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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 946 / 2017

07/11/2017 - 11:24:03

Mulheres são sorteadas em Alagoas desde 1998

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação

Uma hora no quarto com ar-condicionado, cama, banheiro e mulher pelada. Tudo isso por apenas R$ 3. É quanto custava a cartela do “Bingo do Painho”, local que ficava próximo ao Mercado Público de Maceió, no ano de 1998.

Talvez, se você leitor, não chegasse ao final do primeiro parágrafo dessa matéria, pudesse pensar que estamos publicando algo atual, e realmente estamos. Mesmo estando no passado, a ideia de sortear garotas através de bingos continua a se repetir 19 anos depois, quando a primeira matéria referente ao assunto foi publicada, na edição de número 1, do Jornal EXTRA DE ALAGOAS.

A prática, embora seja a mesma, se adaptou aos avanços das redes sociais. Agora não é mais necessário dirigir-se a um bar e participar diretamente do sorteio. Foi o que fizeram alguns estudantes pelo menos duas vezes neste ano de 2017.

Em abril deste ano a venda de uma rifa organizada por universitários que tinha como prêmio uma noite de sexo com uma acompanhante de luxo também virou tema de debate nas redes sociais e alvo de um pedido de investigação do Ministério Público Estadual (MPE). O dinheiro da rifa seria para custear a formatura da turma de uma faculdade particular.


Na descrição do evento no Facebook, uma noite de momentos de prazer com acompanhante de luxo a ser escolhida pelo preço de R$ 10. É quanto custava a cartela do bingo organizado por formandos do curso de engenharia mecânica da Faculdade Pitágoras, em Maceió.

Quem ganhasse o bingo, escolheria uma garota em um site de prostituição que atua na capital alagoana. Os organizadores da rifa chegaram a criar um perfil no Instagram para divulgar o sorteio.  Após denúncias do crime feitas em redes sociais, o perfil foi apagado.

O bingo promovido pelos supostos estudantes universitários não foi o único este ano. Em um fato mais recente, usuários das redes sociais receberam e compartilharam o anúncio de uma rifa. O cartaz anunciava que, no bairro do Jacintinho, aconteceria o “Top Baile Privê”, cujo ponto ápice seria uma noite de prazer - com duas garotas de programa - como premiação ao vencedor. “Só não vai quem não gosta de mulher”, sentenciava o anúncio disseminado.

Para os ex-frequentadores do antigo Bingo do Painho, o local era um divertimento, uma forma de passar uma noite diferente, apostando em sexo barato, que os pontos de prostituição da cidade ofereciam em quase todos os bairros de Maceió. 

Embora João Gomes da Silva Filho, antigo dono da Boate Myamy’s Bar, onde funcionava o primeiro sorteio de bingos de Maceió, tenha praticado a atividade de sorteador de garotas de programa de forma “legal” durante alguns anos, hoje a realidade é outra.

No Brasil, prostituição não é crime. Porém, a Lei 11.106/2005 trata sobre delitos relacionados à prostituição, como a exploração sexual e favorecimento à prostituição, esses sim são considerados crimes. Em caso de condenação, as penas variam entre dois e cinco anos de prisão, além de pagamento de multa.

Diante da repercussão que os anúncios deste ano provocaram nas redes sociais, a Polícia Civil de Alagoas alertou que as circunstâncias deste tipo de negócio podem ser enquadradas como crime de exploração sexual, conforme o artigo 230 do Código Penal, podendo resultar na reclusão de um a quatro anos. 

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