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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 949 / 2017

04/12/2017 - 19:59:14

Quem não se atualiza...

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

Num mundo onde a tecnologia da informática aperfeiçoa o que nos cerca sem que às vezes nem percebamos, poucas invenções conseguiram atravessar dois finais de séculos sem sofrer grandes mutações. A essência da criação continua pontuando desde meados do século dezenove até nossos dias. Falo da caneta esferográfica que, principalmente no século passado, revolucionou a escrita em todo o mundo. Sou do tempo em que, na escola, a banca tinha um furinho para que se colocasse o tinteiro. A caneta, uma evolução da então usada pena de pássaros, era formada por uma pena metálica no final de um delgado pedaço de madeira. Molhava-se a pena na tinta e, após escrever, enxugava-se com o mata-borrão. A já conhecida caneta tinteiro, que teve como precursora a marca Parker, tinha custos proibitivos para meros estudantes. Poucos pais possuíam. Foi exatamente nessa época que caiu em nossas mãos o milagre da caneta esferográfica, principalmente pelo seu acessível preço. Mesmo com alguns contratempos iniciais, como vazamentos e o mau cheiro da tinta, tornou-se aquilo que viria a ser o instrumento de escrita da humanidade até nossos dias. Mudaram-se suas apresentações. Além da tradicional, de plástico transparente com a tampinha, vieram as mais sofisticadas com diversos modelos. Mas, o essencial, a técnica usada da esfera que gira na pontinha da caneta, essa não mudou até nossos dias.

Mas, o que vemos hoje, são invenções efêmeras que constantemente são substituídas por outras mais modernas, como foi o caso das máquinas de escrever, engolidas pelos editores de texto dos computadores, as câmeras fotográficas com seus filmes, substituídas pelas câmeras digitais, e, essas mesmas, pelos telefones celulares. Essa evolução não permite que se reclame de quem cresceu. As fábricas de máquinas de datilografia e de fotografia, os fabricantes de filmes e outros apetrechos utilizados por eles, tiveram que se reinventar para sobreviver em um mundo que não aceita o marasmo. Já citei certa feita um texto atribuído à antropóloga Miriam Goldenberg onde ela cria, a exemplo da adolescência, uma nova faixa social: a sexalescência. Formada por pessoas com sessenta/setenta anos que não se conformam em ser tratadas como idosas. Estão sempre em contato com a tecnologia da informática, principalmente.

Enquanto isso, taxistas reclamam da criação do Uber. Em breve serão os motoristas do Uber que estarão gritando pois essa empresa acaba de adquirir vinte mil automóveis auto dirigíveis. O mundo exige que estejamos constantemente reciclando-nos.

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