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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 949 / 2017

04/12/2017 - 20:00:16

Amigos irmãos

Alari Romariz

Certa feita, ouvi de uma filha: “Mãe, você parece que adivinha!” Sorrio quando escuto tal frase, porque a vida vai ensinando lições maravilhosas.

Tive um irmão mais velho que era um sonhador. Para ele, todos eram bons. Não enxergava maldade em ninguém, nem no Collor. Na política foi usado maldosamente por vários companheiros. Passei certo tempo perto dele e não era muito querida por mostrar-lhe a verdadeira identidade de certas pessoas. Acreditava nos bajuladores e em falsas promessas. Morreu pobre e desacreditado por ser ingênuo demais.

Entretanto, teve bons amigos, principalmente na turma do rádio. Não citarei nomes para não ser injusta, mas ainda hoje sei quem foi verdadeiramente amigo do meu irmão.

Ainda existem políticos vivos que o enganaram e outros que o ajudaram. Para a família ficou a grande lição de vida. Deus cuidará do resto.

Tenho um filho bastante ingênuo! Dono de um enorme coração, confia, no entanto, em alguns falsos amigos. Sempre que tenho oportunidade, alerto-o para ter cuidado com determinadas esparrelas.

Moramos em vários estados, convivemos com pessoas de Norte a Sul desse imenso Brasil. E fizemos muitos amigos, que hoje podem ser considerados verdadeiros irmãos.

Reside no Ceará uma criatura maravilhosa. Quando morávamos na mesma cidade e meu marido viajava, ele ligava: “Alari, estou aqui! Se precisar, telefone”. Foi ele que deu um par de botinas a meu marido, quando ambos entraram no Exército; Rubião recebeu dois pares de número 39 e calçava 42. O amigo percebendo o engano, disse: “Toma aí, cara, tenho dois pares 42.”

E foi iniciada uma grande amizade, duradoura até hoje, 60 anos após o fato.  Hoje, nossas famílias são unidas, todos se admiram. É a lei da vida!

Do meu lado, adoro fazer e curtir amizades. Desde criança, apesar de tímida, tinha sempre pessoas queridas por onde passava. Evitarei nomes. Mas desde o Grupo Escolar Fernandes Lima, Instituto de Educação, Universidade Federal de Pernambuco, Assembleia Legislativa de Alagoas, conquistei vários amigos e amigas e procuro não os perder de vista.

No Legislativo, perdi uma grande amiga-irmã; Elaine, que Deus levou para o céu. Aí, eu e Selma fizemos um juramento: “Vamos morrer no mesmo dia; não dá para ver outra pessoa querida ir embora”. Sonhadoras, nós duas. Só Deus!

Invertendo os papéis, analisemos os parentes que são verdadeiros amigos. Não sou louca de afirmar: “Gosto mais de fulano do que de sicrano”. Mas, entre irmãos e irmãs existem os mais chegados, com os quais temos mais afinidade. São aqueles com que contamos em quaisquer ocasiões, alegres ou tristes. Nas famílias grandes é nítida a aproximação de um com o outro e a rejeição existente, também entre alguns.

Aí vêm os filhos! Ainda esta semana uma me disse: “A senhora tem suas preferências!” Acredito piamente que no coração de mãe há lugar para muitos deles. O que diferencia um do outro é o temperamento. Entretanto eles não acreditam nisso.

É muito bom ter o privilégio de ter amigos-irmãos e irmãos-amigos. A diferença está no sangue, contudo não chega ao coração. Em minha família tivemos um bonito exemplo de amizade entre irmãos. Meu pai, João, e meu tio, José, eram unidíssimos. Nas horas tristes, estavam juntos, nas alegres também. Nada os separava; nem as rixas familiares.

A vida vai nos ensinando aos poucos e nos dá a compensação de escolher o que é melhor para todos nós. Tenho irmãs, cunhadas, filhas e primas, bem amigas. Como também irmãos, filhos, cunhados, todos queridos.

Alguém já me disse: “Vou morrer só; não preciso de amigos”. Doce ilusão!

Ninguém vive isolado. Precisamos de uma mão amiga, seja do mesmo sangue ou de outra família.

Deus existe. Não duvidem!

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