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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 951 / 2017

10/12/2017 - 05:41:19

Téo Vilela e irmão cobram, na Justiça, R$ 2,4 milhões da própria usina

Alvos da PF, irmãos aparecem na lista de credores da Seresta

Odilon Rios - especial para o EXTRA
Téo Vilela é acusado de receber propina das obras do Canal do Sertão

O pedido de recuperação judicial das usinas de Alagoas tem uma extensa lista de credores entre trabalhadores, bancos e empresas que esperam receber suas dívidas do setor sucroalcooleiro. Porém surpreende que a lista tenha nomes de peso na política alagoana e nos corredores da Polícia Federal. O ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e seu irmão, Elias Vilela, herdeiros da Usina Seresta, buscam receber R$ 2,4 milhões da usina da qual são os donos.

A situação não é irregular e outros usineiros de outras empresas ou até mesmo outros irmãos do ex-governador aparecem na lista como tendo dívidas a receber dos próprios negócios.  Advogado especialista em recuperação judicial disse ao EXTRA, sob anonimato, que “muitos acionistas das usinas estão na lista de credores. É como se o lucro que o mesmo teria direito não foi repassado para o mesmo”.

O ex-governador tem a receber R$ 1,4 milhão (exatos R$ 1.455.469,66); Elias Vilela, R$ 971.367,10. 

Chama a atenção que, enquanto tramita o recente processo de recuperação judicial (começou no final de outubro), o ex-governador e Elias Vilela foram alvos da Operação Caribdis, da Polícia Federal, na quinta-feira da semana passada (30). São acusados de cobrarem propina das construtoras Odebrecht e OAS, ambas investigadas na Operação Lava Jato e empreiteiras do Canal do Sertão. O ex-governador teria recebido, apontam as investigações, R$ 2,1 milhões em propina.

Ele nega. “Em coerência com a sua história de vida pessoal e política, o ex-governador assegura ser o maior interessado na elucidação dessas investigações e que continuará à disposição das autoridades, contribuindo no que for preciso”, disse, em nota, o ex-presidente estadual do PSDB e candidato ao Senado em 2018.

Já Elias Vilela era assíduo frequentador das reuniões com as empreiteiras onde - diz a Polícia Federal- discutia-se pagamento de propina via Canal do Sertão. Investigações da PF na Operação Caríbdis apontam superfaturamento de R$ 70 milhões.

Por que um usineiro, sem cargo no Governo Téo Vilela, frequentava estas reuniões? Resposta de Elias Vilela à PF: era “entusiasta” do Canal do Sertão.

O entusiasmo não convenceu os federais. O delegado da PF Antônio Carvalho disse: “Não vejo justificativa para pessoa que trabalha no ramo da cana-de-açúcar participar de reunião com empreiteiros que trabalham na construção civil”.

Elias Vilela e Teotonio Vilela Filho foram ouvidos na sede da PF. 

Elias é diretor da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool, a mesma que conseguiu um prazo maior para pagar dívidas com credores (na lista, ele mesmo) pela via judicial. É dele a assinatura que autoriza a Prefeitura de Maceió a alugar, por 60 meses, ao custo de R$ 4,6 milhões, prédios da cooperativa localizados no bairro de Jaraguá para a sede administrativa do Executivo municipal. O prefeito Rui Palmeira deu o aval para a operação. Ele é presidente estadual do PSDB, mesmo partido do ex-governador Vilela, irmão de Elias.

Justiça

O EXTRA acompanha o pedido de recuperação judicial das usinas alagoanas, que inclui a Seresta, dos irmãos Vilela. E conforme mostrou o jornal, as empresas da conhecida Cooperativa dos Usineiros obtiveram algumas vitórias importantes. Primeira, conseguiram a recuperação- significando mais prazo para renegociar e pagar dívidas; segunda: o processo tramita em um local, a 4ª Vara, que nomeou um administrador judicial; terceiro: as ações foram desmembradas e permanecem tramitando na mesma 4ª Vara.

A aceitação da recuperação judicial saiu em 24 horas após a entrada do pedido na 4ª Vara. A ação tem 5.756 páginas- incluindo balanços financeiros e gráficos.

Cada uma das usinas desta ação de recuperação judicial apresentou uma lista de credores. Muitos destes débitos são trabalhistas, porém, o grosso da dívida é com os bancos. 

As usinas alegaram, para os pedidos de recuperação judicial, estiagem, endividamento, despesas com abastecimento de água, além de perda da rentabilidade do açúcar e do etanol, excesso de endividamento, diminuição da área de plantio da cana em Alagoas, queda na produtividade das lavouras.

Mais: elevação das taxas de juros dos bancos “aumentado vertiginosamente as despesas financeiras das usinas canavieiras”. A política de represamento do preço da gasolina gerou perdas de R$ 40 bilhões para os produtores de etanol de 2011 a 2014. E as condições climáticas na região canavieira.

Principal argumento do juiz Ayrton Tenório para aceitar o pedido de recuperação judicial foi a importância destas empresas no desenvolvimento socioeconômico das regiões onde se concentram.

O pedido de recuperação judicial é investigado pelo Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), do Ministério Público Estadual.

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