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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 948 / 2017

22/11/2017 - 13:17:10

Desalento

ELIAS FRAGOSO

Chegamos ao final do ano (mais 3 semanas e este país – aloprada e desvairadamente – para até o carnaval, como se estivéssemos no melhor dos mundos). No início deste fatídico 2017, modestamente dissemos que o crescimento econômico, - contrariamente à opinião de economistas ilustres e com amplo espaço na mídia nacional que preconizaram taxas positivas entre 2% a até 3,5% - não ultrapassaria o patamar de 0,5%. Melhor que os trágicos anos da presidenta incompetente, mas longe, muito longe da sonhada “recuperação”. Não deu outra.

Alertamos também que, dada a situação econômico-financeira da Nação e o comportamento da taxa de inflação em queda, a taxa Selic (que àquela altura andava na casa dos 11%) já poderia ter avançado para 7%, coisa que só acontecerá na próxima reunião do COPOM agora em dezembro. Nada, nada, o tesouro nacional desembolsou para os bancos nestes 10 meses da nossa projeção, cerca de 70 bilhões de reais a mais, por conta dessa “pequena” diferença de 4 pontos percentuais que veio sendo reduzida a passo de cágado ao longo de 2017. Grana que sozinha cobriria cerca de 50% do déficit da previdência...

Dissemos também – e reiteradas vezes neste jornal – que as reformas previstas pelo governo: previdenciária, trabalhista, política, monetária e fiscal não aconteceriam. E se viessem a acontecer seriam retalhos do que deveriam ser. E deu no que deu. 

Apenas a reforma trabalhista avançou, ainda assim capenga, já que assegurou a sobrevida de um dos mais renhidos redutos reacionários do país, a justiça do trabalho. Que bem poderia ser denominada de injustiça do trabalhado tais as excrescentes jurisprudências produzidas, que levaram até ao próprio presidente do Superior Tribunal do Trabalho a propor a sua extinção.

No âmbito mais restrito das elites dirigentes, nosso país continua seu passo célere rumo a disputar os últimos lugares dos rankings mundiais de corrupção, malversação dos recursos públicos e de benesses mil para as “castas” das áreas judiciária, política e do executivo em todos os seus níveis, desde o presidente, pego com em conversas não republicanas com um grande empresário, até aqueles prefeitos que roubam a merenda das crianças. Como exemplo dessa falta de caráter macunaímica lembremos do mais recente episódio daquela ministra que teve o desplante de exigir receber mais de 60 mil reais por mês, já que precisa comprar brincos, perfumes e sapatos. Isso num país em crise e com 13 milhões de desempregados. Alguém aí acha que ela foi demitida sumariamente? Não foi sequer admoestada... 

Mas não é só ela. Nosso Supremo Tribunal virou uma casa de Noca. Bate-bocas dignos de botequim, nenhum indiciado na Lava Jato julgado até o momento, o “lava mãos” à lá Pôncio Pilatos, denegando ao Legislativo o que era sua atribuição (julgar o senador Aécio), e que já produz “frutos” com a libertação da cadeia de políticos corruptos país afora, após “decisões” das suas assembleias legislativas. E como se fosse pouco, sua omissão no sentido de dar fim ao absurdo e famigerado teto constitucional, acabando de vez com essa esculhambação e a roubalheira do nosso dinheiro pelas castas dirigentes, práticas que burlam grotescamente a Constituição. De quem o Supremo é o guardião. Não custa lembrar.

E o que dizer do Tribunal Superior Eleitoral que absolveu a chapa da fatídica dupla Dilma/Temer por “excesso de provas”. Agora tão ou mais grave que tudo isso (se é que é possível) é a marcha batida imprimida pelas nossas “autoridades” rumo à impunidade de todos. Lembram do senador Jucá e sua frase de que era preciso “estancar a sangria”? Pois bem, as recentes mudanças ocorridas no âmbito da Polícia Federal, o corte de recursos para a Lava Jato, a “parada” singular do Ministério Público Federal em relação aos processos em andamento naquele órgão relativos aos corruptos e corruptores da Lava Jato são sinais de alerta.

Sobram fatos para o brasileiro aumentar o grau de alerta contra essa bandalha toda.

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