Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 951 / 2017

08/12/2017 - 12:39:20

“Laranjas” mantêm estreito vínculo com o Estado

Empresária, motorista e compadre integravam esquema de Cristiano Matheus

Vera Alves [email protected]
Cristiano Matheus: rol de crimes mesmo após deixar prefeitura

Pelo menos três dos envolvidos no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que envolve o ex-prefeito Cristiano Matheus, alvo só este ano de duas operações da Polícia Federal, possuem estreitos vínculos com o governo do Estado. Um deles, o motorista José Avelino Neto, foi exonerado de um cargo comissionado que ocupava na Secretaria de Planejamento e Gestão um dia após a ofensiva da PF na última terça-feira.

Mas o vínculo mais efetivo – e mais rentável – é o da empresária Lucilene Freire Peixoto. A sogra do ex-prefeito Fábio Jatobá (Roteiro) e dona da FP Construções Ltda. junto com o marido, Edenir Moreira Peixoto, mantém contratos milionários com o Executivo Estadual. Um  deles, no valor de R$ 11,6 milhões, foi firmado em novembro do ano passado com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) através da Secretaria Estadual de Infraestrutura tendo como objeto “serviços contínuos de conservação rotineira” em estradas que cortam o Litoral Norte.

A FP Construções foi instituída em 1992 de acordo com os dados de seu CNPJ na Receita Federal e apareceu na mídia, no ano passado, quando da divulgação das três ações de improbidade administrativa na Justiça Federal que resultaram no afastamento de Cristiano Matheus da Prefeitura de Marechal Deodoro a três meses do término do seu segundo mandato. 

As ações de improbidade ajuizadas pelo MPF, aliás, é que levaram às duas operações da PF deflagradas este ano tendo como alvo o escabroso esquema de corrupção arquitetado por Matheus. A primeira foi a Astaroth, deflagrada em julho, que desvelou o grande esquema de desvio de recursos públicos da Prefeitura de Marechal Deodoro entre 2009 e 2016. Na última terça, 5, foi deflagrada a Kali, cujos alvos foram os envolvidos no esquema.

E foi durante a Kali que a empresária Lucilene Peixoto, conhecida como Lucinha Freire Peixoto na roda de milionários do estado, recebeu a visita da PF em seu apartamento na Ponta Verde, onde foram apreendidos reais, dólares e euros. Exatos R$ 297 mil, US$ 5 mil e € 14 mil.

Vencedora de licitações forjadas pela Prefeitura de Marechal durante a gestão de Cristiano Matheus – conforme foi apurado pela Controladoria Geral da União em Alagoas e confirmado pelo  Ministério Público Federal – a FP Construções bancou a reforma do apartamento no qual o ex-prefeito morava com a segunda ex-esposa, Mayane Souza. O imóvel também está no nome de laranjas, segundo confirmou a PF na terça-feira.

Um motorista e uma frota de ônibus 

José Avelino Neto, o motorista de Cristiano Matheus exonerado na quarta, 6, do cargo comissionado de assessor técnico intermediário da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) recebia apenas R$ 862,04 líquidos. Não deu, contudo, um único dia de trabalho na Secretaria Estadual de Cultura, onde estava lotado, e movimentou uma cifra milionária de acordo com as investigações da Polícia Federal. Ele era um dos laranjas mais usados pelo ex-prefeito.

Era em seu nome que estava a sala comercial do Edifício Terra Brasilis, no centro da capital, que posteriormente foi repassada a um segundo laranja – uma servidora de Marechal – e depois a um terceiro, um empresário que possui outras duas salas no prédio e consta como dono do imóvel em que Matheus e a ex-esposa Mayane protagonizaram, em junho último, um embate logo após ela sair da maternidade e cujo vídeo viralizou nas redes sociais.

A Polícia Federal também identificou na rede de laranjas um empresário emergente. Compadre e xará do ex-prefeito, Cristiano Mateus Santos é oficialmente o dono da CM Transporte e Turismo, instituída em janeiro do ano passado e que seis meses depois abocanhou em contrato com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal) as linhas que ligam Maceió a Paripueira e Barra de Santo Antônio, antes operadas pela Real Alagoas.

A PF ainda busca explicações para a repentina ascensão do compadre, dono de uma frota de 20 ônibus. A CM Transporte e Turismo figura hoje dentre as empresas de serviço convencional da Arsal. Para a instituição não há dúvidas: ela faz parte do esquema de lavagem de dinheiro montado pelo ex-prefeito.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia