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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 948 / 2017

16/11/2017 - 22:05:30

Assassinato de negros no estado cresce assustadoramente

Ser preto em Alagoas é lutar por espaço na sociedade

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação

Alagoas, terra símbolo da resistência negra no Brasil, famosa por possuir o maior quilombo do País, não tem o que comemorar nesse dia 20 de novembro. O estado tem caminhado na direção contrária ao combate do preconceito e às mortes de negros.

Os dados são estarrecedores. A taxa de homicídios contra negros no estado, entre os anos de 2005 e 2015, cresceu 68%. É o que aponta o Atlas da Violência publicado em junho pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Rio Grande do Norte ocupa a primeira posição, com aumento de 331,8%.

No mesmo período em que houve um crescimento na taxa de homicídio de negros, a mortalidade de indivíduos não negros diminuiu 23,8%. Ou seja, não apenas temos um triste legado histórico de discriminação pela cor da pele do indivíduo, mas, do ponto de vista da violência letal, temos uma ferida aberta que vem se agravando nos últimos anos.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP AL), 74,3% dos Crimes Violentos Letais e Intencionais que aconteceram no estado foram contra pessoas consideradas negras e/ou pardas apenas entre janeiro e outubro deste ano.

Os dados mais recentes da violência letal apontam para um quadro que não é novidade, mas que merece ser enfatizado. Os números só enaltecem a cultura de um estado extremamente desigual, que não consegue garantir a vida para parcelas significativas da população, em especial à população negra, que representa 68% do estado de Alagoas.

A publicação do Ipea reúne dados de 2010 a 2015 sobre as mortes violentas no país. Segundo a estatística, de cada 100 pessoas que sofrem homicídio no Brasil, 71 são negras. Jovens e negros do sexo masculino continuam sendo assassinados todos os anos como se vivessem em situação de guerra, além disso, em Alagoas, jovens negros têm 23,5% maiores chances de serem vítimas de assassinato em relação a cidadãos de outras raças.

Segundo a coordenadora do Instituto Raízes da África, Arísia Barros, a população negra em Alagoas, embora possua todo seu histórico de lutas desde o período escravocrata, ainda não tem motivos para comemorar. Para ela, o alto número de casos relacionados à violência contra negros em Alagoas se deve à falta de políticas públicas por parte do estado e de próprios movimentos negros.

 “A maioria dos pretos e pretas do estado vive nas favelas, consideradas senzalas modernas”, explica a coordenadora, que complementa: “O racismo é um ciclo vicioso e empurra a população para o ‘cantinho’ da invisibilidade social; aqui e em todo o resto do Brasil, os números de mortes de negros são considerados apenas estatísticas no relatório anual das secretarias”.

Os números em relação a mulheres também impressionam. Enquanto a mortalidade por homicídio de não negras (brancas, indígenas e amarelas) caiu 7,4% no período analisado, a mortalidade de mulheres negras teve um aumento de 22%, chegando à taxa de 5,2 mortes para cada 100 mil habitantes.

Os dados divulgados pela imprensa e pelos institutos apontam a violência contra mulher apenas tendo relação direta com o machismo, porém, de acordo com o contexto histórico, a cor da pele negra em uma mulher está diretamente relacionada à violência sexual sofrida por elas ainda no período escravocrata. “Quando uma mulher branca é morta pelo marido, há uma comoção social, isso não acontece com pessoas de cor; o que parece, é que corpo negro não tem o mesmo valor”, critica Arísia

Símbolo de 

resistência

A Serra da Barriga, localizada no município de União dos Palmares, Zona da Mata de Alagoas, recebeu na última semana a certificação que torna oficial o título de Patrimônio Cultural do Mercosul.

O local abrigou o Quilombo dos Palmares, um marco da luta dos negros escravizados no Brasil. Ela possui uma área de aproximadamente 27,92 km² e pertence ao governo federal desde 1988. 

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