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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 948 / 2017

22/11/2017 - 13:22:36

FHC é passado e Lula ainda resiste na política

Mudam os personagens mas não muda o discurso

José Fernando Martins [email protected]

Uma semana antes das eleições presidenciais de 1998 o EXTRA ALAGOAS traçou um perfil dos candidatos mais populares. À época, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estava no topo das pesquisas que já confirmavam sua reeleição. Em segundo lugar vinha o petista Luiz Inácio Lula da Silva com a promessa de que um dia a classe trabalhadora assumiria o poder. Logo atrás estava Ciro Gomes (PPS, hoje PDT) e Enéas Carneiro (Prona) junto à sua infalível bomba atômica. 


Embora FHC tenha sido reeleito em primeiro turno, as eleições daquele ano mostravam ideias e ideais diferentes e bem traçados. O empresário contra o trabalhador, o comunista contra o radicalismo. Dezenove anos depois, muita coisa (ou nada) mudou no cenário político brasileiro. O PT conseguiu assumir o poder por quatro eleições. Lula concluiu dois mandatos e sua pupila Dilma sofreu uma rasteira do próprio vice, Michel Temer (PMDB) enquanto vivenciava a sua reeleição. 

O PT também provou que o poder é capaz de corromper até mesmo a mais forte ideologia partidária. Na avalanche de denúncias de corrupção que assolaram o País, grandes nomes do PMDB, PSDB e demais partidos foram jogados na lama. Dezenove anos se passaram e o Brasil se encontra em plena carência de representatividade. FHC está longe das pesquisas, uma vez que nem cogita encarar novamente uma campanha presidencial, ao contrário de Lula, que recentemente tem feito propaganda política disfarçada de caravana petista. 

Condenado em julho deste ano a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo juiz federal Sérgio Moro, Lula ainda é um nome forte na boca do povo. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada no dia 30 de setembro, pelo jornal Folha de S.Paulo, o ex-presidente petista tem 36% das intenções de voto. 

Em segundo lugar está o Enéas da vez. Se o falecido era conhecido por seu nacionalismo e seu conservadorismo, Jair Bolsonaro (PSC) é o polêmico da rodada. Com falas ácidas sobre minorias e com ideias de combater a violência com mais violência, Bolsonaro tem 16% dos votos. E diferentemente de 1998, na qual a candidata à Presidência Thereza Ruiz (PTN) só conseguiu 0,25% de votos, o poder feminino está mais forte, só que nas mãos da acreana Marina Silva (Rede), com 14%. 

E como a política pode revelar surpresas, o PSDB ainda patina para conseguir um candidato competitivo para as eleições de 2018. Aécio Neves, que levou Dilma Rousseff para o segundo turno, acabou sendo desmoralizado devido às denúncias de corrupção na Operação Lava Jato. Ele chegou até a ser afastado do Senado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto voltou ao cargo por força política. 

O nome tucano da vez é de João Dória, o empresário que conseguiu a façanha de vencer em primeiro turno as eleições contra Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo (SP) em 2016. Porém, Dória, que inclusive ganhou título de cidadão honorário de Maceió, surge timidamente com apenas 8% das intenções de voto. 

Ciro Gomes (PDT) já se considera pré-candidato à Presidência em 2018 mas, se em 1998 ficou em terceiro lugar na disputa eleitoral, nas pesquisas atuais, seu nome mal aparece.

O Datafolha ouviu 2.772 pessoas em 194 cidades entre os dias 27 e 28 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e índice de confiança de 95%.

EM TEMPO

A eleição presidencial brasileira de 1998 foi a terceira realizada após a promulgação da Constituição de 1988. O então presidente Fernando Henrique Cardoso foi reeleito em primeiro turno com cerca de 53% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou Luiz Inácio Lula da Silva com quase 32% dos votos. Ciro Gomes, então membro do Partido Popular Socialista (PPS), veio em terceiro lugar, com mais de 7 milhões de votos (quase 11% do total). Esta eleição trouxe o uso das urnas eletrônicas, que seriam utilizadas em todos os municípios no pleito seguinte.

A disputa pela presidência em 1998 contou com doze candidatos. O número de concorrentes poderia subir para quinze, caso a candidatura do ex-presidente cassado, hoje senador por Alagoas, Fernando Collor de Mello (PTC), não tivesse sido revogada pela Justiça Eleitoral e se Oswaldo Souza Oliveira (PRP) e João Olivar Farias (PAN) não tivessem desistido. 

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