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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 946 / 2017

07/11/2017 - 11:19:05

Urnas violadas

ELIAS FRAGOSO

As eleições no Brasil foram recorrentemente fraudadas. Lá atrás (para não irmos tão longe) na chamada república velha, o voto de “cabresto”, de eleitores mortos, a troca pura e simples das urnas, eleitores que votavam em mais de uma seção, falcatruas na contagem dos votos, mesários que completavam a lista de votação em prol dos seus candidatos, eleitores que votavam por outros e a compra de votos eram algumas das inumeráveis fraudes eleitorais que elegiam e reelegiam os “coronéis” da política de então ou seus prepostos. 

Com o surgimento das urnas eletrônicas (1996) iniciamos no país uma nova etapa de enganação do eleitor através do discurso furado da sua decantada inviolabilidade. Mentira deslavada. Elas são comprovadamente violáveis, as inúmeras auditorias independentes realizadas comprovam isso. Mas a nossa justiça eleitoral continua a defender “cegamente” as urnas eletrônicas tal qual elas se apresentam. “Não há evidências de fraude”, afirmou recentemente à rádio Jovem Pan o secretário de TI do TSE, Giuseppe Janino. Deve viver no mundo da lua. Ou não... 

Recentemente, o maior evento hacker do planeta, a Defcon, analisou todos os modelos de urnas utilizados no mundo. Resultado: todos eles foram invadidos em menos de 2 horas. Sem deixar rastros. As “urnas eletrônicas” nada mais são que um conjunto de softwares e como tal, passível de manipulação, violação ou fraude. No nosso caso, essas fragilidades ficaram evidenciadas nas auditorias públicas realizadas pelo TSE em 2009, 2012 e 2016.

O professor Diego Aranha, um dos poucos que tiveram acesso ao programa das urnas eletrônicas brasileiras afirma que “os mecanismos que protegem o software (das urnas) contra manipulação sofrem de falhas de projeto fundamentais”. 

Além dessa preocupante constatação, alguns episódios no mínimo dúbios ocorreram nos últimos tempos. Na eleição presidencial de 2014, a contagem dos votos foi realizada sem que a Nação pudesse acompanhar ao vivo com a esfarrapadíssima desculpa que, face à eleição no Acre não ter terminado (3 horas de atraso em relação ao horário de Brasília), os dados não poderiam ser fornecidos (e porque a pressa? Era só esperar acabar a eleição por lá e iniciar a contagem dos votos). Resultado: o candidato do PSDB “perdeu” a eleição em seu estado natal para a candidata do PT por uma diferença gigante que, “coincidentemente”, foi praticamente a diferença que deu a eleição à candidata (é bom que se frise que nenhuma pesquisa, mesmo as de boca de urna, identificaram essa fenomenal votação da candidata do PT em Minas Gerais).

Solicitada a auditagem e a recontagem dos votos pelo PSDB, o TSE ainda mais estranhamente, não aceitou na equipe dois profissionais reconhecidos mundialmente por seus trabalhos nessa área: o professor Alex Haderman, da Universidade do Michigan, e o pesquisador brasileiro Rubira Branco que trabalha na Intel e com larga expertise em segurança de software e segurança de aplicações. O argumento?  Como um é cidadão estrangeiro e o outro vive em cidade fora do Brasil, isso violaria a soberania nacional (sic!). Deu no que deu.

Estamos nos aproximando de mais uma eleição presidencial que mais uma vez pode ser tisnada por coisas “estranhas” desse tipo. Apesar de aprovado pelo Congresso Nacional, o voto impresso, uma forma de se controlar o voto eletrônico, foi descartado para 2018 pelo presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, com enganosa versão de “problemas” para a sua implantação. O sistema – mais uma vez - continuará inauditável.

Com que finalidade?

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