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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 946 / 2017

07/11/2017 - 11:19:35

Apenas um passo

CLÁUDIO VIEIRA

Quem assiste às corridas de Fórmula 1 está familiarizado com a expressão “virou passageiro”. Bastante usada por narradores e comentaristas das disputas, significa que o piloto perdeu o comando do carro enquanto este derrapa e gira sem controle na pista. É um belo e emocionante espetáculo, embora assaz perigoso, o mais das vezes resultando na destruição da máquina e em danos físicos ao piloto.

Michel Temer virou passageiro! Atormentado por sucessivas delações premiadas que contam as suas falcatruas na política, alÉm de outras que, segundo as especulações, são esperadas; atemorizado por denúncias criminais aviadas pela Procuradoria Geral da República; acossado por aliados e demais aproveitadores, todos ávidos por cargos e verbas, o presidente é apenas um “zumbi político” (como o qualificou o professor e escritor Elias Fragoso em seu último artigo neste hebdomadário) que pensa e finge governar o País. Em tais circunstâncias, quem governa esse imenso gigante adormecido que às vezes acorda, mas ainda resiste em despertar de todo? O cáustico Epaminondas (lembram dele?) responde de supetão: o pior da política! Para nosso desencanto e preocupação, é verdade o que diz o Êpa, pois são os deputados e senadores, lamentavelmente aqueles envolvidos em inquéritos e processos que apuram as suas próprias corrupções, ou que negociam o voto em troca de cargos e verbas públicas, são esses de caráter duvidoso que agora impõem o ritmo ao governo do País. Até o lado sadio do (des)governo Temer, aquele representado pela equipe econômica capitaneada pelo sisudo ministro Meirelles, até esses passam a ser submetidos àquela banda podre, pois sem ela nada será aprovado nas Casas do Congresso. A cada votação, prevê-se, o erário encolherá, empobrecerá a Nação. Essa, infelizmente, é a realidade presente que nós eleitores permitimos se concretizasse, a nossa inação servindo de estímulo aos predadores da política nacional. Pior: aflige-nos as perspectivas futuras. Com o quadro de bestas políticas de fauces abertas, esfaimadas de poder e corrupção, o que devemos esperar das eleições do próximo ano? As pesquisas de opinião, lamentavelmente, indicam mais do pior, deixando-nos a incômoda impressão de que Pelé sempre teve razão: o eleitor brasileiro não sabe votar. Aliás, essa antiga frase-desabafo do Rei do Futebol traz implícita declaração de que somos os verdadeiros culpados pela vergonha nacional de termos um governo e um Congresso dominado por corruptos e traidores da Pátria, tornando certo velho aforismo: cada povo tem o governo que merece. Por não sabermos votar, merecemos o que está aí.

Haverá alguma luz ao final do escuro túnel?   

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