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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 949 / 2017

04/12/2017 - 19:51:24

Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Marqueteiro delator

Barra de São Miguel, AL- O marqueteiro Renato Pereira detonou o PMDB fluminense. Não sobrou um só dos seus clientes que ele tenha poupado para se salvar da cadeia. Entregou também os amigos de quem foi sócio nas campanhas de Cabral, Pezão e Eduardo Paes. Desses políticos, Pereira não só recebeu milhões de reais durante as eleições como prestou serviço ao governo em conluio com as agências de propaganda. Ou seja: Renato Pereira foi um dos artífices de toda bandidagem que se instalou no Rio para roubar o dinheiro da população. Flagrado, fez acordo de delação, mas o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, desfez o acerto entre ele e o Ministério Público. Agora o marqueteiro corre o risco de passar um bocado de tempo no xadrez se for condenado.

Com as últimas noticias que envolvem o presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani (PMDB) e seus filhos em lavagem de dinheiro, conclui-se que durante vinte anos o Rio foi administrado por uma quadrilha formada pelos conselheiros do Tribunal de Contas, pela Alerj, políticos, governos estaduais e municipais. E mais uma vez o PMDB é o protagonista dessas ações nefastas contra a população. Diante desses escândalos, sabe-se agora porque muitos desses políticos eram eleitos e reeleitos nas eleições. O dinheiro jorrava fácil, pois quase todos trabalhavam contra a população fazendo acordos espúrios com donos de ônibus para não aumentar as tarifas e com todo tipo de meliante que tinha interesse em se aliar aos bandidos chefiados por Cabral e sua gang.

Pereira, durante muito tempo, não foi apenas marqueteiro dessa gente. Ele se juntou à quadrilha para arrombar os cofres públicos. Confessou que mantinha contratos pessoais com o governo e tinha participação nos acordos que fazia com as agências de publicidade. As cifras saltam aos olhos: mais de 300 milhões de reais chegaram aos seus bolsos e dos seus comparsas na roubalheira desenfreada do dinheiro público. 

Ao se sentir acuado foi o primeiro a acenar com a delação premiada. Como Ministério Público tinha interesse em emparedar o PMDB decidiu, a exemplo dos irmãos Batista, atenuar a pena de Pereira. Foi sugerido a ele uma pena de quatro anos com total regalia. Por apenas um ano, Pereira teria que ir ao presídio à noite para dormir. Os outros três anos, ele ficaria em casa e na rua com autorização para fazer viagens nacionais e internacionais. Ora, para quem se beneficiou com os milhões de reais roubados, a pena era mais um prêmio do que um castigo.

Detalhes

Lewandowski viu nesse acordo do Ministério Público um crime de lesa pátria, por isso não o homologou. Quer saber mais detalhes, quer mais informações e quer, sobretudo, saber por que tanta brandura com quem foi um dos principais autores da maior organização criminosa do Rio. Pela delação de Pereira, não há mais duvidas quanto à sua participação ativa dentro da quadrilha. Todo dinheiro do marketing de campanha e da publicidade do governo e do município passava por suas mãos e ia para as dos outros comparsas da publicidade que topavam esse tipo de acordo espúrio contra as finanças do estado.

Certo

O ministro do STF agiu certo quando devolveu os papéis da delação premiada de Renato Pereira. Atende, com isso, ao clamor dos indignados que não aceitam mais esse tipo de conchavo, onde o delinquente é recompensado pelo crime que cometeu apenas por dizer quem são os larápios com quem estava se acumpliciando com os seus atos. Essa benevolência do Ministério Público com alguns delatores está chamando a atenção do STF desde o acordo feito com os irmãos Batista que tiveram seus crimes imputados por Rodrigo Janot. O tribunal desfez a negociata e eles agora estão presos para responder por todos os crimes financeiros que cometeram contra os órgãos públicos.

Comemoração

Renato Pereira já estava comemorando a pena branda oferecida pelo Ministério Público por sua delação, pois até viajar para o exterior lhe era permitido. No momento vive a incerteza do que pode acontecer com a sua vida ao se submeter a novos interrogatórios que vão revelar, de verdade, o tamanho do seu crime e da sua participação com a quadrilha dos políticos cariocas.

Os maluquetes

Para os maluquetes que foram às ruas gritar “é golpe, é golpe”, o PT agora reponde com aliança com o PMDB golpista em pelos menos seis estados: Alagoas, Ceará, Piauí, Sergipe, Minas Gerais e Paraná com o aval de Lula, que, com isso, acha que pode tirar o partido do esgoto, onde ambos estão metidos. Essa aliança justifica o silêncio do Partido dos Trabalhadores as mazelas do governo Temer e a negociata do patrimônio brasileiro como a Eletrobras, a maior holding de energia elétrica do Planeta que, certamente, cairá nas mãos dos chineses.

O golpe

Esses mesmos maluquetes que se esgoelaram para denunciar o “golpe”, estão passivos diante da liquidação das empresas brasileiras que começou com os aeroportos e estão chegando ao patrimônio estratégico do país, como o setor de energia – hidrelétrico e petrolífero. Este ano, os chineses já investiram 8,5 bilhões de dólares em empresas brasileiras, participando com 12% de todos os leilões realizados até agora. Mas, na verdade, os olhos chineses visam o domínio energético, estratégico em qualquer nação. De uma só tacada eles compraram quatro usinas hidrelétricas este ano.

Negociata

O grupo chinês Spic pagou apenas pela Usina São Simão, da Cemig, 7 bilhões de reais no pregão. Eles também se movimentam para arrematar as áreas mais promissoras de petróleo nas bacias produtoras do Brasil. De 2009 a 2016, a fatia de participação dos chineses nas compras e fusões em empresas brasileiras nunca havia ultrapassado os 4%. Mas, este ano, 35% do valor gasto pelos estrangeiros no Brasil vieram do bolso dos chineses.

Fantasia

E os maluquetes? Continuam silenciosos. Apenas para lembrar, na eleição que disputou com Lula, Geraldo Alckmin chegou até se fantasiar de estatal (portava as logomarcas das grandes empresas estatais na camisa) para negar que iria privatizá-las, como alardeava o Lula nos seus programas eleitorais. Descobriu-se, depois, que o PT tinha um interesse peculiar para defender essas empresas: roubá-las. E assim os militantes fizeram durante quatorze anos, saqueando os cofres da Petrobrás, da Eletrobras e de empresas termonucleares, apenas para citar algumas. 

Baderna

E os maluquetes? Durante todo esse período, os maluquetes também se locupletaram da baderna financeira. A República Sindical ocupou postos estratégicos nas empresas estatais e de lá saíram com as burras cheias de dinheiro. Muitos estão em cana. Um deles, o Vaccari, ex-tesoureiro do PT, acaba de sofrer um revés. Viu os desembargadores gaúchos dobrarem a sua pena. Para quem já se achava com os pés fora do presídio, não deixa de ser um balde de água fria nas suas pretensões de liberdade. A expectativa agora é de delação.

Estratégico

E os chineses? Sim, os chineses. No governo de Temer, os chineses estão deitando na sopa porque conhecem a dificuldade financeira do Brasil para fechar suas contas. Por isso pretendem ampliar “legalmente” o espaço deles nesse setor: o de energia. A exemplo do que aconteceu com as rodovias brasileiras que pioraram com a privatização – algumas delas até foram devolvidas ao governo -, não existe nenhuma garantia dos chineses de grandes investimentos no setor hidrelétrico. Além disso, não é correto o país entregar seu patrimônio estratégico (segurança nacional) a estrangeiros, sujeito a um apagão numa situação de conflito. 

Fantoche

Isso ocorre, evidentemente, porque o Temer é o governo do faz de conta. Ele senta na cadeira de presidente, mas quem manda na economia é o Henrique Meirelles, o banqueiro, fantasiado de liberal e boa “gente” que está 

liquidando o país em nome da recuperação econômica e da inflação controlada. Só um idiota não percebe que Meirelles transformou o Brasil em um balcão de negócios, onde a voz mais ouvida é a do “quem dá mais” do leiloeiro.  Para o Temer, que governa, mas não manda, o importante é se segurar na cadeira de presidente mesmo que para isso transforme-se no governo mais “entreguista” desse século. 

No lucro

Para quem nunca imaginou chegar à Presidência da República pelo voto, tudo é lucro para ele e seus asseclas. E lucro mesmo! Ah, e os maluquetes? Continuam dormindo. Quando acordarem, vão descobrir, espantados, que nunca passaram de massa de manobra. 

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