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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 948 / 2017

22/11/2017 - 13:15:40

Sem chance de convencer

JORGE MORAIS

Apesar do seu forte poder de convencimento, isso demonstrado em duas oportunidades, quando conseguiu convencer a maioria dos deputados federais arquivar dois pedidos de afastamento feitos pela Procuradoria Geral da República, o presidente Michel Temer está com um grande “abacaxi político” para descascar nos próximos dias. Trata-se da decisão do Centrão em pleitear os ministérios que estão na cota do PSDB. Na verdade, são quatro para um partido dividido entre votar a favor e votar contra o presidente.

Entre as suas mais diversas formas de explicação, no âmbito da política, “o Centrão é a reunião de deputados que, numa assembleia, ocupam os lugares associados à orientação política situada entre a direita e a esquerda”. O caso em discussão relaciona-se ao tratamento pela metade que o presidente Michel Temer e seus partidos aliados receberam dos deputados federais do PSDB, com apoio externo de alguns senadores, nas duas votações da Câmara dos Deputados que beneficiaram o presidente da República. E, nos dois momentos, mais de 100 deputados que formam a denominação fecharam questão favoravelmente a Temer.

Por isso, o Centrão quer ocupar os ministérios. E agora presidente, o que fazer? Como na votação do segundo arquivamento pela Câmara dos Deputados, o presidente Temer viu a diferença diminuir em relação ao primeiro processo, ele entende que não pode abrir, agora, mão do PSDB, para tentar aprovar algumas reformas, entre elas, a da Previdência Social, que trata da aposentadoria do trabalhador brasileiro. Ao mesmo tempo, não pode desagradar aos mais de 100 deputados que formam na sua base política. Mais uma vez o Michel Temer vai precisa de muita conversa e de muitas promessas para não perder o seu rebanho.

Paralelamente a tudo isso, a própria direção nacional do PSDB já deixou claro que vai abandonar o barco. Só falta saber quando. Agora, em dezembro, ou no período de entrega natural de cargos do calendário eleitoral? Se isso só ocorrer em abril do próximo ano, o PSDB estará se aproveitando de uma situação em benefício de seus ministros-candidatos. Na verdade, Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati, Aécio Neves e muitos outros “caciques” do partido querem que o partido saia do governo ainda este ano. Os ministros do PSDB no governo do presidente Michel Temer vão sair logo, se possível, ontem.

Por tudo isso acho que o presidente não tem chance de convencimento dessa vez. Por mais que prometa, por mais que tente segurar o PSDB na estrutura do seu governo, Temer não vai conseguir e, ainda, tem o Centrão ameaçando, mesmo que eu ache que é só ameaça. Não vai passar disso, pois todos os seus parlamentares já “mamam” nas tetas do governo, individualmente ou por meio de seus partidos. Na verdade, o que eles querem é a presença direta do Centrão no governo, independente do que já conquistaram. Sem nenhuma dúvida, essas duas situações, do Centrão e do PSDB, ainda vão tirar muitas noites de sono do presidente.     

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