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14 de Dezembro de 2017

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Edição nº 950 / 2017

30/11/2017 - 18:04:48

Téo Vilela e Marco Fireman desviaram R$ 70 milhões

MPF E PF afirmam que ambos repartiram 10% do valor da obra com a OAS e Odebrecht

Valdete Calheiros Repórter
Ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB)

O ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), e o ex-secretário de Estado de Infraestrutura, Marco Fireman, desviaram, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, cerca de R$ 70 milhões com o superfaturamento das obras do Canal do Sertão. O montante corresponde a 10% do valor total da obra avaliada, à época deles, em R$ 700 milhões. 

Os órgãos federais solicitaram à Justiça a prisão preventiva de ambos mas o pedido não foi deferido. No entanto, obtiveram êxito nos pedidos de 11 mandados de busca e apreensão e estiveram, na manhã desta quinta-feira, em alguns endereços, entre os quais o apartamento do ex-governador Téo Vilela. Foram apreendidos mídias computacionais e celulares. Intimados, ele e Marco Fireman foram ouvidos na manhã desta sexta-feira, na sede da PF em Alagoas. 

As informações da Operação Caribdis foram detalhadas em uma entrevista coletiva na sede da PF, da qual também participou o Ministério Público Federal. 

Para os investigadores não restam dúvidas que o nome do ex-governador consta da planilha encontrada pela 23ª fase da Operação Lava Jato, denominada “Acarajé”. No total, foram pagos mais de R$ 2 milhões de propina ao ex-governador, divididos em três parcelas. Na planilha, Teotonio Vilela era identificado como “Bobão” e Marcos Fireman como “Fantasma” e Fernando Nunes, executivo da pasta, como “Faizão”.  Uma das parcelas foi de R$ 1 milhão. Outras duas foram no valor de R$ 906 mil e R$ 150 mil. 

Atualmente, Teotonio Vilela mantém contatos com suas bases a fim de se eleger, novamente, senador da República e Marco Fireman está à frente de uma das secretarias mais importantes do Ministério da Saúde, a de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, responsável pelas compras gigantescas do ministério. 

A procuradora da República em Alagoas, Renata Ribeiro Baptista, afirmou que “o ex-governador e o ex-secretário integravam uma organização criminosa” responsável por fraudar as obras do Canal do Sertão por solicitar e receber vantagens ilícitas das construtoras OAS e Norberto Odebrecht, responsáveis, respectivamente, pelos trechos 3 e 4 das obras do canal.

A procuradora se mostrou indignada ao quantificar o preço da corrupção. Segundo ela, o Canal do Sertão tem uma simbologia para o sertanejo, é uma obra de extrema relevância para a sobrevivência do povo que vive do Rio São Francisco. 

“A água é um bem caro ao sertanejo e, mesmo assim, o governo que deveria tutelar os recursos da obra entregou o edital praticamente nas mãos das duas construtoras [OAS e Odebrecht] que se juntaram em conluio e decidiram quais cláusulas publicariam no edital a fim de fraudarem o caráter licitatório”, explicou.

 Renata Ribeiro disse ainda que o modus operandi dos ex-gestores para conseguir dinheiro público não foi sofisticado, não tinha nada de extraordinário e causa estragos permanentes porque é responsável pela água que não chega ao Canal do Sertão e pelo posto de saúde que não é construído. 

PLANILHAS

De acordo com o superintende Regional da Polícia Federal em Alagoas, delegado Bernardo Gonçalves de Torres, as investigações confrontaram as provas, as planilhas apreendidas em uma das fases da Operação Lava Jato e concluíram, entre outras coisas, que a Construtora Odebrecht atendeu aos pedidos de pagamento de propina e efetuou seis pagamentos entre junho e novembro de 2014, no valor de R$ 2 milhões e 814 mil. “Estamos rastreando o destino desse valor e dos demais recursos públicos desviados”, pontuou.     

O delegado da PF Antônio José de Lima de Carvalho revelou que, em 2015, o Tribunal de Contas da União, entregou à instituição um relatório de fiscalização que apontava sobrepreço em obras do Canal do Sertão que ainda seriam feitas e superfaturamento em obras já concluídas. Um dos contratos com a Odebrecht apresentou um sobrepreço de R$ 33.931.699,46.

“A partir daí, conseguimos juntar fortes indícios comprobatórios de uma estreita ligação entre os ex-gestores e executivos das construtoras OAS e Odebrecht. Além dos depoimentos das construtoras, tivemos acesso a bilhetes de passagens aéreas, comprovantes de depósitos bancários, despesas feitas em Alagoas, hospedagens em hotéis alagoanos, conversas por meio do whatsApp e smartphones”, detalhou. 

Atualmente, o trecho 4 do Canal do Sertão está sendo conduzido, a passos lentos, pela Odebrecht e o trecho 5, ainda não iniciado, é de responsabilidade da Construtora Queiroz Galvão. A PF e o MPF afirmaram que este último não está sob investigação. 

A Operação Caribdis cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara da Justiça Federal de Alagoas, em Maceió, Salvador (BA), Brasília (DF) e Limeira (SP). Foram empregados na ação, 50 policiais federais. 

NOTA

Em nota, o ex-governador Téo Vilela comentou a operação:

“O ex-governador Teotonio Vilela Filho tem consciência de que não praticou nenhum crime e que a verdade será restabelecida. 

Em coerência com a sua história de vida pessoal e política, o ex-governador assegura ser o maior interessado na elucidação dessas investigações e que continuará à disposição das autoridades, contribuindo no que for preciso”.

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