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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 949 / 2017

04/12/2017 - 20:03:07

Padres casados conquistam cada vez mais espaço nas igrejas

Papa Francisco tem recebido pedidos para reavaliar a posição da Igreja Católica em relação ao celibato

Valdete Calheiros

A oportunidade dada aos padres casados para voltarem ao convívio dos fiéis há alguns anos não é mais assunto proibido dentro da Igreja Católica. A mudança tem sua razão de ser pelo fato de o Brasil ser um país católico com forte carência de padres. 

Desde sua fundação, a Igreja Católica Apostólica Brasileira permite que padres casados assumam todos os sete sacramentos da religião: batismo, eucaristia, crisma, matrimônio, ordem, unção dos enfermos e penitência. 

Na Igreja Católica Apostólica Romana, por enquanto, ainda não há essa possibilidade. Segundo o arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz Fernandes, a posição da Igreja em relação a esse assunto permanece a mesma. Ou seja, “Os homens casados serão eternamente sacerdotes, mas, ao optarem pelo matrimônio eles passam a se dedicar exclusivamente a sua família e, por isso, deixam de exercer os ministérios sacerdotais”. 

Ainda conforme Dom Antônio, a possibilidade de os padres casados exercerem os ministérios não passa de especulação. 

A Igreja Católica Apostólica Brasileira já estava de olho nessa parcela de padres, desde sua fundação em 6 de julho de 1945. A Igreja Brasileira é uma instituição religiosa, separada da Igreja de Roma e fundada por Don Carlos Duarte da Costa. 

A Igreja Brasileira não propõe a obrigatoriedade do celibato por considerar o casamento uma instituição divina. 

Formado em Roma, Dom Carlos Duarte da Costa era bispo de Botucatu, em São Paulo, quando se afastou de sua diocese para criar a dissidência brasileira da Igreja de Roma. A primeira sede fundada por ele, foi no bairro da Penha, no Rio de Janeiro. 

O fundador da Igreja Católica Apostólica Brasileira morreu em 1968, defendendo abertamente mais liberdade para os padres, a união civil e religiosas dos sacerdotes. Mesmo tendo posições divergentes de Roma, o idealizador do cisma católico viveu e morreu solteiro. 

A Igreja Brasileira tem atualmente em Alagoas, cinco templos, quatro padres e um bispo. O mesmo há quase 20 anos, Dom Walbert Rommel Coelho Galvão Barros. Ele é casado, tem quatro filhos e é a maior autoridade alagoana nesse segmento. 

O padre Tibério Teylon dos Santos Correia, é um dos mais “novos” na Igreja. Está há cinco anos tomando conta de um dos templos do Estado, no bairro do Feitosa. “Há quase 20 anos, tínhamos seis templos. Perdemos um, talvez o mais tradicional e também mais conhecido, localizado na Ponta Verde e conhecido como a Igreja das pedras, devido ao material que adornava sua fachada”. 

Segundo ele, o terreno onde funcionava a Igreja era herança familiar, foi vendido, a Igreja indenizada e os fieis procuraram os endereços mais próximos a suas casas para continuarem com seus compromissos religiosos.

O padre Tibério, está junto a demais colegas de batina, na expectativa de um encontro oficial que irá reunir padres casados de todo o país. “Nossos sacerdotes são livres para casarem e constituírem famílias. Realizarem casamentos de 2ª união (divorciados) e batizarem as crianças independentemente da situação conjugal dos pais”, detalhou. 

Em Alagoas, os templos ficam na Ponta Verde, no Feitosa, no Poço, no Tabuleiro Novo e há um em construção na cidade de Anadia. 

A instituição se mostra aberta para admitir o aborto, o controle da natalidade (através dos métodos comuns e naturais ao planejamento familiar), concorda com o uso da camisinha, entre outros temas, abominados por Roma. 

Há também, pelo Brasil, sacerdotes homossexuais assumidos, cuja identidades são mantidas em sigilo por conta do preconceito social. 

Entre os bispos do episcopado nacional, um deles chama a atenção: o alagoano Dom Fernando Pugliese. Casado e pai de três filhos, Pugliese estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, ordenou-se no Brasil e ficou nacionalmente conhecido por ser uma espécie de chanceler da Igreja Brasileira.

Ele está suspenso da Igreja, desde janeiro de 2015, quando realizou o primeiro casamento homoafetivo com benção católica em Alagoas. O padre Tibério Teylon dos Santos Correia afirmou que, por questões de saúde, Dom Pugliese está afastado de suas atividades rotineiras e está recluso para tratamento médico. 

À época, o Igreja Católica Brasileira comunicou suspensão da ordem em nota oficial. Dom Fernando Pugliese, foi categórico: “Fiz com a melhor das intenções e não me arrependo”, disse na ocasião. 

Antes bispo Chanceler da diocese de Maceió da Igreja Católica Brasileira, Dom Fernando Pugliese é hoje uma espécie de bispo emérito. 

Com a suspensão, que é por tempo indeterminado, Pugliese não pode realizar nenhum sacramento em nome da Igreja Católica Brasileira, como rezar missas e realizar cerimônias. 

Quase duas décadas depois de o EXTRA ter publicado matéria sobre os padres casados e diversos outros assuntos nos quais Igreja Católica e Igreja Brasileira têm pensamentos divergentes, a opinião das Igrejas se mantem. 

Para ambas, a Igreja não é contrária às conquistas na sociedade pela igualdade e isonomia entre as pessoas, porém considera o comportamento sexual humano sacramental por natureza, podendo somente ser celebrado religiosamente casamento entre homem e mulher.

Mesmo fora da Igreja Brasileira e sob as bênçãos do Vaticano, os diáconos permanentes são homens casados que recebem o primeiro grau da ordem, com a missão de anunciar o Evangelho. Não podem celebrar a Santa missa, nem ouvir a confissão dos fiéis, nem celebrar a primeira comunhão, ou crisma. No entanto, podem assumir paróquias e celebrar batizados e casamentos. Depois, voltam para casa, junto da mulher e dos filhos. 

O comportamento tem sido uma alternativa em tempos de crise de vocações e falta de pastores. Com as bênçãos do Vaticano, o número de diáconos vem crescendo a cada ano. Existem cerca de 35 mil no mundo. No Brasil, são dois mil. Na arquidiocese de Maceió, existem 19 diáconos permanentes. 

Afinal, o que é diácono permanente? Eles são católicos praticantes comuns que se candidatam à vaga porque desejam servir ainda mais à sua religião, mas sem abrir mão do matrimônio e a união deve ter pelo menos dez anos. 

No dia a dia da igreja, esses homens são quase padres. Eles são ordenados para a liturgia, para a palavra e para a caridade. Na prática, isso significa que podem fazer quase tudo o que um sacerdote faz, exceto a consagração da hóstia e absolvição dos pecados, os sacramentos da eucaristia e da confissão. 

Talvez por isso foram necessárias algumas décadas até que o diácono virasse uma realidade nas paróquias brasileiras. Depende de cada bispo o desejo de ter em sua diocese o diácono permanente. 

Segundo estudos, o número de padres ordenados no mundo teria estacionado nos últimos 40 anos, enquanto o de fiéis disparou. No Brasil, no mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 120 milhões de brasileiros se declararam católicos. O Censo Anual da Igreja Católica no Brasil estima em cerca de 22 mil o número de padres.

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