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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 949 / 2017

04/12/2017 - 20:00:51

“Assessor” ou herói?

ELIAS FRAGOSO

Quem convive no setor público conhece alguém ou alguma história daquele “assessor” que faz qualquer coisa para agradar o “chefe”, mentor da sua indicação e manutenção no cargo. Para isso ele não mede esforços. Essa semana tomou posse o novo diretor da Polícia Federal, Sr. Segóvia. Que começou mal. Muito mal. Em sua primeira entrevista deu o tom do que parece será a sua gestão. Atacou a Procuradoria Geral da República e a própria Polícia Federal, órgãos que vêm tendo excepcional desempenho na desarticulação do crime organizado em que se tornou a política no Brasil.

Mas não ficou nisso, foi mais longe: “Uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa”..., referia-se à mala com 500 mil reais que o saltitante ex. deputado federal  Rodrigo Loures, assessor da Presidência da República  recebeu de um diretor da JBS para atuar junto ao Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica em favor daquela empresa.

Interessante notar que o inquérito sobre a referida “única mala”, que leva o número de 4483, enumera uma série de fatos que, no mínimo, para sermos benevolentes, comprometem o Sr. Temer, que o nomeou. “Apenas” 4 gravações feitas por Joesley Batista, então presidente da maior empresa em operação no Brasil e uma das maiores do mundo em seu ramo de atividade que foram devidamente periciadas pela Polícia Federal e declaradas válidas; interceptações telefônicas do Sr. Loures autorizadas pelo ministro do Supremo, Edson Fachin; depoimentos dos conselheiros do Cade à Polícia Federal sobre a tentativa de intervenção a favor da JBS;  análise do contrato celebrado entre a Petrobras e a JBS, sobre essa momentosa questão (posteriormente revogado...); depoimento do doleiro Lúcio Funaro, envolvendo o presidente e, finalmente, inquérito da Polícia Federal sobre o envolvimento de Sr. Temer, que em determinado momento, cita: “Desenha-se naturalmente, dentre as hipóteses que se oferecem à persecução, a de que Rodrigo da Rocha Loures, aproveitando-se de sua conhecida proximidade com a autoridade maior da República, pudesse ter-se aventurado em empreitada ilícita autônoma. Há, porém, um elemento informativo que enfraquece tal possibilidade: Rodrigo da Rocha Loures foi expressamente indicado pelo exmo. sr. presidente da República a Joesley Batista, naquele diálogo inicial”(da gravação, grifo nosso), dentre vários outros trechos incriminadores da figura do presidente da república.

De outro lado, a denúncia apresentada pela PGR contra o chamado “quadrilhão”, grupo de deputados da cúpula do PMDB, também enumera várias outras situações, no mínimo, incômodas para o presidente da República, como por exemplo, a indicação do diretor internacional da Petrobras, atualmente preso na operação Lava Jato, articulação de doações ilícitas para as campanhas à Prefeitura de São Paulo em 2012, e ao governo em 2014 via doações ilegais da Odebrecht e da JBS, etc.

Nunca é demais lembrar que esse governo tem vários ex-ministros ou pessoas muito, muito próximas do presidente presos. Como é o caso dos Srs. Eduardo Cunha, Rocha Loures, Geddel Vieira, Henrique Eduardo Alves, além de dois ministros do núcleo duro deste governo que, se perderam o famigerado foro privilegiado, poderão vir a ser presos.

O Sr. Segóvia, ao que tudo indica, uma nomeação articulada/apoiada pelos indefectíveis José Sarney e o Sr. Eliseu Padilha, duas figuras carimbadas por inúmeras acusações em andamento, bem poderia fazer um mea culpa deste início infeliz e, alterar o “rumo da conversa”. Jovem e nos pareceu inteligente e articulado, pode construir seu nome como importante figura consolidadora da moralização da política nacional.

Está em suas mãos o destino que ele deseja dar à sua biografia. Ou, simplesmente, ser, o “assessor”.

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