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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 948 / 2017

16/11/2017 - 22:00:20

Neguinho Boiadeiro investigava desvios de dinheiro público

Prefeitura de Batalha negou acesso a documentos pedidos pelo vereador

José Fernando Martins [email protected]
Neguinho Boiadeiro foi executado a tiros na porta da Câmara de Vereadores de Batalha

Uma semana após a execução do vereador Adelmo Rodrigues de Melo, 61, o Neguinho Boiadeiro (PSD), a cidade de Batalha tenta se reestruturar. O município, de pouco mais de 17 mil habitantes, saltou do Sertão de Alagoas e virou manchete nacional com o crime de mando que reacendeu a rivalidade sangrenta de duas famílias. 

De um lado está a influente família Dantas, que precisou “sumir” dae Batalha temendo pela vida. Do outro está o clã dos Boiadeiro, que grita suas desconfianças sem pestanejar exigindo justiça pela morte do patriarca. 

Inconformada com o assassinato do pai, Bahia Boiadeiro não tem papas na língua. Para ela, o crime foi arquitetado pela família Dantas e ponto final. Também sequer acredita que um terceiro grupo teria encomendado a execução para inflamar a relação entre as famílias que tinham decretado um “acordo de paz”. 

No entanto, nesta semana, outras informações sobre a influência política de Neguinho Boiadeiro têm vindo à tona. Em declaração à imprensa, Bahia informou que o vereador investigava supostos desvios de dinheiro público por parte da prefeita Marina Dantas (PMDB), esposa do ex-gestor Paulo Dantas e nora do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa Luiz Dantas (PMDB). 

Inclusive, ele, em sua função de legislar e fiscalizar, tinha solicitado à Prefeitura documentos, extratos e comprovantes de pagamentos. O pedido foi negado pelo Executivo. Bahia também acredita que o fato de questionar o trabalho da prefeita teria acirrado ainda mais a briga pessoal que já existia. “Viram que meu pai estava crescendo politicamente”, afirmou, ao lado da mãe, Mércia Boiadeiro.

E as revelações não pararam por aí. Na terça-feira, 14, o suplente Érico Rodrigues de Almeida (DEM), o Quinca Douca, 64, foi diplomado vereador assumindo a cadeira vaga de Neguinho Boiadeiro. O agora vereador chegou a declarar que Neguinho enfrentava dificuldades por ser da oposição e que o “Poder Executivo não tinha interesse em sua evolução política”. Um argumento bastante parecido com o proferido por Bahia Boiadeiro. 

Enquanto isso, a família Dantas opta pelo silêncio. Em nota sucinta à imprensa, o deputado Luiz Dantas apenas destacou que confia nas investigações da polícia, na Justiça e no governo. Já a assessoria de imprensa da Prefeitura de Batalha informou ao jornal EXTRA que a prefeita não irá se pronunciar sobre as acusações de desvio de dinheiro. 

Investigação

O delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, formou uma comissão com três delegados para apurar a morte de Neguinho Boiadeiro, são eles: Cícero Lima, que preside o inquérito, Rosivaldo Vilar e Gustavo Xavier. 

A Polícia Civil também se concentra para prender José Márcio Cavalcante, o Baixinho, filho do vereador assassinado. Ao saber da execução do pai, Baixinho teria ido à residência do pecuarista José Emílio Dantas, que acabou ferido. 

José Emílio Dantas foi encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE) de helicóptero onde foi atendido. Ainda hospitalizado gravou um vídeo dizendo que estava “vivo graças a Deus”. 

Emílio é filho de Zé Miguel, como era conhecido José Rodrigues Dantas, ex-prefeito de Batalha que foi assassinado em março de 1999. 

O caso

O vereador Neguinho Boiadeiro foi assassinado a tiros no começo da tarde de quinta-feira da semana passada, 9. Ele tinha acabado de sair da Câmara Municipal quando foi alvejado por dois criminosos. O segurança do vereador, Joaquim Pirauá, 54, também foi ferido e encaminhado para uma unidade hospitalar em Arapiraca. 

Um carro já estaria à espera do vereador em frente a Casa Legislativa. Populares informaram às autoridades que dois homens, que vestiam apenas bermudas, teriam cometido o crime. 

O rosário de crimes da família Boiadeiro é grande, mas o que mais repercutiu foi o assassinato do ex-prefeito de Batalha, Zé Miguel, em 1999. Pelo crime, o agropecuarista José Laelson Rodrigues de Melo, conhecido como Laércio Boiadeiro, foi condenado a 35 anos de prisão pelo assassinato do ex-prefeito, que na época tinha 57 anos, e da mulher dele, Matilde Tereza Toscano de Souza, 30. 

Boiadeiro foi libertado em abril de 2010 pelo desembargador Orlando Manso, que entendeu haver falhas no processo. 

Quatro anos antes, em junho de 2006, uma operação conjunta das polícias Militar e Civil e o Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCCO) resultou na prisão de pessoas da família Boiadeiro. Na ocasião, foi realizado um cerco à casa de Neguinho Boiadeiro. 

Também em 2006, Samuel Theomar Bezerra Cavalcante e o sargento Edvaldo Joaquim de Matos foram mortos no município. Eles eram cunhado e segurança de Paulo Dantas, então prefeito da cidade. O autor dos disparos foi José Emanoel Boiadeiro, que alegou ter agido em legítima defesa. Emanoel chegou a ser condenado e estava em liberdade condicional quando morreu durante uma operação policial em outubro de 2016, na cidade de Belo Monte.

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