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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 946 / 2017

07/11/2017 - 11:18:21

Ser sindicalista

Alari Romariz Torres

Sempre admirei a luta de companheiros pelas categorias no Brasil inteiro. As dificuldades são muitas porque os patrões se acham superiores e o Legislativo cria leis que prejudicam os empregados.

O funcionário civil só teve direito a ter seu sindicato após a Constituição de 1988 e os militares ainda hoje não podem ser sindicalizados.

Nos Estados, só a partir de 1989 (Constituição Estadual) tivemos direito a ter nossos representantes. Uma grande luta que no início nos rendeu até ameaças de morte.

Entretanto, é a disputa de Davi contra vários Golias. Os pequenos correm atrás de seus direitos e os gigantes derrubam tudo que eles conseguem. Nossa esperança é o desfecho da história.

Quando os governos se apertam, os discursos de economia são dirigidos aos servidores: reforma trabalhista, reforma da previdência. Enquanto isso, o Presidente, investigado em vários processos, negocia com o Congresso Nacional a liberação de recursos para parlamentares que o livram de ações na Justiça. Na última negociação foram comprometidos valores constantes do orçamento de 2018. E o ministro da Fazenda insiste em votar logo as reformas, demitir funcionários, não realizar concursos públicos, acabar com a estabilidade, cancelar reajustes já concedidos para o próximo ano, tudo isso para “economizar”. 

Nos estados a situação não é melhor. As Assembleias Legislativas estão acabando com os servidores estáveis, mas enchem os quadros de pessoal com comissionados, plenos de salários altos e dobrados. Os deputados recebem valores elevados e as “maracutaias” por verbas adicionais são muitas: verba de paletó, verba de correio, auxílio moradia, auxílio saúde e outros absurdos. Economia mesmo só em cima de servidores ativos e inativos.

Com tanta ganância, como os representantes de classe vão trabalhar em prol da categoria? Os dirigentes não respeitam a Justiça, criam leis ilegais os protegendo e contam com o apoio dos outros Poderes que deles precisam. Os orçamentos e outros projetos do Judiciário e do Executivo são aprovados pelo Congresso Nacional e nos estados pelas Assembleias Legislativas. Por este motivo não seria cômodo enfrentar os parlamentares. Os sindicalistas ficam perdidos no emaranhado de interesses.

Estou impressionada com o silêncio do povo brasileiro! Os políticos massacram os servidores públicos; os escândalos são inúmeros, poucos senadores, deputados, governadores não estão envolvidos com a utilização indevida do dinheiro público, recebimento de propinas e outros crimes. O povo permanece calado, adormecido.

Os sindicalistas pouco aparecem; as categorias lutam individualmente, recorrendo à Justiça, esperando anos e anos por uma solução de suas reivindicações. Em Alagoas há processos que tramitam na Justiça há mais de vinte anos. 

Aliás, nosso estado é diferenciado. Os políticos nada temem. O governador gasta o dinheiro da Previdência para pagar o décimo terceiro salário do funcionalismo e reclama da falta de recursos para aposentados e pensionistas. O Legislativo paga altos salários a deputados e dobra valores de comissionados; para ativos e inativos só se fala em economia. A Justiça é lenta e depende de aprovação de seus projetos pelo Legislativo. O Ministério Público investiga e denuncia à Justiça que, como disse, é demorada. A Polícia Federal tem atuado com firmeza, mas, no final das contas, tudo depende dos homens togados.

O sindicalista quando reclama, tem que provar o público e notório. Quando procura os dirigentes, recebe a curta resposta: judicialize! A categoria não ajuda muito o seu representante; é mais fácil criticar do que se engajar na luta. Reuniões com dirigentes são inócuas; eles prometem e não cumprem.

Apresento aos colegas sindicalistas meu integral apoio, que também não adianta. Sou apenas uma pobre aposentada, lutando por Justiça há muitos e muitos anos.

     Só Deus na causa!

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