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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 946 / 2017

07/11/2017 - 11:25:17

Bancada federal continua mal avaliada

Ranking mostra que deputados alagoanos ainda deixam a desejar

José Fernando Martins [email protected]

 maioria dos deputados federais de Alagoas votou contra os trabalhadores nas reformas constitucionais aprovadas pelo Congresso. Foi com essa frase que o jornalista e editor-chefe do EXTRA ALAGOAS, Fernando Araújo, começou uma matéria publicada no dia 21 de setembro de 1.998. A pauta era a avaliação da bancada alagoana, em Brasília, a partir de análise do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). 

Após 19 anos, um detalhe diferente: a maioria dos parlamentares por Alagoas foi contra à Reforma Trabalhista de Michel Temer. Apesar de alguns deputados terem ficado “ao lado” do trabalhador, nem todos são bem avaliados. É o que revelou o Ranking dos Políticos, da página virtual www.politicos.org.br. No estudo, cada parlamentar recebe nota pela presença nas sessões, sua atuação e posição frente aos projetos avaliados pela Câmara Federal.

Quando se trata de Alagoas, o primeiro da lista aparece na 20ª posição entre todos deputados federais do país. Pedro Vilela (PSDB) conseguiu 151 pontos a partir da avaliação do site. Das 91 sessões já realizadas, Vilela participou de 89. Outro quesito avaliado como positivo foi o fato de o deputado ter permanecido sempre no mesmo partido. No entanto, o parlamentar tem um processo que o derrubou algumas posições do ranking: uma prestação de contas reprovada referente as eleições de 2014. 

O segundo deputado de Alagoas com mais pontos, ou seja, melhor avaliado pelo site, é Cícero Almeida (Podemos). Contudo há uma discrepância. Almeida ocupa a 138ª posição no ranking dos deputados federais com 61 pontos. Faltou 15 vezes a sessões, carrega processos como a Máfia do Lixo nas costas e perdeu 20 pontos por trocar de partidos à exaustão. Ciço também foi a favor de rejeitar denúncia contra o presidente Michel Temer que poderia ser investigado por corrupção passiva. A sessão foi realizada no dia 2 de agosto. A decisão de Almeida fez com que ele ficasse sem alguns pontos a mais.


Da 138ª posição despencamos para a 193ª onde está a deputada Rosinha da Adefal (Avante), a terceira mais bem colocada na bancada alagoana. Com 33 pontos, a deputada já faltou em 18 sessões, ganhou pontos por ser a favor das alterações na estrutura do ensino médio, mas perdeu ao ser investigada em inquérito movido pelo Ministério Público Federal (MPF) que apura concussão e peculato. Trata-se do caso em que parlamentares do PT do B são acusados de cobrar ‘caixinha’ de servidores comissionados em troca da manutenção dos cargos ocupados. 

Givaldo Carimbão (PHS) está na 249ª posição dos deputados federais brasileiros. E é o quarto alagoano melhor avaliado pelo Politicos.org. Só conseguiu 4 pontos no ranking. Tem 14 faltas nas sessões e perdeu na avaliação de fidelidade partidária já que, no ano passado, o parlamentar deixou o Pros para assumir a presidência do diretório estadual do PHS. E JHC (PSB) é o quinto colocado na bancada de Alagoas com apenas 1 ponto e o 258º no ranking geral dos parlamentares federais. Teve duas faltas nas sessões, faz parte da Mesa Diretora e da Comissão Externa destinada a acompanhar in loco a situação das comunidades afetadas pelas chuvas e temporais em Alagoas e Pernambuco.

OS MAIS PROCESSADOS

JHC também separa os deputados bem avaliados dos mal avaliados. Em primeiro lugar, com mais pontos negativos, está Ronaldo Lessa (PDT). O ex-governador amarga a 503ª posição entre os 513 deputados federais existentes na Câmara. Com 323 pontos negativos, o que pesou para Lessa não foramas 17 faltas nas sessões. E, sim, a lista de processos contra o parlamentar. 

Entre eles estão: calúnia eleitoral; improbidade administrativa em função de má administração e desvio de finalidade de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza; e captação irregular de recursos na campanha de 2015, em representação movida pelo Ministério Público Eleitoral. Vale ressaltar que Lessa foi absolvido neste mês pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da acusação que envolve superfaturamento de obras e desvio de recursos públicos que deveriam ser destinados a obras para saneamento e contenção de enchentes. 

Com 163 pontos negativos está Paulão (PT) em segundo lugar no ranking dos piores de Alagoas e 482º da Câmara Federal. O deputado tem apenas cinco faltas nas sessões, mas foi alvo de inquérito que apura crime de estelionato. Também teve reprovadas suas contas referentes ao exercício financeiro de 2003, durante a gestão do parlamentar na presidência regional da sigla. 

Na terceira posição está um deputado do PP na qual a reportagem não pode citar o nome por questões judiciais. Ele tem 48 pontos negativos, está na 355ª dos deputados da Câmara, tem três faltas e um grande caso com a Operação Lava Jato. É alvo de inquéritos que investigam esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

E fechando o ranking, na quarta posição dos mal avaliados está Nivaldo Albuquerque (PRP). Tem 20 pontos negativos configurando a 299ª posição dos parlamentares federais. Com 22 faltas em sessões, Nivaldo não possui processos, mas como já apurou o EXTRA ALAGOAS, é um dos mais gastadores da Cota Parlamentar, o conhecido Cotão. Só no mês de agosto, o deputado federal gastou R$ 37.212,28 com a emissão de bilhetes aéreos. Segundo Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, foram 68 emissões expedidas em um único dia, 1º de agosto.

SENADO

O único senador por Alagoas bem avaliado aparece com 39 pontos. É do PP, mas o EXTRA também não pode mencionar o seu nome e está na 32ª posição do ranking dos senadores. Apesar do saldo positivo é alvo de inquéritos como a Operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras: STF - Inquérito nº 3989/2015, STF - Inquérito nº 3994/2015 e STF - Inquérito nº 3996/2015.

Fernando Affonso Collor de Mello (PTC) aparece em segundo lugar, mas na 59ª posição geral do Senado. Tem 31 pontos negativos e ao seu desfavor possui acusações de improvidade relacionadas à Operação Lava Jato. Segundo relatório da Polícia Federal, o parlamentar alagoano teria recebido cerca de R$ 26 milhões do esquema da Petrobras entre 2010 e 2014. 

O título de pior senador de Alagoas ficou para Renan Calheiros (PMDB). Dos 81 senadores, o ranking o colocou no 78º lugar. O ex-presidente do Senado tem 171 pontos negativos devido aos seus inquéritos. O Ministério Público Federal acusa o senador de apresentar ao Conselho de Ética do Senado, em 2007, documentos falsos para comprovar rendimentos que justificassem o pagamento de pensão a uma filha que teve em relacionamento extraconjugal com a jornalista Mônica Velloso.

Também é réu em ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário, juntamente com Claudio Gontijo e a empresa Mendes Júnior. O senador ainda é acusado pelo Ministério Público Federal de receber propinas da empresa em troca de emendas parlamentares. E foi condenado a apresentar plano de compensação ambiental para a Estação Ecológica Murici para reparar dano ambiental que teria sido causado por ele, ao pavimentar com paralelepípedos uma estrada da estação. 

Claro que ainda há os inquéritos envolvendo o nome de Calheiros na Operação Lava Jato. 

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