com vencimento para o último dia 1º. Viajei e esqueci de pagar. Na segunda-feira (4) fui à agência do Bradesco para honrar o compromisso, em dois dias úteis e um final de semana no meio. No banco, um “formigueiro” de gente, e depois que recebi uma ficha para atendimento, um rapaz informou que não poderia efetuar o pagamento naquela agência. Pergunto: como eles aprovaram a tal medida, se no próprio banco do boleto não poderia efetuar o pagamento no caixa? Imagine em uma agência de outra bandeira como teria sido o atendimento.

Pois bem, o rapaz me avisou que fosse efetuar o pagamento num lugar chamado Pague Fácil, Pague Rápido ou coisa parecida. E onde fica isso?, perguntei. Respondeu que dentro de lojas comercias, citando inclusive a Casas Bahia da Rua do Comércio, no Centro. Para não perder mais tempo fui até lá. Encontrei uma loja com gente atendendo seus clientes e no final da loja dois caixas para tudo. Juntos e misturados todos pagavam o carnê das compras feitas naquela hora, boletos do referido banco e outros débitos.

Me enquadro perfeitamente dentro daquela tabela do início e tive que enfrentar mais uma fila, agora de 18 pessoas na minha frente, diante de duas moças sem muita experiência bancária, autenticando os documentos entregues. O ar-condicionado da loja estava até funcionando, mas no local isolado dos caixas, o calor era muito grande. Então, se a Febraban foi tão generosa com a gente abrindo essas exceções, porque o Bradesco, e esse é o meu exemplo, não recebeu o pagamento em atraso com o timbre do próprio banco? É por isso que, esmola grande, cego desconfia.

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