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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 948 / 2017

22/11/2017 - 13:16:16

Suave rotina

Alari Romariz

Vez em quando, o dia amanhece e ficamos matutando sobre a rotina daquele período. O que faremos? Para onde iremos?

Ou então, um neto nos pergunta: Vó, que dia chato; vamos fazer o que?

De repente, acontece algo inesperado: Fulano morreu! Terremoto no Irã! Prenderam o Zé Dirceu! Houve um grande assalto no Rio de Janeiro!

É bem melhor vivenciar o dia a dia sem grandes novidades e criar nosso itinerário sem esperar notícias alarmantes.

Quem vive nas grandes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, está sempre preocupado. Ir à praia no Rio é, no mínimo, esperar por arrastões. Na minha Paripueira, olhava da varanda para o céu azul, um silêncio infinito. Dificilmente acontecia algo que abalasse nossa tranquilidade.

Lembro-me que numa manhã bem calma liga o filho da Mara, minha secretária, apavorado: “Fechem as portas. Um maluco no Sahuaçuy cometeu dois crimes e correu para o lado norte de Paripueira”. E no fim da tarde, a Polícia matou o assassino.

Recentemente em Batalha, cidade tranquila do Sertão alagoano, mataram um Vereador. E a rotina foi quebrada: chegaram policiais, famílias se acusando. Virou uma loucura! Acabou-se a paz!

No clima de insegurança e violência por que passa o Brasil, acabou-se a tranquilidade nas pequenas cidades. Os bandidos descobriram que podem ir para o interior e explodir bancos, praticar assaltos. Os habitantes são tomados de surpresa e o número de policiais é bem menor. Eles então, fazem a festa!

Quando era adolescente, passava as férias em Penedo. Um sossego: íamos ao cinema a pé, voltávamos no começo da noite, calmamente, sem temer assaltos. Viajávamos para a Praia do Peba, dormíamos com as portas abertas! Doce vida! 

Hoje, no Recife, as crianças não podem ir à escola andando pelas ruas. Meu neto já perdeu uns três celulares, tomados por bandidos. E ainda há o risco de desagradar o ladrão e levar uma facada, um tiro ou uma boa pancada.

Estávamos, eu e minha filha, saindo de uma cafeteria em Petrolina e ela gritou: “Corre, mãe, entra no carro, vem um homem de bicicleta”. Um sufoco! Ficamos as duas amedrontadas, às 7 horas da noite, no centro de uma cidade do interior de Pernambuco.

Sair à noite, em Maceió, é temeroso! Onde deixar o carro? É melhor ir de táxi? Em caso de dúvida, ficamos em casa, vendo TV ou lendo. Sair da rotina assusta o velho casal.

As famílias das pequenas cidades sempre gostaram de colocar cadeiras na calçada no início da noite, para conversar ou tomar uma cervejinha. Outro dia, numa cidade litorânea, três famílias ficaram na porta, sentadas em suas cadeiras. De repente, pararam dois motoqueiros e levaram tudo que foi possível arrancar dos presentes. Agora, você passa e não vê uma pessoa na frente de casa. Tudo trancado a sete chaves! 

Acabou-se o tempo de nossa infância, quando as famílias ficavam nas portas e as crianças brincavam de bola, de bicicleta ou qualquer outro tipo de jogo.

Hoje, se vemos um motoqueiro perto do carro, ficamos assustados, pensando ser um bandido que vai nos atacar. Quem mora em casa, não pode abrir a porta para qualquer um. Ficar só numa residência é arriscar demais. Quem mora em apartamento não tem tanta segurança: os bandidos se fantasiam de carteiros, de policiais e invadem os lares brasileiros.

Tenho pena das crianças de hoje; perderam a liberdade de ir e vir. Outro dia, o filho de uma amiga ia para aula de inglês; dois garotos pararam o pobre coitado e o deixaram só de cueca; levaram boné, celular, camisa, tênis e bermuda. 

Não temos opção; perdemos a segurança!

Só nos resta sonhar com os velhos tempos nos bairros de Maceió, nos quais curtíamos andar pelas ruas, ir à praia, ou mesmo, colocar cadeiras na porta.

 Adeus suave rotina!

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